Zumbido atinge mais mulheres do que homens

Oscilações hormonais também podem ser a causa do aparecimento do zumbido em mulheres. Dados de uma pesquisa de campo com entrevistas em domicílio com cerca de 2.000 habitantes da cidade de São Paulo revelam que o zumbido apareceu em 22% da população pesquisada. Deste percentual 26% são mulheres, prevalência bem maior do que a observada em homens (17%). Além disto, o percentual daqueles que têm zumbido e se incomodam com o sintoma é bem maior entre mulheres (73%) do que entre homens (50%). Teoricamente estes dados podem ser transpostos para o Brasil como um todo.

A Dra. Jeanne Oiticica, especialista em Otorrinolaringologia, Otoneurologia e Chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, que realizou o levantamento acima, explica que o zumbido não é uma doença em si, e sim um sintoma, ou seja, pode ou não representar que algo está errado com o funcionamento do corpo.

“A mulher é bombardeada todo mês pela menstruação. Muitas delas têm o que se chama de TPM ou ‘Tensão Pré-Menstrual’, alguns dias antes do período menstrual são acometidas por sintomas físicos e emocionais, incluindo inchaço, cansaço, sensibilidade a sons e cheiros, irritabilidade, oscilações de humor. Estes altos e baixos nos níveis hormonais, uma verdadeira montanha russa hormonal, torna a mulher um ser mais sensível e predisposto”, conta a médica.

Um dos principais fatores desencadeantes do zumbido é o estresse, nervosismo e a ansiedade. Dra. Jeanne diz que as mulheres fazem jornada tripla, cuidam da casa, dos filhos, do marido, trabalham fora, lavam, passam, faxinam, pagam as contas. A perda auditiva induzida por ruído também é uma causa bem comum de zumbido. “Outro fator importante em mulheres é o ‘desequilíbrio hormonal’, pois além da menstruação como descrita acima, o pré-climatério, o climatério ou menopausa, a menarca (1ª menstruação) também influenciam. Terceiro, é preciso enfatizar ainda um fator relevante como a ‘enxaqueca’, que é uma doença altamente prevalente e que afeta 20% da população, sendo quatro vezes mais frequente em mulheres do que em homens. Quarto, os ‘vícios posturais e o enfraquecimento da musculatura’ de cabeça e pescoço correspondem a fatores também extremamente relevantes”, explica Dra. Jeanne.

Tratamento – é preciso detectar se há ou não doença. Nos casos em que nenhuma doença é detectada, o tratamento é voltado para os sintomas associados. “A grande maioria dos pacientes atendidos no Grupo de Pesquisa em Zumbido do HC-FMUSP acaba recebendo alta com melhora do incômodo decorrente do zumbido”, explica a especialista.

É possível prevenir o zumbido, evitando, por exemplo, a exposição a sons altos por tempo prolongado, pois a perda auditiva induzida por ruído ou PAIR é uma das principais causas de zumbido. Fones de ouvido, aparelhos de MP3 e outros quando usados várias horas por dia e em volume acima do recomendado podem ser potencialmente danosos às células da audição, em especial em indivíduos geneticamente predispostos. “Fazer exercícios regularmente, beber bastante líquido, ter boa higiene do sono, evitar jejum, doces, refrigerantes, chocolate, café e xantinas. Evitar alimentos industrializados que contêm excesso de sal, açúcar, gorduras trans e carboidratos de rápida absorção. Fazer pilates, yoga e meditar. Evitar vícios posturais e fazer check-up regularmente. Não usar medicamentos sem prescrição médica”, também são algumas dicas importantes de prevenção passadas pela Dra. Jeanne.

 

Perfil Dra. Jeanne Oiticica

Médica otorrinolaringologista, formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Orientadora do Programa de Pós-Graduação Senso-Stricto da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da USP.

Chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Professora Colaboradora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Responsável do Ambulatório de Surdez Súbita do hospital das Clínicas – São Paulo.

gengibrecomunicacao@comuniquese2.com.br

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