Queda capilar é sequela comum da COVID-19 e pode surgir meses após infecção pelo vírus

Alta inflamação e estresse físico e emocional gerados pela Covid-19 podem levar ao surgimento de eflúvio telógeno em pacientes recuperados, condição caracterizada pela queda excessiva de cabelo. Time de especialistas dá dicas para contornar o problema.

Queda capilar é sequela comum da COVID-19 e pode surgir meses após infecção pelo vírusMesmo com as campanhas de vacinação a todo vapor, ainda estamos longe de entender completamente de que forma a COVID-19 afeta o organismo. Atualmente, um dos grandes focos dos cientistas é para entender as sequelas deixadas pela doença, que podem surgir não apenas nas pessoas que sofreram com casos graves, mas até mesmo nos pacientes assintomáticos. Essas sequelas, que podem surgir meses após a infecção, incluem, por exemplo, perda da massa muscular, problemas respiratórios e circulatórios e até mesmo queda capilar. “Sabemos que a perda de cabelo é um fenômeno bem descrito após qualquer estresse fisiológico no corpo. A queda de cabelo nessas situações de infecção e alta inflamação não é um fenômeno surpreendente, sendo notado geralmente cerca de três meses depois da pessoa adoecer”, explica o dermatologista Dr. Daniel Cassiano, da Clínica GRU e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Segundo a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a queda de cabelo pós-Covid-19 pode estar ligada ao eflúvio telógeno, uma condição temporária em que as pessoas experimentam uma queda excessiva de cabelo após uma infecção ou evento físico ou emocional estressante na vida. “Cerca de 85 a 90 por cento do cabelo de uma pessoa saudável está na fase anágena ou no estágio ativo de crescimento. O resto do cabelo está em uma fase de repouso, também conhecida como fase telógena. A queda do cabelo é normal, pois o cabelo permanece na fase anágena por cerca de dois a quatro anos, depois vai para a fase telógena, onde cai para ser substituído por novos”, afirma a médica “Na condição chamada eflúvio telógeno mais fios de cabelo entram na fase de repouso, resultando em maior queda, principalmente da parte superior do couro cabeludo”, completa

Isso ocorre porque o vírus gera uma grande resposta inflamatória devido a infecção, causando uma alteração nesse ciclo do crescimento do cabelo e acelerando o processo de queda característico do eflúvio telógeno. “Acredita-se ainda que o estresse psicológico e até mesmo alguns medicamentos usados no tratamento da Covid-19 podem influenciar nesse quadro, já que provocam uma espécie de ‘colapso’ no nosso organismo”, alerta a dermatologista Dra. Patrícia Mafra, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

No geral, a queda capilar pós-Covid é observada na cabeça toda e não é acompanhada por outros sintomas, como coceira e descamação. No entanto, de acordo com a Dra. Patrícia, a doença também pode agravar quadros de queda capilar pré-existentes. “Por exemplo, se o paciente já sofre com alopecia androgenética, popularmente conhecida como calvície, esse quadro será mais acentuado e, consequentemente, mais difícil de recuperar”, diz a dermatologista. “Além disso, apesar de não ter sido observada uma diferença na queda capilar pós-Covid entre os sexos feminino e masculino, as mulheres, geralmente, notam uma perda mais significativa dos fios e demoram mais para perceber o processo de recuperação por causa do tamanho dos cabelos, visto que os fios novos demoram para alcançar o cumprimento dos outros”, acrescenta

A boa notícia é que a queda capilar provocada pelo eflúvio telógeno é apenas temporária, demorando cerca de 3 a 6 meses para ser revertida, o que não quer dizer, porém, que seja menos angustiante. “Por isso, é importante investir em medidas como vão acelerar esse processo de recuperação, como investir em uma nutrição adequada, especialmente com alimentos ricos em proteínas, vitaminas e minerais”, aconselha o Dr. Daniel Cassiano. É possível também associar tratamentos para evitar que a queda seja ainda mais prolongada e acentuada. “Podemos utilizar, por exemplo, shampoos e tônicos específicos para controle da queda capilar, assim como podemos realizar a aplicação de laser e medicamentos em consultórios para amenizar o quadro. É importante também lavar regularmente os fios, pois a oleosidade excessiva na região pode exacerbar a queda. Evite ainda realizar procedimentos que possam agravar o problema, como escova progressiva e tinturas”, recomenda a Dra. Patrícia Mafra.

Além disso, existem suplementos que ajudam nesse processo, restaurando a saúde do cabelo e reduzindo a queda, como o Exsynutriment e o In.Cell. “O Exsynutriment é um repositor de silício orgânico hidrossolúvel composto de ácido ortosilícico ligado a aminoácidos e um hidrolisado de colágeno marinho, que diminui a queda do cabelo e promove um incremento do fluxo de nutrientes, permitindo o aumento na produção de queratina, melhorando a qualidade do fio e, consequentemente, a densidade capilar. Já o In.cell confere maior resistência e brilho aos fios, pois os cabelos se estruturam através de filamentos proteicos dependentes de enxofre e os ácidos graxos poli-insaturados do ativo irão contribuir para a nutrição dos folículos pilosos”, destaca a farmacêutica Patrícia França, gerente científica da Biotec Dermocosméticos.

Por fim, vale ressaltar que é natural que alguns fios caiam diariamente. “A preocupação com a queda só é necessária quando o número de fios caindo por dia for maior que 100, se o volume capilar diminuir acentuadamente ou se começarem a surgir falhas”, afirma a Dra Paola Pomerantzeff. “E, caso o paciente apresente queda de cabelo importante com ou sem outros sintomas, o mais importante é consultar um dermatologista para passar por uma avaliação e receber o diagnóstico e tratamento adequado”, finaliza.

FONTES:

*DR. DANIEL CASSIANO: Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Cofundador da clínica GRU Saúde, o Dr. Daniel Cassiano é formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Doutorando em medicina translacional também pela UNIFESP. Professor de Dermatologia do curso de medicina da Universidade São Camilo, o Dr. Daniel possui amplo conhecimento científico, atuando nas áreas de dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica.

*DRA. PAOLA POMERANTZEFF: Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), tem mais de 10 anos de atuação em Dermatologia Clínica. Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina Santo Amaro, a médica é especialista em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, e participa periodicamente de Congressos, Jornadas e Simpósios nacionais e internacionais. http://www.drapaola.me/

*DRA. PATRÍCIA MAFRA: Dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), com estágio em Dermatologia pelo Grupo Santa Casa e acompanhamento do Serviço de Ginecologia e Sexologia do Hospital Mater Dei, Dra. Patrícia Mafra é expert em injetáveis e speaker em eventos nacionais e internacionais, palestrando sobre temas ligados à área de atuação. A dermatologista também foi preceptora de Medicina Estética do Instituto Superior de Medicina (ISMD). https://patriciamafra.com.br/

*PATRÍCIA FRANÇA: farmacêutica e gerente científica da Biotec Dermocosméticos.

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