Curitibano participa de Jogos Multiesportivos para transplantados, nos EUA

Chef de cozinha e professor do Centro Europeu já passou por três transplantes de córnea

 Curitibano participa de Jogos Multiesportivos para transplantados, nos EUA
Foto: Piu José / Arquivo Pessoal – Divulgação

O Chef, empresário e professor, Piu José, já precisou realizar três transplantes de córnea devido a um quadro grave de ceratocone e disputa, na próxima semana, a prova de Triathlon nos Jogos Multiesportivos para Transplantados, na Califórnia (EUA).

O primeiro transplante aconteceu no olho esquerdo, quando tinha 23 anos de idade. “Descobri um quadro grave de ceratocone em um exame de vista para renovar a habilitação e o médico me disse que pelo grau da minha deformidade, eu nunca mais iria poder dirigir. Não aceitei essa situação e fui buscar ajuda”.

A segunda cirurgia aconteceu na sequência, no olho direito, e, em 2021, fez novamente um novo transplante no olho esquerdo. “Antes de operar eu estava utilizando óculos para corrigir uma diferença de cerca de 13 graus na minha visão, principalmente de astigmatismo. Hoje, após o novo transplante, tenho apenas um grau”.

O professor do Centro Europeu vai disputar oito provas e espera trazer medalhas para o Brasil. “Eu só comecei a praticar esportes após os meus 40 anos de idade, o que mostra a todos que nunca é tarde para dar o primeiro passo. Hoje tenho no meu ‘currículo’ o caminho de Santiago de Compostela, feito de bicicleta, três provas Iron Man e quatro corridas de 100 km”, conta. “ No Transplant Games Of América estamos falando de jogos onde todos os presentes são vitoriosos e com o intuito de fomentar a doação de órgãos a nível nacional”.

 Curitibano participa de Jogos Multiesportivos para transplantados, nos EUA
Foto: Piu José / Arquivo Pessoal – Divulgação

As provas acontecem de 29 de julho a 03 de agosto, em San Diego, na Califórnia.

O Brasil tem aproximadamente 53,2 mil pessoas na fila de espera por um transplante de órgão. Dessas, 31 mil aguardam um rim e 19 mil esperam por uma córnea, segundo dados do Ministério da Saúde.

 Curitibano participa de Jogos Multiesportivos para transplantados, nos EUA
Dr. Ricardo Ducci, oftalmologista. Foto: André Kaze / Divulgação

TRANSPLANTE DE CÓRNEA – Dos mais de 23 mil transplantes realizados ao ano no Brasil, cerca de 13 mil são de córnea. O ceratocone é uma das principais causas de transplante de córnea no país, a cirurgia é necessária em casos de ruptura (pode acontecer em acidentes graves), quando a membrana sofre uma alteração em seu formato ou fica turva.

O cirurgião oftalmologista Dr. Ricardo Ducci, explica que o ceratocone começa a se manifestar por volta dos 13 aos 18 anos de idade e pode progredir até os 35. “A mudança de grau pode ser o primeiro fator a indicar uma suspeita da doença, principalmente quando o paciente tem astigmatismo ou alguma dificuldade visual. O transplante só é necessário em casos avançados e, muitas vezes, pode ser evitado com o tratamento precoce”, alerta.

O transplante de córnea é feito após uma doação desta membrana, que passa por uma análise laboratorial antes de ser implantada no paciente. “A visão demora algumas semanas para se restabelecer e a cicatrização completa é esperada em um período de doze meses. É importante saber que existe o risco de rejeição ou falência tardia dessa córnea, apesar de a cirurgia utilizar alta tecnologia e ser segura”, explica Ducci.

TRANSPLANT GAMES OF AMÉRICA – É um evento esportivo com o objetivo de celebrar a resiliência à vida após um transplante ou doação de órgãos, córneas e tecidos. São esperados cerca de 5 mil competidores.

Entre as modalidades estão atletismo, natação, ciclismo, vôlei, boliche, basquete e algumas modalidades não tradicionais, como a dança de salão e arremesso de sacos de feijão.

As provas serão transmitidas ao vivo pelo @triatleta.tx no Instagram.

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