Inovação e tecnologia são as heranças que a pandemia deixa para a logística no Brasil, dizem especialistas

Inovação e tecnologia são as heranças que a pandemia  deixa para a logística no Brasil, dizem especialistas

Em evento organizado pela Pinho Logística, gestores da área na Ambev e Valmet analisam os impactos da pandemia no comércio exterior

A segunda edição do Comex Solutions — evento anual criado para reunir grandes empresas do comércio exterior — debateu os impactos da pandemia na logística no Brasil. Na edição de 2020, que ocorreu de maneira online, Tatiane Vigiarelli, gerente de logística internacional da Ambev, e Cleber Mattar Pereira, gerente de planejamento e logística  América do Sul da Valmet, analisaram as heranças da crise mundial para o setor. De acordo com os profissionais, a inovação tecnológica e o pensamento  “fora da caixa” são pontos que devem continuar no futuro.

“Percebemos que, em algumas áreas, nós estávamos muito dependentes de modelos tradicionais. Isso acendeu um alerta para repensar os processos de trabalho e buscar alternativas logísticas a fim de enfrentar problemas complexos, como interrupções de voos e navios, baixa demanda no início da crise e um aumento expressivo no segundo semestre, falta de matéria prima, entre outras questões que foram complicadas em 2020”, disse Tatiane Vigiarelli. Neste ano, a Ambev viu aumentar em cerca de 20% sua importação de embalagens para suprir a alta no consumo de cerveja do brasileiro no segundo semestre de 2020.  

Cleber Mattar Pereira, da Valmet, analisou que a pandemia evidenciou que soluções antigas não eram mais adequadas. “Geralmente, quando enfrentamos um problema nos negócios, temos por impulso fazer o mesmo que já foi feito, mas a pandemia trouxe algo totalmente inédito e imprevisível. Tivemos de recuar, pensar, analisar modais de transporte, preços, avaliar quais eram os pontos críticos e ver quais eram as necessidades dos clientes, entre muitas outras coisas que fomos aprendendo conforme enfrentávamos.”

Tecnologia

A pandemia surpreendeu o setor de logística internacional duas vezes em poucos meses: a partir de março derrubou a expectativa de um 2020 em franca expansão, após um ano de muito crescimento no comércio global, e trouxe uma impensável “recuperação em V” já em agosto, junto com a perspectiva de um desempenho anual ainda melhor do que no ano anterior. A gangorra de cenários desafiou uma das indústrias mais tradicionais a se modernizar e digitalizar todos os seus processos. Para os especialistas, esse será o grande legado positivo da crise.

“Costumo dizer que nós avançamos uns cinco anos somente em 2020. O uso de tecnologias avançadas, como realidade virtual, era quase impensável e este ano, na Valmet, nós estivemos checando equipamentos e fazendo inspeções à distância, com a mesma qualidade, além de visitar clientes sem sair de casa. Isso não vai substituir o contato humano e a interação, mas nós percebemos que o setor logístico ganha muito mais ritmo com automatização. O salto digital foi abrupto e positivo”, diz Mattar.

“Quando eu olho para o comércio exterior e a logística no Brasil, vejo que a pandemia quebrou paradigmas para que o setor pudesse avançar no digital. A lição que fica é que precisamos de iniciativas para focar em processos mais integrados, mais ágeis e que estejam voltados mais à segurança de informações do que à dependência de documentos”, analisa Vigiarelli.

O evento foi organizado pela Pinho Gestão Logística Internacional, empresa especializada em comércio exterior e logística aduaneira.

Sobre o Grupo Pinho

A Pinho oferece soluções logísticas com inteligência de mercado, unindo experiência e inovação. Pioneira no ramo de desembaraço aduaneiro, a Pinho iniciou suas atividades em 1937 e fez parte de grandes projetos nacionais, como a importação de peças para a Usina de Itaipu e para a Fábrica de Celulose da Eldorado. Ao longo de oito décadas, o grupo se destaca por ajudar a desburocratizar e otimizar processos no setor de comércio internacional para empresas, contando com sistema próprio de tecnologia para acompanhamento de cargas, além de oferecer frete internacional (marítimo e aéreo), frete rodoviário, seguro de cargas e recuperação de impostos. Grandes grupos empresariais estão entre os principais clientes da Pinho, que atua em todo o país e tem sedes nos estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo.