Abluba: uma animação de Curitiba para o mundo

Um case de sucesso que nasceu no Paraná

Abluba: uma animação de Curitiba para o mundoCom mais de um bilhão e seiscentos milhões de visualizações no Youtube, o canal de animação Abluba é um fenômeno da internet. Por trás desses números está a família de J. Anderson – O Sr. Abluba – e suas filhas Ravena e Fernanda que moram em Curitiba e trabalham incansavelmente para dar vida e alma aos personagens Mongo e Drongo (duas criaturinhas de 11 anos que vivem diversas aventuras em episódios inéditos que vão ao ar três vezes por semana). A equipe de criação familiar e colaboradores é a responsável pelo roteiro, desenhos e dublagem do desenho animado mais popular do Youtube, que conquistou uma legião de fãs – os ablubanautas – que hoje chega a 3.5 milhões de inscritos no canal.

Abluba: uma animação de Curitiba para o mundoOs primeiros traços de Mongo e Drongo surgiram no ano 2000 quando J. Anderson fazia animações com flash e criou o site Cartoon Show para dar vida aos seus personagens. Ele conta que o resultado foi amadurecendo ao longo dos anos. E, o que no início era um “teste de animação”, aos poucos foi ganhando forma definitiva com histórias bem divertidas voltadas sempre para as crianças.

A partir de 2007 quando lançou o episódio chamado “Drongo se diverte”, J. Anderson percebeu que, o que era um hobby, poderia ganhar contornos profissionais. Seu vídeo foi selecionado para o Anima Mundi Web e para o Festival de Animação de Córdoba. E, com o reconhecimento, abriram-se as primeiras portas para o mundo da animação. O site cresceu e ele percebeu que a semente que plantou começou a germinar. Foi um divisor de águas.

E assim – com episódios esporádicos – J. Anderson foi até 2016 quando resolveu encerrar o site Cartoon Show e migrar de vez com seus personagens para a plataforma do Youtube. Nesse momento, o desenhista e roteirista virou o “Sr. Abluba”. Sim, quando J. Anderson fez a mudança de site, ele “batizou” sua nova página com o nome “Abluba”. “É uma palavra que eu inventei. Nome fácil e curtinho, com sonoridade infantil”. Simples assim.

Se nos primeiros anos J. Anderson não conseguia viver exclusivamente da animação, sua principal fonte de renda era prestar serviço de design por encomenda, tudo mudou em 2019. Foi nesse ano que, o agora Sr. Abluba, passou a se dedicar em tempo integral a sua animação, postando um vídeo todos os sábados, ao meio-dia. “Com uma equipe reduzida, eu e minha duas filhas, Ravena e Fernanda, respondíamos todos os comentários do público e criávamos o episódios observando o que estava funcionando”.

Desde o início o canal Abluba criou a missão de ser fiel e atender o público. “O segredo do negócio é fazer rir, ouvir e respeitar o público infantil”. E deu certo. Os primeiros sinais surgiram após o lançamento do filme “A Guerra Civil”, da Marvel. Nessa ocasião foi feito um episódio em que o Mongo e Drongo “atuaram” ao lado dos personagens do filme. O resultado da audiência foi espetacular. “As crianças adoraram e começaram a escrever para a página pedindo outras participações especiais nas histórias de Mongo e Drongo. E, atendendo a esses pedidos, incluímos os personagens de games como Sonic, Mario e até do jogo de terror Five Nights at Freddy’s (esse a gente infantilizou e desenhou os personagens mais fofinhos para não assustar…). Isso foi alimentando nossas ideias e aumentando a audiência da página que chegou a 100 mil inscritos”, lembra o Sr. Abluba.

A pandemia do Coronavírus acabou impulsionando ainda mais a página de animação do Abluba no Youtube. Isso porque, com as crianças em casa, elas começaram a assistir mais histórias de Mongo e Drongo que passaram de uma audiência de 38 milhões para mais de 86 milhões de views mensais. O resultado animou o Youtube que percebeu o crescimento e passou a sugerir a Abluba para mais pessoas.

Ao longo de 2021 alguns episódios chegaram a marca impressionante de 40 milhões de views. E a página saltou de 100 mil inscritos em 2019 para chegar em 2022 com três milhões e meio de inscritos. Hoje no Youtube nacional, o Abluba está em primeiro lugar nas páginas de animação e se tornou uma referência dentro do segmento.

