40 anos: Lavitta é uma das líderes na construção civil industrial e comercial no Sul do país

Protagonista nas evoluções tecnológicas no ramo da engenharia, a empresa curitibana tem mais de 3 milhões de metros quadrados construídos, com atuação em nove estados do Brasil

40 anos: Lavitta é uma das líderes na construção civil industrial e comercial no Sul do país

José Antonio Palazzo, diretor superintendente da Lavitta.
Divulgação/Lavitta

Neste ano de 2020, marcado pela quarentena por conta da pandemia, a Lavitta Engenharia Civil chegou aos 40 anos, um feito conquistado por poucos negócios neste segmento. Foi fundada em 1980, em Curitiba (PR), da união de conhecimento de dois engenheiros com ampla bagagem no ramo, adquiridas em renomadas empresas do país. A Lavitta iniciou suas atividades na onda do desenvolvimento industrial no Paraná, programa de governo iniciado no primeiro mandato de Jaime Lerner, com a implantação da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), na década de 1970.

O plano era atender à crescente demanda do mercado por empresas especializadas na elaboração de projetos e execução de obras comerciais e industriais no Paraná no período, e atrair as indústrias ao estado, afirma o engenheiro civil José Antônio Palazzo, diretor superintendente da Lavitta. A estratégia da empresa, somada à experiência dos profissionais da Lavitta, funcionou. “O foco desenvolvimentista coincidiu com o começo das dificuldades no estado de São Paulo, com o crescimento do sindicalismo. Muitas empresas pensavam em migrar de lá para fugir um pouco da pressão política”, revela Palazzo.

O carioca abandonou um cargo de 11 anos como engenheiro da Brahma, no Rio de Janeiro, no início da década de 1980, para dividir o comando da Lavitta em Curitiba. “Larguei tudo da noite para o dia. O Paraná era uma ilha de felicidade no Brasil inteiro. O único lugar onde se via acontecer um desenvolvimento na área industrial. A realidade que temos hoje, fruto da política de Jaime Lerner, começou nessa época.”

Com clientes de mais de 20 nacionalidades, a Lavitta se consolidou como uma das  líderes no setor de construção civil industrial e comercial no Sul do Brasil. A empresa tem obras executadas no Maranhão, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Ao todo, são mais de 3 milhões de metros quadrados construídos para gigantes de diversos segmentos nestas quatro décadas, especialmente nas áreas cervejeira, fumageira, automotiva e petrolífera. Entre as quais Volvo, Renault, Brahma, Phillip Morris, Petrobrás e Klabin, entre outras.

Linha do tempo por década e segmento:

Década de 80 – cervejeiro e fumageiro

A primeira década da Lavitta foi marcada pela área cervejeira, principalmente por conta do histórico cervejeiro de Palazzo. A empresa de engenharia tornou-se referência para as obras da Brahma no Sul do país. “Fizemos muita obra em Londrina, Curitiba, Jataizinho, Porto Alegre e Passo Fundo, que eram as unidades da Brahma aqui no Sul do Brasil”, conta. O leque se abriu e, da mesma forma, foi com Skol e Antárctica. A contratação pela Philip Morris foi o início da atuação para a indústria fumageira.

Década de 90 – automotivo

Um novo programa de governo de Jaime Lerner promoveu o incentivo à área automobilística e a Lavitta estava pronta para mais uma década de desafios e crescimento. Na época, a Volvo do Brasil já fazia parte da carteira (desde 1984) e é o cliente cativo mais antigo da companhia. “Jaime Lerner começou a trazer outras empresas para cá. E, como a Volvo estava com um bom programa de expansão, com grandes unidades sendo construídas por nós, foi um cartão de visita para as outras montadoras que chegaram, como Chrysler, Tritec Motors, New Holland, Bosch e Renault, além de outras empresas sistemistas da área automotiva, que seguiram este rastro. Podemos dizer que 2/3 da área construída tanto da Renault como da Volvo, fomos nós que fizemos”, destaca Palazzo. Neste período, houve grandes parcerias com outras empresas do Paraná, tais como Brafer Construções Metálicas, Elco Engenharia, UNIAR Climatização e DE AMORIM Engenharia, e formamos um grupo na área automotiva.

Palazzo conta que a atuação para a indústria automotiva foi um divisor de águas para a empresa. Como é um tipo de indústria muito evoluída, aponta o engenheiro civil, permitiu à Lavitta um salto em conhecimento, qualidade e planejamento na segunda década com todas as experiências. “Você acaba, dentro da sua própria empresa, adquirindo os bons valores dos clientes e adaptando para o seu negócio.” A companhia teve a oportunidade de incorporar as boas práticas trazidas de cada uma das culturas, como a sueca, germânica, norte-americana, japonesa, chinesa, francesa, italiana e espanhola, entre outras. “Elas enriqueceram nosso trabalho com diferentes formas de pensar, o que agregou muito valor ao crescimento da Lavitta.”

