Estudo demonstra aumento de sobrevida global em pacientes com câncer de bexiga tratados com imunoterapia

A incidência de câncer de bexiga tem aumentado nos últimos anos, sendo considerado o segundo tipo de câncer urológico mais comum, com aproximadamente 430.000 novos casos ao ano[i]. No Brasil, este tipo de câncer é considerado o mais comum do sistema urinário e, segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são esperados 9.744 novos casos este ano[ii].

A doença é mais prevalente em homens em torno dos 65 anos e possui como principal fator de risco o tabagismo, que aumenta em até três vezes a chance de desenvolvê-lo[iii].

Embora o câncer de bexiga seja extremamente curável, sua detecção precoce pode ser difícil, uma vez que, em fases iniciais, pode evoluir sem apresentar sintomas. No entanto, sangramento na urina é o sinal mais comum e está presente em 90% dos casos[iv].

O tratamento padrão é a cirurgia, no entanto, em alguns casos, a doença pode avançar e atingir outros órgãos, são as chamadas metástases. Para isso, a primeira opção de tratamento é a quimioterapia à base de platina.

Nos últimos anos, diversos protocolos foram estabelecidos para avaliar como alguns imunoterápicos de última geração agem isoladamente nesse tipo de tumor, bem como em concomitância com quimioterapia e/ ou radioterapia.

Resultados do estudo de fase III, Keynote-045, apresentados na última edição do congresso ESMO (European Society for Medical Oncology), demonstraram benefício clínico significativo do pembrolizumabe na dose de 200mg a cada três semanas, comparado com a quimioterapia à base de platina, o padrão de tratamento por anos[v].

Este foi o primeiro ensaio clínico a demonstrar ganho de sobrevida global em pacientes com câncer de bexiga localmente avançado ou metastático. Devido a resultados bastante superiores em relação ao tratamento à base de platina, este estudo teve que ser suspenso precocemente.

O estudo  mostrou que os pacientes com tumor maligno de bexiga, metastático ou avançado, que receberam pembrolizumabe viveram mais tempo em comparação ao grupo de pacientes que receberam quimioterapia, reduzindo em até 30% o risco de morte naquela população.

“As imunoterapias, como pembrolizumabe, conseguiram promover um avanço no que antes era um cenário sombrio, permitindo que uma parcela dos pacientes com câncer de bexiga consigam respostas duradouras ao tratamento, às custas de poucos efeitos colaterais”, explica o oncologista Dr. Fernando Maluf, do Centro Oncológico Antônio Ermínio de Moraes, da Beneficência Portuguesa de São Paulo e membro do Comitê Gestor do Hospital Israelita Albert Einstein.

Os resultados foram apresentados após 22,5 meses de acompanhamento e revelaram uma vantagem de aproximadamente três meses de sobrevida global nos pacientes que utilizaram pembrolizumabe. Já a taxa de sobrevida global aos 18 meses foi mais longa com pembrolizumabe (30%), independentemente da expressão de marcadores, em comparação com 16,9% de quimioterapia.

O perfil de segurança de pembrolizumabe foi consistente com o observado em estudos previamente relatados. Os eventos adversos relacionados ao tratamento foram de 62% nos pacientes tratados com pembrolizumabe em comparação com 90,6% das pessoas que utilizaram quimioterapia.

 

Sobre o estudo KEYNOTE-045

Durante KEYNOTE-045, os pacientes foram randomizados para receberem 200 mg de pembrolizumabe, a cada três semanas (n = 270) ou um dos seguintes tipos de quimioterapia, todos administrados por via intravenosa: paclitaxel 175 mg / m2, docetaxel 75 mg / m2 ou vinflunina 320 mg / m2, a critério do médico.

Os desfechos primários foram sobrevida global e sobrevida livre de progressão, conforme a monitoração de um Comitê Cego de Central Independente de Dados (BICR) por RECIST (Critérios de Avaliação de Resposta em Tumores Sólidos) v1.1. Os principais desfechos secundários incluíram taxa de sobrevida global, conforme avaliado pelo BICR por RECIST 1.1, duração da resposta e segurança. A eficácia foi avaliada em todos os pacientes, bem como em pacientes com expressão de PD-L1. Para mais informações, acesse www.msd.com e nos siga no Twitter.

priscilla.oliveira@ketchum.com.br