Desde 2020 o Abluba começou a investir no licenciamento de produtos com a marca Mongo e Drongo. “É o nosso próximo passo. Já identificamos que foram criados alguns produtos piratas por isso, e pela demanda do nosso público infantil, começamos o licenciamento de bonecos, camisetas, jogos. Nós precisamos cuidar da qualidade já que quem vai consumir esses produtos são as crianças. A primeira leva dos brinquedos – bonecos, quebra-cabeças, dominós e os cenários para brincar com os bonecos – esgotaram rápido. Esse ano nós vamos ampliar esse licenciamento. A ideia é, em breve, impulsionar uma nova linha infantil de produtos oficiais e, além dos brinquedos e camisetas, vamos investir em HQs, livro infantil ilustrado e até jogos para celular”, finaliza o Sr. Abluba.

Jaca torta! O universo de Mongo & Drongo

Sucesso do Youtube, os principais personagens criados pelo Sr. Abluba nasceram no ano 2000: Mongo e Drongo surgiram a partir de um teste de animação e aos poucos foram ganhando forma e personalidade. Se no início eles tinham uma pegada mais escatológica e masoquista, ao longo de mais de duas décadas houve uma evolução na personalidade dos dois amigos, que aconteceu, principalmente, em função da comunicação com o público infantil. Hoje eles agem como as crianças querem e são. “Existe uma sinceridade na relação das crianças com os personagens – como acontece na vida real. Elas se identificam e aprendem junto com eles”, conta o criador do desenho.

Desde o início o desenhista e roteirista trabalhou Mongo e Drongo com as teorias de variedade. “Eu buscava a diversidade dos personagens: pele, os olhos, feições, sobrancelhas, nariz… para marcar as diferenças”. Eles estão sempre grudados – um em cima da cabeça do outro -, e por isso veio a ideia de colocar o nome de um deles como “Mongo” – que é um sujeito meio bobo – e aquele que fica por baixo ganhou o nome de “Drongo” porque… rimou.

Sr. Abluba esclarece que eles não são irmãos, são amigos. E a origem dos dois é urbana e provinciana, ao mesmo tempo. Ele lembra que sempre gostou de inventar nomes e histórias para suas filhas Ravena e Fernanda. Assim, o vocabulário de Mongo e Drongo também tem expressões próprias, criadas por ele, como “Jaca Torta” e “Aduíde”, que significam uma coisa chata ou boa, respectivamente.

“Em 2006 eu me incomodei num episódio que o Mongo falava ‘droga’ quando ficou brabo. E busquei uma alternativa, e inventei o “jaca torta” – uma expressão usada em situações que dão errado ou para alguma frustração. E, para o Drongo, inventei a palavra ‘aduíde’ que significa o ‘oba’. O engraçado é que o público que assiste as histórias já usa essas expressões”.

Para o Sr. Abluba é preciso estar sempre atento no feedback das crianças. No início dos episódios o Drongo era masoquista e gostava de apanhar, mas isso mudou. “A gente vai aprendendo com o público e vamos na busca pelo que é mais saudável. Lembramos sempre que nosso canal é para fazer rir. Por isso, quando recebi um comentário de alguém que caiu, machucou o joelho, e disse ‘aduíde’, vi que precisava mudar. Uma criança não pode se machucar e ficar feliz. Então alterei essa característica masoquista do Drongo que passou a ter 11 anos e não gostar mais de se machucar”.

Com um público voltado principalmente para crianças na faixa de 7 anos, muitas vezes ele recebe mensagens das mães pedindo moderação na linguagem de “Mongo” e “Drongo”, pois seus filhos estão começando a falar. “Num episódio a gente usou a palavra ‘praga’ e algumas mães se incomodaram. Então também fazemos ajustes na fala dos personagens ao longo da nossa trajetória”, explica o Sr. Abluba.

Por outro lado, a dupla de amigos órfãos continua aprontando situações que muitas vezes servem para mostrar ao seu público o que não fazer, principalmente em relação a higiene. “Num dos episódios eles encontram um ratinho e uma barata que viram bichinhos de estimação. Eles colocam o ratinho e a barata na boca e mastigam. Nessa hora o narrador fala que eles podem ficar doentes ir para o hospital. E as crianças percebem que eles não são heróis, pois nas mensagens que recebemos elas adoram chamar o Mongo de Tongo”, conta o criador dos personagens.

E com uma imensa legião de fãs, ou melhor de Ablubanautas, Mongo e Drongo estão abrindo espaços para outras criações do Sr. Abluba: a Aranha Pôpo (uma aranha que não consegue fazer teia e tem gases…), o Homem Coberta (um cara que acordou um dia e virou uma coberta com cabeça de gente) entre outras criações. Para acompanhar todas as aventuras de Mongo e Drongo é só acessar a página da Abluba no Youtube: https://www.youtube.com/c/abluba. Semanalmente são disponibilizados três episódios inéditos nas segundas, quartas e sextas, às 18h30. Mas na página é possível assistir tudo que Mongo e Drongo já passaram, desde o começo.

 

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