Preocupação com superbactérias, faz com que médicos defendam regras mais rígidas para o uso de antibióticos

O uso racional e controlado de antibióticos – tanto para o consumo humano, quanto para a utilização pela agropecuária – é urgente e fundamental para barrar o surgimento de superbactérias na avaliação da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Estima-se que até 2050 mais de 10 milhões de pessoas no mundo vão morrer por causa de superbactérias e o consumo excessivo e desnecessário de antibióticos é considerado o grande vilão dessa história.
Segundo Marcos Antonio Cyrillo, integrante do Comitê de Resistência Antimicrobiana da Sociedade Brasileira de Infectologia, se não agirmos em relação a isso, iremos regredir à “Era Pré-Antibióticos”, pois as medicações existentes não irão mais fazer efeito.
Recentemente, nos Estados Unidos, foi detectada uma superbactéria resistente à Colistina (um potente antibiótico, considerado a última fronteira entre os antibióticos existentes). A notícia deixou os médicos em alerta, embora o assunto já venha sendo discutido há tempos.
Uma das principais preocupações da comunidade médica, segundo Cyrillo, é que bactérias como Klebsiella, Escherichia Colie  Pseudomonas e Acinetobacter, por exemplo, se tornem multirresistentes. A KPC (Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase), por exemplo, pode causar diversos tipos de infecção como infecção urinária, cirúrgica e pneumonias.
A geração de superbactérias, no entanto, não está relacionada apenas ao consumo direto de medicamentos pelas pessoas. Segundo o infectologista da SBI, no mundo são utilizados 100 mil toneladas/ano de antibióticos na agropecuária e, no Brasil, são usadas de 3 a 5 mil toneladas/ano de antibióticos no setor. “Não temos controle adequado do uso de antibióticos seja na comunidade, na agropecuária e nos hospitais”, afirma.
Para enfrentar o problema no Brasil, Cyrillo sugere a união de forças entre a comunidade médica, sociedade, produtores agropecuários e órgãos governamentais no combate às bactérias multirresistentes. Para ele, um primeiro passo é a adoção de novos protocolos com critérios mais rigorosos em relação ao comércio de antibióticos.
“Além disso, precisamos investir na educação de quem prescreve este tipo de medicamento. Cobrar uma postura mais efetiva para regular o uso de antibióticos na agropecuária, além de fortalecer as comissões de controle de infecção hospitalar dos hospitais e investir em laboratórios modernos e bem equipados que entreguem, no período de duas horas, o resultado de pesquisa de cultura de bactérias, o que nos meios tradicionais levaria cinco dias.”

<imprensa@infectologia.org.br>

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