LAB em Arte Performativa e Xamanismo Ciclo de encontros e pesquisa aprofundada

Propomos compartilhar um mergulho íntimo no universo do artista-xamã. Falamos de um processo deexperiência investigativa, criação e manifestação artística em simbiose com práticas ritualísticas de abertura de canais e expansão de consciência.
O laboratório de investigação se dará durante todo o mês de outubro, em 8 encontros breves às terças e quintas feiras, 2 finais de semana de retiro imersivo e uma Mostra de Processo.
O processo GIRAbué é a busca do movimento do ato criativo em si , que tem o RITO DE PASSAGEM como ponto de partida e chegada. Consiste em práticas de meditação ativa, respiração, expansão/contração/dilatação dos corpos, busca do estado de atenção e presença, vibração corpo/ som, dança e corporeidade ritual, transitoriedade e espacialidade (o espaço ritual), mitologia pessoal e experimentação estética de linguagens.
Se destina a profissionais e estudantes de todas as artes, assim como todas as pessoas interessadas em autoconhecimento e saúde integral, tendo o xamanismo como um norte ideológico sobre o ser humano na contemporaneidade e suas conexões com o cotidiano pelo qual permeia.
GIRAbué faz parte do projeto de investigação em arte performativa e xamanismo ALQUIMIA POÉTICA, conduzido há 7 anos pelas artistas e pesquisadoras Ailime Huckembeck e Marina Nucci.


Data|06 de outubro a 30 de outubro
>>Laboratórios de investigação
TERÇAS E QUINTAS . 19h as 22h
Em Curitiba, Estudio 455 Artes Integradas
Rua Floriano Essenfelder, 455, Alto da Glória.
>>Vivências de imersão
Dias 10 e 11 de outubro ; 23 e 24 de outubro
Em Campo Magro (zona rural).
>>FUSÃO (Gira de Atos Poéticos)
Mostra de processo – Dia 30 de outubro
Em Curitiba (local a confirmar)
Inscrições até dia 01 de outubro através do e-mail:
Valor do investimento: R$350,00
Estão previstas algumas vagas para estudantes com 50% de desconto.
“ALQUIMIA POÉTICA – Investigação em arte performativa e xamanismo” é um projeto de pesquisa que permeia a presença do artista-xamã e das poéticas da cena ritual-performática na contemporaneidade.
Há sete anos, Ailime Huckembeck e Marina Nucci iniciaram o projeto desenvolvendo laboratórios, oficinas, performances, espetáculos e mostrar na cidade de Curitiba-PR como idealizadoras do Coletivo Néctar.
Em sua releitura expandida, o projeto ganha o nome de “ALQUIMIA POÉTICA”, território de encontro das referências investigativas e buscas pessoais de cada uma das artistas-facilitadoras unindo…

ARTES PERFORMATIVAS . CENA RITUAL E XAMANISMO . ARTES DO CORPO . DANÇA . VISUALIDADE . AUTOPOIESIS . MITOLOGIA PESSOAL . INTERFACES ARTISTA-PÚBLICO
>> AILIME HUCKEMBECK
Multiartista, atriz, performer, artista visual, figurinista, aderecista e cenógrafa.
Graduada em Interpretação Teatral pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP), Curitiba. Idealizadora, performer e figurinista do Coletivo Néctar, onde sua investigação pessoal sobre a arte do corpo, visualidade, performance art se desenvolve por três anos em Curitiba. Atualmente participa do grupo de pesquisa artística e intervenções performáticas “Filhas da Fruta”, com o grupo de teatro de rua e pesquisa em cultura popular “A Bem Soada Companhia”, e com seu trabalho independente como performer, artista visual e figurinista em outros grupos como a “Cia do Abração”. Sua pesquisa pessoal permeia a performance art, as artes do corpo, xamanismo.
>> MARINA NUCCI
Encenadora e Performer.
Graduada em Direção Teatral pela Faculdade de Artes do Paraná, Curitiba. Idealizadora, diretora e dramaturga do Coletivo Néctar encenou espetáculos participando da programação cultural da cidade de Curitiba por três anos. Como pesquisadora em artes cênicas, desenvolve, há 7 anos, um projeto de investigação em Arte Performativa e Xamanismo que une autopoeisis, mitologia pessoal, cena ritual e interfaces artista-público. O projeto de pesquisa “ALQUIMIA POÉTICA” teve como resultados os espetáculos “Um Asteróide Pequeno” (2009) e “O Ninho do Tigre” (2010), a performance “Oferenda Casulo”(2014) e um ciclo de oficinas e residências artísticas que tiveram início no ano de 2015 no estado da Bahia.
                                   
