Guilherme Torres estreia na Casa Cor Paraná assinando a Sala do Editor

Tomando partido da história contada pelas próprias paredes do prédio da Casa Cor Paraná, onde um dia funcionou a sede de um importante grupo jornalístico, o Studio Guilherme Torres erigiu um espaço que evoca o dinamismo, o lifestyle e um certo veneno-antimonotonia dos profissionais da era de ouro da grande imprensa. Em tempos em que a arquitetura deve ser cada vez mais contestadora, também propõe uma ruptura com os conservadorismos locais, ao explorar ideias mais provocativas.

A área de 70 metros quadrados foi encapsulada com ares museográficos, onde pontos de luz, sancas e curvas desaparecem. “Com paredes brancas, piso de carvalho e luz difusa, imaginamos um espaço contemporâneo, sem marcações de layout”, explica Guilherme Torres, evocando o arquiteto alemão Mies van Der Rohe, que cunhou o “less is more” e provou que a frieza e o minimalismo não têm absolutamente nenhuma relação entre si, ao explorar materiais extravagantes em efeitos geométricos puristas. O luxo está na verdade dos materiais, presente em paredes revestidas com exóticos mármores brasileiros em tons de âmbar, verde e vermelho.

A partir dos volumes arquitetônicos, qualquer décor, de qualquer origem, época ou estilo, poderia entrar em cena: “Trabalhamos com conceitos desprendidos entre arquitetura e interiores”, conta. Assim, as nervuras sangradas do mármore sugerem o toque de dramaticidade à moda de Capote e Vreeland, com tapete vermelho da Diesel, a  Heart Cone Chair de Verner Panton e acessórios ímpares que vão da máquina de escrever vintage (em alusão às grandes reportagens de outros tempos) ao excêntrico abajur-cavalo que o arquiteto garimpou numa viagem à Turquia. O mobiliário autoral se faz presente nos sofás Slice e Pil e nas mesas Fifties e Spin. Nas paredes, obras da artista plástica havaiana Christy Lee Rogers – conhecida como o Caravaggio da fotografia contemporânea. “O propósito por trás do meu trabalho é questionar e encontrar um lugar de compreensão em meio à loucura, a tragédia, a vulnerabilidade, a beleza e o poder da humanidade. Minha preocupação encontra-se em questões de liberdade, tanto no ganho quanto na perda“, reflete Rogers, em sintonia mais que perfeita com o trabalho dos arquitetos.

carla.stellato@packcomunicacao.com.br

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