Dia da Mulher: Histórias de oito mulheres que se reinventaram na pandemia como profissionais, mães e administradoras do lar

A pandemia trouxe para o mundo diversas dificuldades. E foi nesse cenário que muitas mulheres conseguiram se reinventar, superar os desafios de trabalho, casa, filhos, isolamento social, além do medo de ser infectado pelo vírus que está ceifando milhares de vidas.

Para lembrar e celebrar o Dia da Mulher – 8 de março, vamos contar a história de oito mulheres que trabalham no ramo imobiliário, e que cada uma, ao seu estilo, se reinventou e conseguiu superar os desafios e se manter bem em suas atividades. Elas são colaboradoras das imobiliárias que fazem parte da Rede Imóveis, associação que reúne as 11 empresas mais tradicionais do ramo. Confira:

Carina Ville, analista administrativa da Baggio Imóveis, conta que no início não foi fácil conciliar trabalho, filhos em idade escolar e aulas remotas, cuidados com a casa e seus estudos. Sentia-se esgotada física e mentalmente. “Porém hoje, há quase um ano do início da pandemia, estou acostumada a essas multitarefas, apenas, preciso encontrar um tempo para atividades físicas”, conta.

Ela explica que por ser agitada e gostar de ver tudo funcionando muito bem, acaba fazendo várias atividades ao mesmo tempo, e acredita que isso tenha ajudado. Ela conta que os cuidados da casa é são divididos pois o marido e os filhos também participam ativamente. Carina acha que ainda todos vão passar por muitas mudanças, em todo os sentidos.  “O ambiente profissional e familiar que eu via como distintos, encontrei estratégias para conciliá-los e vejo que estou pronta para enfrentar essa nova realidade”, avalia.

A gerente de Locações da Baggio Imóveis, Theomara Moreira, relata que embora já trabalhasse remotamente de forma esporádica, trabalhar em tempo integral exigiu muitas adaptações. A estrutura tecnológica oferecida pela empresa permitiu que no dia seguinte ao decreto de lockdown todas as atividades fossem desempenhadas remotamente, o que lhe conferiu segurança.

Por outro lado, foi desafiador criar uma distinção clara entre trabalho e vida pessoal. “A nossa casa de repente passou a ter outra rotina, onde quatro pessoas passaram a dividir o espaço com equipamentos eletrônicos, escritórios adaptados e compartilhados, embalados por uma trilha sonora de sons e conversas corporativas e acadêmicas. Conciliar tudo só foi possível com a nossa união, muita disciplina e comprometimento, além de dividirmos as responsabilidades”, explica.

Depois de um ano de pandemia, Theomara pode afirmar que a rotina está muito bem definida, o que a deixa mais leve, porém, o desejo de ter de volta a liberdade de ir e vir é imensurável. “Continuo buscando aperfeiçoamento, autoconhecimento e me reinventando, afinal as mudanças continuam, e continuarão de forma exponencial.  O distanciamento social nos tirou o direito do abraço apertado, do aperto de mãos, das gargalhadas sem máscara. Mas está nos dando a chance de valorizarmos verdadeiramente cada momento deste, quando novamente nos for permitido”, diz.

Camila Massaneiro Batista da Silveira, consultora de Consórcios da Imobiliária Razão, conta que no início da pandemia exercia outra atividade e com um filho de 2 anos, não foi fácil conciliar – rotina da casa e trabalho. A empresa em que trabalhava pediu que voltasse a trabalhar presencialmente e por não ter com quem deixar o filho, teve que deixar o trabalho. Ao resolver a situação do filho começou a trabalhar com Consórcios na Razão e precisou se reinventar pois começou do zero, numa área que não dominava.

“Durante a pandemia tivemos muitas incertezas, mas ela também nos deu muitas oportunidades de descobrir nossas habilidades. Acredito que as relações não serão mais as mesmas. Essa situação mudou o nosso olhar e despertou em nós sentimentos de coletividade, nos fez entender que precisamos olhar para o outro. Ressignificar essa situação que estamos passando e aprender com ela foi o que me fez crescer na vida pessoal e profissional”, comemora.

Liliane Bueno dos Santos, analista administrativo da Galvão Vendas, conta que sua rotina mudou completamente com relação ao trabalho. O medo e a insegurança de estar longe de todos fez com que ela se dedicasse mais, e trabalhando mais do que quando estava na empresa. “Com relação à família, sou mãe e solteira, assim a parte de acompanhar as aulas online ficou comigo, e minha filha não se adaptou, principalmente porque ela está na fase da alfabetização. Infelizmente esse ano ela está repetindo o 1º ano, pois as aulas estavam nos estressando e nos desgastando muito”, lamenta.

Hoje ela relata que precisamos sempre nos reinventar. Já me acostumei com a rotina de home office, trabalhar, cozinhar, limpar e dar atenção à minha filha”, comemora. Ela acredita que possivelmente no pós-pandemia as empresas optem por manter os funcionários em home office, ou em escala, pois para muitas empresas deu certo o trabalho em home office porque gerou economia em muitos sentidos para as empresas.

