Entidades do oeste do PR ajudam apicultores na busca por indicação geográfica do mel produzido na região

Vinho do Porto, da região do Porto, em Portugal; presunto de Parma, na Itália; os charutos de Cuba; e no Brasil, o Vinho do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, ou a Cachaça de Paraty, no Rio de Janeiro, são apenas alguns dos exemplos de produtos com Indicação Geográfica (IG). Tais indicações são como marcas, porém usadas de maneira coletiva, por um grupo de produtores originários da mesma região ou território que têm em seus produtos alguns diferenciais.
A IG, de acordo com o consultor do Sebrae/PR, Emerson Durso, valoriza o produto ao defender uma identidade regional, aumentando, assim, a sua própria competitividade no mercado. “Se algo que é produzido numa determinada região se diferencia do que é produzido em outras, ele pode ser reconhecido com Indicação Geográfica. Entretanto, é necessário uma série de documentos, estudos e comprovações para que isso aconteça na prática”, explica.
Diante disso, entidades como o Sebrae/PR, a Itaipu, o Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), a Cooperativa Agrofamiliar Solidária dos Apicultores da Costa Oeste do Paraná (Coofamel) e Prefeitura de Santa Helena uniram esforços para conseguir reconhecer a produção de mel do oeste do Paraná como um produto apto à IG. O estudo começou a ser feito em 2002 pela universidade e está prestes a virar realidade.
“Acreditamos que em outubro poderemos ter tudo pronto para a indicação de procedência do ‘Mel do Oeste’”, afirma Regina Conceição Garcia, professora do curso de Zootecnia da Unioeste e responsável pelo setor que estuda a apicultura na universidade. Regina conta que uma pré-banca com a análise de requisitos para a IG do mel foi realizada no último dia 19 de agosto e de lá foram sugeridas pequenas adequações técnicas, como ajustes na documentação para que o “Mel do Oeste” possa estar estampado nos produtos.
Notoriedade
Marechal Cândido Rondon e Santa Helena são os municípios da região onde há maior concentração de apicultores. “A região, como um todo, produz de 300 a 320 toneladas de mel ao ano. Já existe um mercado para o mel do oeste paranaense e a IG vai possibilitar um resultado ainda maior para os pequenos produtores. O importante é que estamos em constante aprimoramento com a ajuda de parceiros, como o Sebrae/PR, Unioeste, Emater”, destaca Pedro da Silva, presidente da Coofamel.
Com a IG, reforça Pedro da Silva, o mel da região oeste do Paraná poderá ser ainda mais reconhecido. “Isso nos trará notoriedade, fortalecerá a região como um todo, pois não seremos mais como qualquer outro mel do Brasil. Com isso, certamente seremos mais vistos, valorizados e renderá em aumento das vendas”, prevê.
Preparação
O consultor do Sebrae/PR, Emerson Durso, ressalta que para conseguir a IG do “Mel do Oeste” é preciso que os apicultores também estejam preparados. “No ano passado, por exemplo, realizamos um seminário que tratava especificamente sobre Indicação Geográfica. Agora, no início de agosto, no último seminário realizado, o V Seminário de Apicultura do Oeste do Paraná, trouxemos o exemplo do ‘Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra’, um produto com IG que foi apresentado pelo palestrante Paulo Henrique de Almeida”, assinala.
O apicultor de Entre Rios do Oeste, Renato Follmann, cita que vários trabalhos já vêm sendo feitos para melhorar a produtividade das colmeias. “Muitos pensam que o aumento da produção está ligado a um número maior de colmeias. Mas vimos que se trabalharmos certo com o manejo delas, com a troca da rainha, podemos ter maior produtividade com a mesma quantidade de colmeias. Hoje minha produção é de cerca de 6 toneladas ao ano. Com esses ajustes, pretendo passar a dez toneladas/ano”, indica o produtor que tem na apicultura a principal fonte de renda da família.
Com o suporte da IG, Renato Follmann espera mais reconhecimento ao mel produzido na região oeste. “Será um diferencial. Poderemos não só dizer, mas comprovar que temos um mel diferente dos outros, que é único, pois vem de uma determinada região, de um grupo de apicultores atuantes num território. Claro que esperamos um retorno financeiro com isso também, mas isso quem vai nos dizer é o tempo. As expectativas são as melhores possíveis”, sustenta o apicultor.
Benefícios
Segundo um levantamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o produto agropecuário que recebe o selo de Indicação Geográfica valoriza a identidade regional podendo, até mesmo, ter efeitos indiretos, como no turismo por exemplo. Nos dados levantados para apontar os benefícios comerciais dos produtos com IG, o MAPA mostra que, na Europa, 43% dos consumidores pagariam 10% a mais por produtos com IG. Destes, 11% pagariam de 20% a 30% a mais por artigos com esse tipo de indicação. <jornalismocascavel@savannah.com.br>

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