O ARTISTA-XAMÃ E O PROCESSO CRIATIVO
“O artista criador de hoje herdou (e tornou ainda mais colorido) o manto do sacerdote.” (Joseph Campbell)
O ser artista quanto um canal de si mesmo. A experiência de investigar a abertura de mundos próprios (micro) que se espelham no caleidoscópio mítico universal (macro), como um alquimista que comprova o axioma “o que está acima é como o que está abaixo”. O artista-xamã navega descobrindo e abrindo outros acessos. Nesse caminho, o ponto de chegada é a fusão dessas experiências de canalização com a expressão das artes performativas.
“O poeta ou artista criador é o iogue do Ocidente, que estabelece relação com essa função mais profunda da imaginação. Ao contrário do iogue, ele não busca banir toda a ilusão para encontrar a verdade única. Ele procura, mais como o xamã, as verdades nas ilusões, e partilha as visões.” (Stephen Larsen)
O processo de experiência investigativa, criação e manifestação artística, de novo, contempla o princípio alquímico do duplo movimento (micro-macro/ dentro-fora / acima-abaixo), onde a atenção (espiritualização da matéria) e a intenção (materialização do espírito) são pontos chave.
A prática da atenção consiste em concentrar nossa consciência nas ações corporais. Assim, “o corpo deixa de ser um veiculo alienado e se converte no lugar por excelência da nossa presença no mundo.”(JODOROWSKI, A. 2011). A partir de um ponto de vista xamânico, o corpo do artista transcende seu aspecto físico e cotidiano para permitir-lhe outras consciências como o fluxo energético, planos sensoriais, impulsos anímicos e variações de espacialidade.
Nesse sentido, experiências de meditação ativa, conscientização de fluxos bioenergéticos, práticas de respiração, laboratórios de expansão/contração/dilatação dos corpos, experimentação em dança e corporeidade ritual, investigação do lapso sentir-querer-agir, autoconhecimento anímico-emocional e noções de espacialidade interna/externa conduzem a esse estado de atenção e presença.
“Os rituais são pensamento em/como ação. Essa é uma das qualidades que fazem o ritual se parecer com o teatro.” (Richard Schechner)
Já a intenção confere o caráter ritualístico ao processo.  Interessa como cada um dá vida às próprias pulsões na transposição para o ato ritual, a cena performativa. Na conexão vida-arte-vida é a intenção, proposição límpida, que dá verdade ao intento, caminho de materialização do espírito. Esse ato mágico consiste em imaginar ativamente a concretização de uma transformação real permitindo que seus desdobramentos se manifestem em nossas vidas.
“O teatro é antes de tudo ritual e mágico, isto é, ligado a forças, crenças efetivas, e cuja eficácia se traduz em gestos e está ligada diretamente aos ritos do teatro que são o próprio exercício e expressão de uma necessidade mágica espiritual.” (Antonin Artaud).
A própria experiência do LAB, do processo de investigação, já conduz organicamente a uma série de pequenos atos mágicos de transformação, onde a intenção pura de desfrutar das descobertas de si mesmo e do contato com o outro é a matéria prima essencial. Mas é na finalização do trabalho, na materialização de seu rito pessoal, seu ato performativo dentro do desenho dessa gira coletiva de intentos, FUSÃO, no compartilhar com outros e com o universo, que a transformação mais profunda acontece.
“(…) como é importante, para as pessoas modernas, encontrar suas raízes míticas e recuperar o senso perdido de conexão espiritual com o universo” (Stephen Larsen)
As práticas ritualísticas intencionam a abertura de canais e expansão da consciência como via de acesso a estados extracotidianos e a imaginação mítica. Por meio da dança ritual, meditações guiadas e incursões psíquicas ao universo subconsciente, buscamos a experiência do transe como via de acesso às mitologias pessoais.
“Os mitos são o apoio mental dos ritos; estes, a representação física dos mitos” (Joseph Campbell)
O encontro com nosso próprio universo mítico será o preenchimento da composição performática, sendo aação ritual, ao mesmo tempo, ponto de partida e de chegada.
(carolpfarrius@hotmail.com)

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