“Eu acho que sou privilegiada, meu trabalho deu certo em home office e assim pude ficar mais tempo com a minha filha, conhecê-la melhor, reforçar os nosso laços. No trabalho me sinto feliz e realizada por conseguir dar conta de tudo e sinto que qualquer desafio que venha pela frente, vou superar!”, finaliza

A corretora de Vendas da Habitec Imóveis, Maria Célia Tavares, ressalta que desde os primeiros dias da pandemia tomou uma decisão: trabalhar. “Procurei informações sobre quais seriam as precauções, me equipei e munida do que me dava segurança, atendi a quase todos que me procuraram. Fiz três vendas sem mostrar uma segunda opção. Os clientes tinham feito a seleção pela internet e precisavam comprar naquele momento”, relembra.

Ela conta que em muitas visitas encontrava com o comprador no hall do prédio, ele subia em um elevador e ela em outro elevador ou subia pelas escadas. “Ao chegar em casa, cumpria com o ritual de prevenção. Minha família e eu fizemos muitas atividades físicas, acreditando que estar bem fisicamente, nos ajudaria caso pegássemos o vírus.”, diz.

“Continuo achando que contato pessoal é muito importante para uma venda acontecer e também acredito que não basta dominar a tecnologia. Conhecer o que vende e os compradores dá credibilidade e comprometimento para a negociação”, completa.

Já a gestora de vendas e administrativo, Marlene Kozarewicz, da Imobiliária Cilar, relata que inicialmente sentiu o impacto do desconhecido, do sair da zona de conforto, do novo exigindo ação imediata. “Exigiu várias adaptações – de espaço físico de trabalho, pessoal, e cotidiano com ajustes de horários e comprometimento. Resiliência, calma, paciência, organização foram as palavras chaves. Hoje estou com a sensação que estou dando o triplo de mim, a demanda aumentou muito.  Reinventar-se será uma constante daqui para a frente. Não sobrará mais espaço para estagnação”, avalia.

Para ela, o pós-pandemia será dinâmico, de aprendizado e respostas rápidas, de cuidados e olhar constante para o outro, para o novo, para o futuro. “Durante o processo, estamos com algumas vitórias, como novos aprendizados, tecnologias, conhecimentos diversos. Pude ajudar várias pessoas, dentro das minhas limitações, é claro, mas que certamente fiz, e fez a diferença na vida delas. O que parece pouco para mim, é bastante para quem precisa”, ressalta

Milena Pienaro Mayer, corretora de Vendas da Kondor Imóveis, lembra que no início foi um verdadeiro caos. “De repente você se torna professora sem estar preparada para ensinar, utilizando uma ferramenta que você e sua filha desconhecem, assume a rotina da casa a qual você não está acostumada e ainda continua sua rotina de atendimento a clientes, porém de maneira remota, o que exigiu muito mais tempo e disponibilidade”, relata.

“Os primeiros 15 dias foram muito estressantes, mas à medida que o tempo passou, as coisas foram voltando ao normal e agora estou adaptada e adorando esta nova fase de trabalho. Consigo atingir as metas e estar ao lado da minha família. Reorganizei meus horários e meu aproveitamento melhorou 100%, sem abrir mão do contato com clientes, visitas e tudo que faz parte da rotina”.

Ela ainda avalia que o ano de 2020 ficará marcado não apenas como o ano da pandemia, mas também pelo ano que precisou se reinventar e sair da zona de conforto. “Toda mudança nos traz desafios e este foi o maior deles. Antes disso, imaginava ser impossível não ir todos os dias para o escritório e cumprir com a rotina de anos, mesmo sempre tendo trabalho para levar para casa.Hoje o tempo é meu aliado e tenho mais tempo para curtir o meu lar e a minha família”, declara.

A gestora de Recursos Humanos da Imobiliária Razão, Priscila Leão Deodato, teve a rotina de trabalho durante a pandemia inicialmente em home office, com filho em casa. “Eu precisava trabalhar e ao mesmo tempo conduzir meu filho com as aulas online. Foi bastante puxado, mas não deixei nada parar, entreguei todos os resultados quando o momento exigia, indicadores diferentes do setor, muitos cálculos e análises para estudar o melhor cenário e meu filho, conseguindo alcançar boas notas. Mas tudo isso com um nível de stress muito mais alto que o normal”, avalia.

Após alguns meses, ela retornou ao escritório devido à sua função que é justamente acompanhar o clima e dar suporte a todos, independentemente se no formato home ou presencial. “Conseguimos estabilizar bem o clima, eu senti que quando estávamos dentro da empresa, conseguíamos ter um pensamento muito forte de união e que venceríamos juntos o momento. O que nos fortaleceu muito, como equipe, é conseguimos nos readaptar rápido, mantendo bons resultados”, explica.

Priscila acredita que muita coisa mudou, e que o aprendizado maior foi o interno. “Foi nossa capacidade de administrar as emoções em meio a tristezas acontecendo ao nosso lado e o tempo todo. Tínhamos que ressignificar e reaprender a viver, em um novo modelo em todas as áreas de nossas vidas e o que conhecíamos não voltaria mais, não da mesma forma”, avalia.

“Penso que as relações por mais distante fisicamente, ficaram mais próximas, paramos de julgar para ter empatia e compreender a dor do outro e entender que cada um estava sentindo de forma diferente, mas que não tinha o certo, pois não nos preparamos para isso. Tivemos que olhar para dentro e aprender a se reinventar, a equilibrar nossa saúde mental e sentimentos e sensações que não sabíamos que tínhamos, e que vieram à tona e pediam urgência para serem resolvidas” finaliza.

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