Isabella Bretz faz de novo álbum, “Retalho de Mundo”, um passeio sonoro repleto de simbolismo

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Um mergulho interno e profundamente pessoal em direção ao externo e coletivo é o que guia o processo de composição da cantora Isabella Bretz. Após iniciar seu trabalho artístico com o disco reflexivo “Saudade” (2012) e direcionar seu olhar sobre o mundo em “Canções Para Abreviar Distâncias: uma viagem pela Língua Portuguesa”, composto por 8 poemas de escritores lusófonos musicados, agora ela lança “Retalho de Mundo”, um recorte que parte do íntimo para o macro e que acaba de chegar às plataformas de streaming. 

Mesclando uma produção musical rica assinada por  Fernando Braga com letras compostas ao longo dos últimos seis anos, o trabalho dá um passo adiante na assinatura de Bretz enquanto letrista, incorporando novos traços às suas composições cheias de subtexto.

“Para mim, todos os elementos de uma obra musical são igualmente importantes. Assim como nós, seres humanos, nos expressamos por palavras, tom de voz, gestos, ações e linguagem corporal, a música também se expressa de diferentes formas. Em alguns momentos uma frase será mais impactante, em outros será uma melodia que escorrega pela mente. Um outro arranjo pode levar a mesma canção para um lugar completamente novo. O andamento, o gênero musical escolhido, o ritmo… Tudo afeta a mensagem”, compartilha Isabella.  

A artista escreve pouco sobre amor romântico, mesmo que algumas de suas composições pareçam ser dentro desse assunto. As canções tratam de temáticas variadas da vida, do individual e do coletivo. As letras são  conduzidas por humor, introspecção ou o que for necessário para expressar a ideia ou sentimento em questão. 

“Não gosto de usar linguagem erudita, de criar desafios à compreensão. Sou mais de brincar com o óbvio. Dizer algo escondendo outra coisa por trás, compor em camadas, usar simbolismos. Quanto mais se mergulha naquilo, mais se descobre o real sentido. Todos podem absorver, mas em graus diferentes”, completa. Além disso, Isabella conta que desde o seu primeiro disco gosta de esconder alguns segredos pessoais nas palavras e nos sons: “Não tem graça explicar. São pra mim, segredos meus. Quando canto sei que estão lá e porque estão, me divirto com isso. É uma cumplicidade comigo mesma.”

Agora é a vez de “Retalho de Mundo” trazer ao mundo novas histórias. As músicas são anteriores às do segundo disco, mas o processo de 5 anos foi responsável por lapidar muitos aspectos musicais e ressignificar as letras. A proposta da obra é a de ser um mergulho interior, de maneira que cada indivíduo que ouça entenda sua própria história, busque respostas e encontre paz em sua própria mente, num mundo e momento histórico nos quais o fluxo de informações é cada vez mais intenso e caótico. 

Ao longo das 10 faixas, todas composições de Isabella Bretz (duas em parceria), temas complexos são apresentados em forma de histórias e sons: um rio que teme a morte ao se aproximar do oceano (“O Rio e o Medo”); uma cidade que entra em guerra porque todos os seus cidadãos competem para ver quem sofre mais, quem é mais sugado pela sociedade, com um fim inesperado (“A Revolta”); o paradoxo entre sermos seres tão pequenos nesse universo e, ainda assim, infinitos (“Faísca de pó”); os conflitos da relação de pais e filhos em meio ao amor, proteção e busca por liberdade (“Oferenda”); a completa rede de pensamentos que se forma em nossas mentes em várias camadas, por vezes nos fazendo querer desligá-la (“Alguém me ensina”); a consciência do desejo e do amor (“Gente que passa”), o desprendimento da realidade, em alguns momentos necessário (“Devaneio”) e mais.

O disco foi idealizado em 2014, planejado em 2015 mas só começou a ser gravado em 2016. Isabella criou e conduziu uma criativa campanha chamada Operação Escambo, através da qual coletou na comunidade cerca de R$50 mil em serviços doados e usados como cachês de músicos e outros profissionais envolvidos. O sucesso da sua iniciativa expandiu consideravelmente o projeto. O que era pra ser um disco com uma banda de 5 pessoas envolveu mais de 30 profissionais. Todos tiveram papéis fundamentais na obra, com destaque para o produtor Fernando Braga, seu parceiro Rodrigo Lana e o arranjador de algumas das músicas, Felipe José. 

Dois clipes darão ainda mais sentido a duas das canções.  Para “O Rio e o Medo”, um vídeo dirigido por ela. Para “Faísca de pó”, uma animação de Jackson Abacatu. 

Assista a “O Rio e o Medo”: https://youtu.be/7MWxrdUCOKs 

Sobre o lançamento depois de tanto tempo, Isabella diz: “Fiquei com receio de perder o timing, de cansar das músicas e de elas não refletirem mais quem eu sou. Mas estou sentindo que é exatamente o momento certo. Esse ano foi completamente louco. Estamos todos em uma montanha russa emocional, penso que essas canções chegarão em boa hora. Fizeram muito bem pra mim, espero que possam fazer bem a outras pessoas também e ser uma porção de alívio no meio do caos”, conclui.

“Retalho de Mundo” está disponível nas plataformas digitais: http://hyperurl.co/RetalhodeMundo