Opinião – A educação que inspira: o papel da solidariedade dentro e fora da sala de aula

Juliana Lazari*

Em busca de estabelecer mais equidade entre os alunos e suas relações de trabalho, professores muitas vezes pensam em projetos nos quais os estudantes possam se alinhar em relação a questões específicas como interesses, temas e atividades. No entanto, a solidariedade que envolve o trabalho em grupo na sala de aula é apenas o primeiro passo para a formação de um cidadão mais consciente, principalmente em meio à crise que os impactos da pandemia de covid-19 causaram no ensino-aprendizagem.

Promover o protagonismo dos alunos por meio de atividades que oportunizem a experimentação, a criatividade e a liderança, propicia a formação de uma mentalidade global e de um entendimento de mundo mais aguçado, além do desenvolvimento do pensamento crítico. Para isso, apenas a sala de aula como cenário não é suficiente. É preciso incluir na vida acadêmica oportunidades de vivenciar o que os alunos veem na teoria.

Dentro da sala de aula, a solidariedade pode ser estimulada pelo trabalho em grupo, que promove a aprendizagem colaborativa e proporciona diferentes formas de aprender. Além da comunicação ser diferente e colocar o aluno como protagonista, a aprendizagem colaborativa oportuniza aprender e ensinar ao mesmo tempo. É como ter um sistema de hiperlinks dentro da sala de aula, no qual cada integrante do grupo, incluindo o professor, pode acrescentar algo ou mostrar uma nova perspectiva sobre o assunto.

Esse tipo de trabalho oportuniza também a expansão do círculo de preocupação e cuidado dos alunos,  ao conhecer melhor as pessoas com quem dividem a sala de aula ou mesmo a escola. Eles passam a olhar com mais atenção para alguém com quem não interagiam com tanta frequência e que podem ter muito em comum, ou seja, desenvolvem um olhar diferenciado que cultiva a empatia.

Embora seja um ambiente que promove essas interações, a sala de aula não é o único lugar onde a solidariedade deve fazer parte na vida de um aluno. Conhecer e compreender sua realidade local é também uma forma de conhecer o mundo. É muito comum que escolas internacionais apresentem em seus currículos oportunidades de trabalho voluntário ou projetos com a comunidade local. Vale ressaltar que o chamado learning service deve ir além do assistencialismo, um erro muito comum entre os estudantes. Ser solidário não é apenas fazer campanhas de doação, arrecadar brinquedos no Natal ou chocolates na Páscoa, mas também compreender a importância do processo de construção de uma identidade ética sólida, ou seja, o desenvolvimento de uma consciência moral que oriente nossas ações. Para isso, conhecer a realidade da comunidade local e refletir sobre ela é de extrema importância para qualquer projeto.

Ter empatia e desenvolver a solidariedade nesse engajamento da comunidade escolar em projetos assim, mostra que não se pode ajudar os outros a fazer o bem para a comunidade, mas sim fazer o bem com ela. É quando isso acontece que os alunos compreendem que eles podem, sim, ter ações que impactam no mundo, mas agem nos seus limites geográficos possíveis.

Encorajar e impulsionar o desenvolvimento da solidariedade é também uma forma de promover o cuidado com si mesmo. Acima de tudo, o estudante deve sempre refletir sobre o que faz, e considerar os impactos que suas ações podem ter para si e para os outros. E este olhar voltado a si mesmo, tem sido muito importante na recuperação dos impactos da pandemia em sala de aula. Reconhecer a aprendizagem em situações reais é alavancar a aprendizagem para outros níveis de conhecimento e de construção de pensamento crítico, além de perceber que não se está sozinho nesse caminho, e que cada pequena ação pode ter um grande impacto.

*Juliana Lazari, coordenadora do IB Diploma Programme, professora de Artes Visuais  do Positivo International School.

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