Primeiro caso de Covid no mundo foi descoberto por um oftalmologista. Diagnóstico reforça ainda mais a importância da profissão

Segundo o British Journal of Ophthalmology, existem atualmente cerca de 200 mil oftalmologistas no mundo. No Brasil são aproximadamente 20 mil, de acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO)

 

No dia 7 de Maio é comemorado o Dia do Oftalmologista. A importância da profissão para a sociedade é reafirmada por um fato ocorrido há menos de dois anos, mas que desencadeou uma das maiores crises sanitárias da história da humanidade. Muitos não sabem, mas o primeiro diagnóstico de Covid 19, ocorrido no final de 2019, na China, foi feito por um médico oftalmologista. Ao atender vários pacientes com conjuntivite, o chinês Li Wenliang notou que todos apresentavam também sintomas de falta de ar e febre. Logo na sequência, veio a confirmação do diagnóstico de Covid 19. A partir daí, o vírus se alastrou por todo o mundo, sendo classificado como pandemia já no início de 2020.

A especialidade escolhida por Li Wenliang é a mesma que encantou o médico paulistano Marcelo Vilar, 45 anos. Desde 2002 trabalhando em Curitiba, o oftalmologista atende pacientes no Hospital de Olhos do Paraná há 19 anos. Nesse período adquiriu, além de uma vasta experiência, identificação com essa área da medicina. “Depois que passei pelo internado de oftalmologia e comecei a clinicar no ambulatório, isso me ajudou a entender como enxergamos, a importância da visão para nossa vida, compreender e conseguir, na época, a tratar algumas doenças e que poderia me envolver mais e mais nessa especialidade magnífica. Apesar do olho ser uma pequena estrutura do nosso corpo, sua complexidade é enorme e isso me fascinou e me encaminhou a profissão”, afirma Vilar.

De acordo com um estudo publicado em 2020 no jornal de oftalmologia British Journal of Ophthalmology, existem atualmente cerca de 200 mil oftalmologistas em todo o mundo. No Brasil são aproximadamente 20 mil, segundo dados do Censo 2015 do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Todos estes profissionais mantém uma rotina de trabalho bastante movimentada, segundo doutor Vilar. “Nossa rotina é muito variada. Por ser uma especialidade tanto clínica quanto cirúrgica, o oftalmologista pode estabelecer seu dia a dia de acordo com a sua preferência, sendo que, mesmo para os cirurgiões, a rotina de consultório/ambulatório é fundamental. As consultas têm etapas bem definidas, e requerem constante movimentação do médico de um aparelho ao outro. O oftalmologista tem um leque amplo de opções de trabalho, visto que pode desempenhar somente a parte clínica, se quiser, ou também realizar exames complementares e cirurgias. Podemos desenvolver, além da oftalmologia, um sinergismo com outras especialidades da medicina”, comenta o profissional.

 

Oftalmologia e Covid

 

Um estudo recente realizado com mais de 100 pacientes com Covid 19 no Brasil, mostrou que mais de 20% dos que desenvolveram a forma mais grave da doença tiveram comprometimento da visão. Os dados vêm sendo bastante estudados nos hospital e consultórios oftalmológicos em todo o país. “Foi demonstrado previamente que a doença Covid 19 afeta diferentes partes do corpo, além de alterações oftalmológicas associadas a doenças externas oculares, como a conjuntivite e a retina.  Outras possibilidades da ocorrência de futuras complicações crônicas oftalmológicas devido a infecção pelo Coronavírus podem ser:  vasculite, neurite óptica e doenças neuro-oftalmológicas devido tropismo do vírus pelo sistema nervoso”, explica doutor Vilar.

 

Doutor Marcelo Vilar durante atendimento oftalmológico.

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