Jogar cartas, ler e escrever mantêm cérebro ativo e pode atrasar Alzheimer em 5 anos, diz estudo

Pesquisa publicada na edição online de 14 de julho da Neurology, a revista médica da American Academy of Neurology, ressalta que ler, escrever, jogar cartas, quebra-cabeças ou outra atividade cognitiva, mesmo com a idade avançada, pode atrasar o início da demência de Alzheimer em até cinco anos.

Jogar cartas, ler e escrever mantêm cérebro ativo e pode atrasar Alzheimer em 5 anos, diz estudoManter o cérebro ativo na velhice sempre foi uma ideia inteligente, mas um novo estudo sugere que ler, escrever e jogar cartas ou quebra-cabeças mais tarde na vida pode atrasar o início da demência de Alzheimer em até cinco anos. A pesquisa foi publicada na edição online de 14 de julho de 2021 da Neurology, a revista médica da American Academy of Neurology. “A boa notícia é que nunca é tarde para começar a fazer os tipos de atividades acessíveis e baratas que foram examinadas no estudo. Sempre existe muito a ser feito pelo seu cérebro, independente do momento que você optou por tomar esta iniciativa”, explica o Dr. Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). “Alzheimer é uma doença devastadora, caracterizada pela diminuição da cognição e é também a forma mais comum de demência, sendo responsável por 70 a 80% dos casos de demência no mundo, afetando entre 24 a 35 milhões de pessoas no mundo. Devido ao envelhecimento da população, estima-se que 1 em 85 pessoas apresentarão a doença de Alzheimer em 2050”, explica o geneticista Dr. Marcelo Sady, Pós-Doutor em Genética e diretor geral da Multigene, empresa especializada em análise genética e exames de genotipagem. “Certos genes podem aumentar o risco de desenvolver demência, incluindo a doença de Alzheimer. Nascemos com suscetibilidades diferentes. Entretanto, qualquer suscetibilidade genética pode ser amenizada com hábitos saudáveis”, afirma o geneticista.

Segundo o estudo, as descobertas sugerem que pode ser benéfico começar a fazer essas atividades, mesmo aos 80 anos, para atrasar o início da demência de Alzheimer. O estudo analisou 1.978 pessoas com idade média de 80 anos que não tinham demência no início do estudo. As pessoas foram acompanhadas por uma média de sete anos. Para determinar se eles desenvolveram demência, os participantes faziam exames anuais, que incluíam uma série de testes cognitivos.

Quando o estudo começou, as pessoas avaliaram sua participação em sete atividades em uma escala de cinco pontos. As perguntas incluíam: “Durante o ano passado, com que frequência você leu livros?” e “Durante o ano passado, com que frequência você jogou jogos de damas, jogos de tabuleiro, cartas ou quebra-cabeças?” Os participantes também responderam a perguntas sobre a atividade cognitiva na infância, idade adulta e meia-idade. “Os pesquisadores então calcularam a média das respostas de cada pessoa, com uma pontuação de um (significando uma vez por ano ou menos) e a pontuação de cinco (significando todos os dias ou quase todos os dias). Pessoas no grupo com alta atividade cognitiva pontuaram em média 4,0, o que significa atividades várias vezes por semana, em comparação com uma pontuação média de 2,1 para aqueles com baixa atividade cognitiva, o que significa atividades várias vezes por ano. Durante o período de acompanhamento do estudo, 457 pessoas com idade média de 89 foram diagnosticadas com demência de Alzheimer. Pessoas com os níveis mais altos de atividade, em média, desenvolveram demência aos 94 anos. As pessoas com os níveis mais baixos de atividade cognitiva, em média, desenvolveram demência aos 89 anos, uma diferença de cinco anos”, destaca o neuro-oncologista.

Os resultados foram semelhantes quando os pesquisadores ajustaram para outros fatores que podem afetar o risco de demência, como nível de educação e sexo. Para testar a ideia de que a baixa atividade cognitiva pode ser um sinal precoce de demência, e não o contrário, os pesquisadores também analisaram os cérebros de 695 pessoas que morreram durante o estudo. “O tecido cerebral foi examinado em busca de marcadores de Alzheimer, como depósitos de proteína tau e amiloide, mas os pesquisadores não encontraram nenhuma associação entre o quão ativos eles eram cognitivamente e os marcadores da doença de Alzheimer e distúrbios relacionados em seus cérebros. Esse estudo mostra que as pessoas que se envolvem em atividades mais estimulantes cognitivamente podem estar atrasando a idade em que desenvolvem demência”, destaca o Dr. Gabriel. “É importante observar que o estudo levou em consideração o nível de atividade cognitiva no final da vida; nem a educação, nem a atividade cognitiva no início da vida foram associados à idade em que uma pessoa desenvolveu demência de Alzheimer. A pesquisa sugere que a ligação entre a atividade cognitiva e a idade em que uma pessoa desenvolveu demência é principalmente impulsionada pelas atividades que você realiza mais tarde na vida,” destaca o médico. Uma limitação do estudo é que ele se baseou em um grupo de pessoas predominantemente brancas e com alto nível de escolaridade. “No entanto, os resultados são suficientes para mantermos sempre nosso cérebro ativo, estimulando com atividades intelectuais e sociais que trazem benefícios a longo prazo”, finaliza o Dr. Gabriel.

FONTES:

*DR. GABRIEL NOVAES DE REZENDE BATISTELLA: Médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO).

*DR. MARCELO SADY: Pós-doutor em genética com foco em genética toxicológica e humana pela UNESP- Botucatu, o Dr. Marcelo Sady possui mais de 20 anos de experiência na área. Speaker, diretor Geral e Consultor Científico da Multigene, empresa especializada em análise genética e exames de genotipagem, o especialista é professor, orientador e palestrante. Autor de diversos artigos e trabalhos científicos publicados em periódicos especializados, o Dr. Marcelo Sady fez parte do Grupo de Pesquisa Toxigenômica e Nutrigenômica da FMB – Botucatu, além de coordenar e ministrar 19 cursos da Multigene nas áreas de genética toxicológica, genômica, biologia molecular, farmacogenômica e nutrigenômica.

 

Link: https://n.neurology.org/content/early/2021/07/14/WNL.0000000000012388

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