Opinião: Adriana Saluceste é diretora de Tecnologia e Operações da Tecnobank

Adriana Saluceste*

Com o mundo em ritmo cada vez mais acelerado de mudanças, as empresas já entenderam que a sobrevivência depende de uma enorme capacidade de adaptação aos cenários que se apresentam, às vezes de forma repentina. É preciso garantir entregas que agreguem valor e se diferenciem. E quando o assunto é gestão e inovação, a metodologia ágil está no topo das tendências. Metodologias ágeis podem ser definidas como um conjunto de práticas aplicadas no gerenciamento de projetos, cuja principal característica é a alta adaptabilidade a mudanças. Elas são estruturadas em ciclos curtos, as chamadas sprints, e o objetivo é, a cada novo ciclo, realizar uma entrega pré-determinada. Ess as práticas vêm se mostrando extremamente eficazes para aqueles que buscam impulsionar a gestão de projetos e manter equipes em estado de permanente prontidão, capazes de apresentar reações rápidas às mudanças e flexibilidade na adaptação.

A transição do modelo de trabalho presencial para o home office é um exemplo de como as empresas enfrentam desafios inesperados que precisam ser encarados e vencidos de forma rápida e “com o carro em movimento”. Aqueles que já trabalhavam com metodologias ágeis tiveram vantagens nesse processo. Como as entregas possuem ciclos mais curtos, possíveis dificuldades de adaptação ou quebra no ritmo de produção de um integrante da equipe são fácil e rapidamente identificadas por conta da forma como o trabalho é conduzido. O foco está nas pessoas e não nas ferramentas. O indivíduo e seus papéis são colocados acima de tudo. O conceito da metodologia traz a responsabilidade para cada colaborador, o que é muito eficaz porque quando se coloca de forma clara a responsabilidade para o indivíduo, a pessoa é empoderada, o que costuma surtir efeito positivo.

E como saber se uma empresa está pronta para o ágil? Apesar de altamente vantajosa para qualquer empresa e do baixo custo para implantação, a metodologia possui alguns pré-requisitos para que a prática seja bem sucedida – entre eles, a interação da equipe, que precisa ser colaborativa e auto gerenciável. Como existe a necessidade de uma troca muito constante, de informações e percepções, a equipe precisa estar bem entrosada e com grande proximidade entre as pessoas. As daily meetings (reuniões diárias de, no máximo 15 minutos) são um dos ritos da metodologia e servem para alimentar essa troca entre as pessoas, para que todos entendam em qual estágio o processo está, tirem dúvidas, e se ajudem. E se pode parecer difíc il reunir diariamente uma equipe inteira no modelo de trabalho remoto, pense que todo desafio pode ser encarado como oportunidade. Por experiência, afirmo que colocar toda a equipe junta em um aplicativo de reunião virtual tem sido mais fácil e produtivo.

Os ritos pré-definidos acabam por fazer com que a equipe fique mais unida, com um contato mais próximo, eliminando qualquer chance de dispersão que o trabalho remoto possa causar. Nestes meses de pandemia, o Ágile Trades, um dos movimentos que representa o ágil no Brasil, teve um aumento de 20% na busca por informações, o que mostra que um número cada vez maior de gestores está entendendo que esse modelo de trabalho pode melhorar os resultados da empresa, principalmente em um cenário em que o home office chegou para ficar. Basta deixar o purismo de lado e ter a flexibilidade de avaliar o que cabe melhor para a empresa, sabendo escolher o melhor método para a operação. Mas é preciso saber onde a organização est&aa cute; hoje e para onde quer ou precisa ir. Deve-se considerar também o que a empresa valoriza mais na equação entrega previsível versus capacidade de se adaptar à mudança. A segunda coisa a considerar é o valor conferido ao cliente. A empresa tenta descobrir o que o cliente quer ou está focada apenas em fazer e cumprir compromissos?

Por fim, deixo aqui duas observações importantes sobre essas reflexões. A primeira é que ser ágil não significa apenas ser rápido. É preciso entregar valor. Em alguns casos, vale mais “furar uma sprint” de duas semanas e entregar em três, com mais valor. A segunda observação é que utilizar essa metodologia não significa ausência de disciplina, documentação ou planejamento. Tudo isso acontece dentro do ágil, só que de forma menos burocrática. O que existe é uma documentação viva, um planejamento curto dentro das sprints. O ágil exige até mais disciplina que o modelo tradicional de trabalho e tem o poder de revolucionar a gestão e acelerar projetos de forma muito eficiente, como nenhum método tradicional é capaz, com ou sem home office.

 

*Adriana Saluceste é diretora de Tecnologia e Operações da Tecnobank.

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