Dia da Árvore: Espécies em extinção se regeneram na região da Lapa

Nesta segunda-feira, 21 de setembro, o Brasil celebra o Dia da Árvore. A data foi instituída com o objetivo de conscientizar a população a respeito da importância da preservação ambiental. No Paraná, várias espécies da flora brasileira estão na lista nacional, que conta com mais de 2 mil espécies ameaçadas de extinção.

O grande desmatamento sofrido pela Floresta de Araucária não coloca apenas o Pinheiro Araucária – símbolo desse tipo de vegetação e do estado – em risco, mas também espécies que nem mesmo foram estudadas de forma profunda para entender sua importância no ecossistema. Um desses exemplos é canela-sassafrás (Ocotea odorifera), ameaçada de extinção desde 1992. A espécie foi estudada pelas biólogas Larissa Amanda Bett e Dayane May, da Universidade Positivo, no monitoramento da flora da Mata do Uru – Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), localizada na Lapa (PR).

A pesquisa identificou a regeneração natural da canela-sassafrás na Mata do Uru. “A espécie está classificada como ameaçada, assim como a Araucária, e tem grande importância ecológica e econômica, sobre a qual as pesquisas científicas voltadas para a conservação ainda são escassas”, explica Larissa. Esse estudo será apresentado na próxima semana, entre os dias 22 a 25, durante o Congresso de Brasileiro de Unidade de Conservação, na Universidade Positivo.

Durante a pesquisa, foram encontradas mais de duas mil unidades, em fase de regeneração, de canela-sassafrás, que foram mensuradas nas amostras – o que representa uma densidade média de quase 78 árvores por hectare. “Os dados indicam a grande capacidade de suporte que a área está fornecendo, permitindo que a espécie se regenere com grande representatividade”, afirma Larissa. O estudo revela também um padrão de crescimento populacional considerado normal para florestas estáveis e bem conservadas.

Embora não seja longamente pesquisada, a canela-sassafrás encontra aplicação nas áreas medicinais e culinária. Para a indústria, a espécie pode ser usada no combate a dores musculares, tratamento para acnes e piolhos e também para o setor de cosméticos, em função de seu perfume. A raiz pode ser usada na produção de cervejas e suas folhas e flores são comestíveis.

Segundo Dayane, os 128 hectares de Mata do Uru possuem uma flora diversificada, com espécies que constam na lista de ameaçadas de extinção. Além da presença da canela-sassafrás e do Pinheiro Araucária, o monitoramento na Reserva registrou outras espécies arbóreas que integram a lista de espécies ameaçadas de extinção no Brasil, como xaxim-bugio, espinheira-santa, cedro, pinheiro-bravo e dedaleiro. “Os resultados obtidos no estudo indicam, de forma geral, a importância do fragmento florestal contido na Mata do Uru, para a conservação de espécies que correm risco de extinção”, explica a pesquisadora.

A Mata do Uru, ao lado dos quase 300 hectares do Parque Estadual do Monge, forma uma relevante área preservada de Floresta Araucária. Pioneiro no Programa Desmatamento Evitado, o Grupo Positivo, por meio do Instituto Positivo, apoia a conservação da área por meio de parceria com a SPVS e os proprietários do terreno.

Sobre o Programa Desmatamento Evitado
Anteriormente chamado de Programa de Adoção de Floresta com Araucária, o Programa Desmatamento Evitado é um exemplo de ação bem sucedida envolvendo a iniciativa privada para a conservação de áreas naturais ameaçadas. Iniciado em 2003, o Programa apresenta como principal objetivo a conservação dos últimos remanescentes em bom estado de conservação da Floresta com Araucária, estabelecendo um mecanismo de “adoção de áreas”, em que a SPVS identifica e cadastra proprietários, os aproximando de empresas interessadas em apoiá-los, bem como a conservação dos remanescentes em suas propriedades. Em 2007, o Programa ganhou escala por meio de novas parcerias firmadas e, desde então, apresenta um resultado de mais de 4.500 hectares de remanescentes e cerca de 33 propriedades apoiadas – distribuídas nos três estados do sul do Brasil – viabilizadas pelo apoio de 17 instituições.


Sobre o Instituto Positivo
Alinhado à estratégia de sustentabilidade e em consonância com a principal vocação do Grupo Positivo, o Instituto Positivo tem a Educação como foco prioritário. Ele articula e promove iniciativas que contribuam para o aumento da qualidade da educação básica do País, direcionando os seus investimentos para ações sustentáveis e estruturantes. O IP atua por meio de três frentes: Fortalecimento da Gestão Municipal para a Educação, Produção e Disseminação de Conhecimento e Mobilização Social Estruturada.


Sobre a SPVS
A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) é uma instituição brasileira, fundada em 1984, em Curitiba. É reconhecida como uma das organizações não-governamentais conservacionistas mais atuantes no Brasil. Uma das características mais acentuadas das atividades desenvolvidas pela SPVS diz respeito à inovação, como
prática para incorporar valor às ações de conservação de natureza, estabelecer uma conceituação adequada sobre o tema e dar escala para uma agenda de iniciativas que hoje começam a ser incorporadas nos negócios e percebidas como essenciais às atividades econômicas e à qualidade de vida das pessoas.

(centralpress@presskit.com.br)

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