Como o Athletico vem evoluindo sob o comando de Paulo Autuori

Como o Athletico vem evoluindo sob o comando de Paulo AutuoriDesde a demissão de Dorival Júnior em fins de agosto, o Athletico Paranaense vinha sendo treinado pelo então auxiliar Eduardo Barros. Este, por sua vez, foi demitido dois dias após a derrota para o Peñarol do Uruguai, em 20 de outubro, em jogo válido pela fase de grupos da Copa Libertadores da América. Àquela altura, o clube já havia acertado o retorno de Paulo Autuori para ser seu diretor técnico, mas o presidente Mario Celso Petraglia logo informou que Autuori seria também o treinador da equipe até o término da atual edição da Série A, em fevereiro de 2021.

Embora Autuori goze de prestígio dentro do clube graças à sua passagem pelo Furacão em 2016 – quando foi campeão estadual e ajudou a equipe a se classificar para a Pré-Libertadores do ano seguinte –, a sua missão dessa vez era bem mais complicada. Isso porque, ao fim do primeiro turno do Brasileirão, o Athletico estava na zona de rebaixamento da competição, com apenas 19 pontos conquistados em 19 jogos. Uma situação que se devia, em parte, à falta de preparo do clube para conciliar a sua participação simultânea em três grandes competições: o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e a Copa Libertadores.

Para tornas as coisas ainda mais complicadas, o clube está impedido de contratar novos jogadores até julho do ano que vem, como informou o portal ge. Tal fato, juntamente com algumas questões de saúde enfrentadas por parte do elenco, vem forçando Autuori a recorrer a atletas da base e a buscar recuperar jogadores que vinham sendo pouco aproveitados, como o meia Fernando Canesin e o atacante Reinaldo. Coincidência ou não, foi justamente a partir daí que a equipe se encontrou na Série A, onde engatou uma sequência de quatro vitórias seguidas. Destas, o destaque fica para o triunfo fora de casa sobre o líder do campeonato, o Atlético Mineiro, por 2 x 0.

Mesmo assim, em fins de novembro, a já mencionada má campanha do Athletico no primeiro turno ainda fazia com que diferentes prognosticadores de futebol se sentissem no mínimo reticentes quanto às chances de sucesso do time na Série A deste ano. A maior evidência disso é que, embora no dia 26 daquele mês a equipe ocupasse a 10ª colocação na competição, o site de apostas esportivas da Royal Panda oferecia um retorno de 1501 pelo título nacional do clube na temporada. Mas mais importante do que o número em si é constatar que essa cotação colocava o Athletico em 14º lugar dentre as 20 equipes da primeira divisão nacional na visão de tais analistas esportivos.

É evidente que, àquela altura, nem os mais otimistas torcedores do Rubro-Negro paranaense consideravam que a equipe tivesse chances reais de ser campeã nacional. Assim, mesmo o retorno mencionado no parágrafo acima não poderia ser considerado absurdo. A questão é que essa cotação fazia com que as chances de título do Athletico fossem rigorosamente idênticas às de Bragantino e Atlético Goianiense, duas equipes recém-promovidas da Série B que ocupavam a metade de baixo da tabela. Além disso, à frente do Furacão podia-se ver equipes tidas como até mais limitadas, como o Sport Recife e o Ceará.

Talvez naquele momento tivesse sido prudente levar em conta não só os resultados recentes do time – afinal, quatro vitórias seguidas no Brasileirão é algo difícil até para quem está no G4 –, mas também reconhecer que o Athletico hoje ocupa um patamar muito diferente nos cenário nacional e internacional do futebol. Afinal, estamos falando de uma equipe que, apenas dois dias antes de tais cotações, empatou em 1 x 1 com o poderoso River Plate da Argentina mesmo desfalcada de 12 de seus atletas. Se jogar de igual para igual contra o atual vice-campeão da Libertadores não é o suficiente para reconhecer a força do Furacão, o que seria?

m.p.a.