Indicadores divulgados pela Abimaq revelam um país longe da retomada de crescimento

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, a expectativa de avanço de cerca de 1% do PIB é considerada um “falso positivo”

A análise da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), ao divulgar, hoje, os indicadores conjunturais do mês de abril revela que “estamos longe do fim da crise”. A expectativa de avanço de cerca de 1% do PIB é considerada pela entidade um “falso positivo” uma vez que o faturamento da Abimaq está abaixo da receita do ano passado.

Segundo a Abimaq, falar em retomada do crescimento é um desejo, que não é compatível com os fatos. Ao fazer uma leitura da economia verificando os indicadores conjunturais de todos os meses desse ano até abril, todos eles tiverem queda na curva de crescimento, em plena crise. Se no início do ano, o setor previa uma retomada otimista de 5%, hoje a previsão da entidade é de zero com tendência para baixo.

Para a Abimaq, isto se dá devido aos juros ainda alto, que segundo a entidade, quando falamos em financiamento a longo prazo, os juros no Brasil são os mais altos do mundo. Contribui ainda para esse cenário, a apreciação do real ocorrida em 2016, que continua em 2017, voltando a prejudicar a competitividade da indústria de transformação brasileira.

Indicadores
As vendas, em abril, da Indústria de Bens de Capital registraram queda de 20,6, em comparação ao mês de março desse ano.  Já, na comparação interanual, a queda foi de 10,5%, 25º queda consecutiva.  Queda registrada também no consumo aparente, de janeiro a abril, o consumo de máquinas e equipamentos acumulou queda de 21,9%.

Enquanto isso, as exportações em abril, após crescimento de 55,6% registrado no mês de março, recuaram 33,6%, sendo que, nesse período, todos os setores fabricantes de máquinas e equipamentos apresentaram queda no faturamento. No entanto, na comparação interanual, o destaque ficou para o setor de máquinas agrícolas, cujo resultado acumulou crescimento de 61% no período. Inclusive, a expectativa da Abimaq está no setor agrícola que deve terminar o não com uma média de crescimento de 15% em relação ao ano passado, podendo até mesmo alcançar 22%.

As importações também registraram queda. Na comparação com o mês anterior (março), a queda foi de 33,4% e na comparação interanual as importações recuaram 30,4%.

O balanço da Abimaq revela ainda que a utilização da capacidade instalada nas fábricas de máquinas brasileiras recuou para 68,7% em abril. Esse resultado demonstra que o setor interrompeu o crescimento observado nos últimos dois meses.

Já o número de pessoal ocupado, a indústria de máquinas e equipamentos encerrou o mês de abril com 292, 2 mil pessoas ocupadas, registrando uma ligeira estabilidade em nível reduzido. Desde 2013, quando teve início a queda de faturamento da indústria de máquinas, já foram eliminados mais de 88 mil postos de trabalho.

BNDES

De positivo, além da expectativa com o setor agrícola, ficou a nomeação de Paulo Rabello de Castro, na presidência do BNDES. Para o presidente da Abimaq, João Carlos Marquesan, “foi um acerto muito grande, é a pessoa certa no lugar certo”. Para ele, o novo presidente do BNDES é uma pessoa focada na indústria, no desenvolvimento e no crescimento do País.

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