Disfunção erétil atinge quase 28% dos pacientes diabéticos

Estima-se que no Brasil tenhamos em torno de quatro milhões de pacientes com diabetes, dois milhões seriam homens e desses cerca de 800 mil devem apresentar algum sintoma relacionado à alteração da ereção. A prevalência de disfunção erétil em pacientes diabéticos é três vezes maior que na população geral, atingindo quase 28% dos pacientes com diabetes. Ocorre em pacientes não tão idosos e aumenta a incidência com a duração da doença.

Segundo o médico urologista Wagner Raiter José, membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia, a disfunção erétil afeta 15% dos pacientes diabéticos na faixa dos 30 anos e se eleva até 55% nos pacientes a partir dos 60 anos. “O diabetes pode causar disfunção erétil por afetar uma ou mais causas, como a função psicológica, funções do sistema nervoso central, secreção de hormônios androgênicos, atividade neurológica periférica, alterações das células do endotélio vascular e contração da musculatura lisa das artérias e dos corpos cavernosos”, explica o urologista.

Em quase 12% dos pacientes homens com diabetes, a disfunção erétil pode ser o primeiro sintoma.  Cerca de 75% dos homens diabéticos e impotentes apresentam insuficiência das artérias penianas, bem como alterações ultra estruturais da musculatura lisa dos corpos cavernosos além de uma alteração no relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos. “Isso leva a uma diminuição dos episódios de tumescência peniana noturna, diminuição no tempo de ereção, diminuição na rigidez peniana e diminuição na resposta fisiológica do coração a inspiração profunda, além de uma diminuição na pressão sanguínea do pênis”, informa Raiter José. Ele acrescenta que “a prevenção da disfunção erétil no paciente diabético passa necessariamente pelo controle rigoroso da doença, ou seja, a não ingestão de açúcar em suas diversas formas, além da queima de calorias através de atividades físicas aeróbicas e de musculação”.

O tratamento para a disfunção erétil no diabético passa pelo uso de medicamentos por via oral. Se não houver boa resposta, também podem ser utilizadas injeções, que são aplicadas diretamente no pênis para promover uma ereção, mas sua ação é imediata e se restringe ao tempo de duração da medicação injetada. Em casos mais graves pode-se optar pela colocação de uma prótese peniana que envolve um tratamento cirúrgico.

“Recentemente tivemos o surgimento de uma nova tecnologia que age na origem vascular do problema do diabético, que é a utilização de ondas de choque na região peniana. Suas ondas de som lineares promovem uma melhor abrangência e cobertura simétrica e uniforme das estruturas eréteis produzindo bons resultados com necessidade de poucas aplicações. Os resultados podem ser sentidos já na primeira aplicação, dependendo do grau de disfunção erétil que o paciente apresente. O total de aplicações é de quatro sessões, mas o processo desencadeado pelas ondas de choque continuará a ocorrer pelos próximos três meses, quando o endotélio vascular é atingido e promove a abertura de novos vasos com melhora da irrigação local. Pacientes que faziam uso de medicação podem parar de utilizá-las e pacientes que já não mais respondiam a medicamentos voltam a responder, o que retarda a colocação de próteses, por exemplo,” assegura o urologista. (jcruz@rodrigues-freire.com.br)

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