Brasil registra crescimento de gravidez não programadas e de riscos para fetos e mulheres

Em março deste ano, o European Journal of Contraception & Reproductive Health Care publicou uma revisão composta por 110 artigos que demonstram que grandes desastres podem alterar a anticoncepção feminina em países de alta renda. No caso da pandemia de Covid-19, muitas mulheres ficaram impossibilitadas de ter acesso aos medicamentos usados e há um grupo que, em função de dúvidas, simplesmente deixou de prevenir a gravidez, o que levou a um perceptível aumento das gestações não planejadas tanto no Brasil como no mundo e, consequentemente, a mais casos de complicações para fetos e mães.

Mas nunca é tarde demais para retomar esse tratamento, principalmente quando a mulher tem possibilidade de desenvolver uma gravidez de risco. Segundo o ginecologista, Professor Doutor e Coordenador Geral da Pós-Graduação em Ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas, Walter Pace, existe uma variedade de métodos anticoncepcionais e a decisão de usar ou não algum produto do gênero é da mulher, conjuntamente com seu médico. “A mulher deve escolher depois de estar informada sobre todas as alternativas, seus riscos, vantagens e desvantagens de cada um deles”, destaca.

Mestre em Reprodução Humana pela Universidade de Paris, Doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e referência nacional na área de implantes hormonais, o ginecologista lembra que o uso dessa técnica não se presta apenas à anticoncepção, já que também controla doenças como endometriose, miomatose e displasia da mama, que são estrógeno-dependentes, o hormônio predominante no organismo das mulheres.

“Outra vantagem do método é que as doses ministradas são individualizadas e atendem as características clínicas de cada paciente. Também não há a primeira passagem de hormônios pelo estômago e fígado, o que evita e minimiza principais efeitos colaterais além de problemas hepáticos”, ressalta.

Entre os métodos mais populares, o preservativo masculino, conhecido como camisinha, previne a gestação e também as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), como AIDS e HPV, entre outras. Para que ele tenha o melhor resultado, é importante que seja usado da forma correta.

Desde que a mulher esteja perfeitamente adaptada a um método anticoncepcional, ela pode usá-lo por todo o seu período reprodutivo, segundo Pace. No entanto, é importante avaliar prós e contras. No caso da pílula anticoncepcional de uso oral, um medicamento bastante acessível para as pacientes, a comodidade da dose diária e o preço são dois pontos a serem considerados.

Já a lista de inconvenientes inclui a primeira passagem dos hormônios pelo estômago e fígado, visto que a via é oral. Há que se considerar, ainda, que os progestínicos utilizados dessa forma provocam uma redução dos hormônios androgênicos (masculinos), que já se apresentam em baixas concentrações no organismo feminino e que são fundamentais para ganho de massa magra, libido e disposição, entre outros aspectos que podem ficar comprometidos ao longo do tempo.

Outro método é o DIU – pequeno dispositivo, em formato de T, que é implantado no útero da paciente e que pode ser retirado a qualquer momento. Nesse caso, a mulher tem duas opções: com ou sem hormônio. Além de prevenir como anticoncepcional, também reduz as cólicas menstruais e o sangramento. Entre os efeitos colaterais estão dor no pós-implante e ganho de peso.

No segundo caso, o DIU não hormonal tem indicação específica para prevenir a gravidez. O dispositivo não causa alterações hormonais, mas também não controla sintomas associados ao período menstrual.

O anel vaginal é outro método contraceptivo eficiente. Trata-se de um dispositivo inserido na vagina da paciente, como um absorvente de uso interno. Pode ser usado por três semanas com sete dias de descanso para o período menstrual da mulher. Passando o sangramento, deve ser aplicado novamente. Fácil de usar, não interfere no ato sexual, mas pode causar dor abdominal, náuseas e redução da libido.

Já o anticoncepcional injetável é um outro tipo de sistema contraceptivo a base de hormônios: apenas a progesterona ou sua combinação com o estrogênio. A injeção deve ser aplicada via intramuscular, com duração mensal ou trimestral, para impedir o organismo de liberar óvulos e tornar o muco do colo do útero mais espesso, para evitar a gravidez. A vantagem do método é que a mulher fica livre dos comprimidos diários.

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