Anos 2000 – petrolífero

Com o Brasil sendo comandado pelo governo de Fernando Henrique Cardoso e, na sequência, pelo governo petista, se iniciou o período no qual o país explodiu para o setor petrolífero. A Lavitta embarcou em mais um (e difícil!) desafio. “Essa área tem características e vida própria, desde o procedimento licitatório. Trabalhar na indústria petrolífera é estar sentado sobre uma bomba gigante o tempo todo. Tem uma série de requisitos, normas e procedimentos – principalmente de segurança – e tem que se adaptar a elas.”

A Lavitta atuou em obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR), e Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas (RS). Palazzo conta que a Lavitta tentou outras obras no setor “mas já havia aquele cheirinho de corrupção das grandes empreiteiras do Brasil e graças a Deus não trabalhamos para nenhuma delas. Tivemos mais o leque de grandes fornecedores de equipamentos (máquina, caldeira, tanques, unidades de processos, estações de tratamento e etc).”

Anos 2010 – celulose e papel

A partir dos anos 2010 começaram as crises políticas. A fase petrolífera na década anterior propiciou uma significativa mudança de patamar na empresa, que deu um grande salto com crescimento técnico e administrativo. “Foi um aprendizado muito importante. Porém, tínhamos um navio transatlântico sem passageiros, porque veio uma série de crises”, afirma o engenheiro. Segundo Palazzo, esta é uma especificidade do mercado de obras industriais: sempre o primeiro a parar e o último a retomar.

Dessa forma, de 2010 até 2020 o caminho foi partir para o investimento em governança e gestão e abrir para o mercado brasileiro em geral. “Até então, o Paraná nos supria de obras. Fizemos a base de foguetes em Alcântara (MA), mas saímos pouco do estado. Após 2010, tivemos que avançar para outros estados. A nossa crise não é Covid-19, ela já começa de 2010 para frente”, enfatiza.

Lavitta pós-2020

Quem chega com força e abre um leque no mercado, na avaliação de Palazzo, é o segmento de celulose e papel. São áreas fortes ligadas ao agronegócio, responsável por grande parte da economia do país, crescendo cada vez mais, e é a vocação atual. “Acredito na indústria do agronegócio como próximo passo. Já existe, mas vem mais forte e ainda tem muito para crescer.”

A partir de 2021, a Lavitta tem o olhar voltado para os próximos 40 anos. O ano de 2020 trouxe uma série de incertezas para o mercado em geral e a única certeza da companhia é de que tudo será diferente do que foi até aqui. “Temos que mudar nossos focos e premissas, como não fazer obras públicas, por exemplo. O Brasil terá que investir em infraestrutura com seriedade, competência e respeito às empresas fornecedoras, dando oportunidade a todas, referindo-se ao grupo de empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, por esquemas de fraudes em concorrências públicas.

“O protecionismo que existiu das seis irmãs foi um descaso e um desrespeito monstruoso com as centenas de empresas de engenharia que existem no Brasil. Éramos tratados como os patinhos feios. Ou seja, tudo para eles e nada para os demais. Isso tem que mudar e já está mudando.” Palazzo cita como exemplo investimentos do Brasil, como a lei da cabotagem, portos, rodovias e ferrovias e, principalmente, saneamento básico. “Temos que nos reinventar. Viver somente das obras industriais é um imenso risco para o futuro, com grande chance de insucesso.”

A busca por novos nichos de negócio e aumento da eficiência será o foco da Lavitta para 2021. “Até a roda arredondar de novo, se tudo der certo, com vacina e tudo mais, a partir do segundo semestre de 2021 teremos um horizonte mais claro e positivo. As empresas devem tentar chegar vivas até lá.”

Sobre a Lavitta

Fundada em março de 1980, a Lavitta Engenharia Civil com a missão de construir, somando tecnologia e proximidade ao cliente, com foco contínuo nas melhores soluções de engenharia. A companhia, com sede em Curitiba, é reconhecida como uma das líderes no setor de construção civil industrial e comercial no Sul do Brasil e tem obras em 9 estados brasileiros. Em 40 anos de atuação, são mais de 3 milhões de metros quadrados construídos para gigantes da indústria em diversas áreas, como automobilística, petroquímica, de gases, alimentícia, de bebida, madeireira, papel e celulose, supermercado, centro de distribuição, educação, saúde e outros. Desde 2011, a Lavitta é membro do Green Building Council Brasil, que sela o compromisso da empresa com a responsabilidade sócio-ambiental.