Novembro Azul conscientiza homens para a prevenção do câncer de próstata

De acordo com informações do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata é a segunda maior causa de morte no Brasil por câncer entre homens (são cerca de 13 mil novos casos por ano), ficando atrás apenas do câncer de pele. A cada 38 minutos, um homem morre devido à doença. Em sua fase inicial, a doença apresenta uma evolução silenciosa, sendo que muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma e, quando apresentam, sentem dificuldade de urinar ou necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite.

Dr. Ronald Kool, do Departamento de Cirurgia Oncológica do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), atua nas áreas de Cirurgia Oncológica Abdominal e Uro-Oncologia e Cirurgia Videolaparoscópica e Robótica, é o entrevistado para abordar sobre câncer de próstata esclarecer as principais dúvidas sobre o assunto.

IOP – O que é a próstata e qual a sua principal função?
Dr. Ronald Kool – A próstata é um órgão localizado na pelve masculina e faz parte da genitália do homem. Costuma-se dizer que a próstata tem o tamanho aproximado de uma noz e peso de mais ou menos 25 ou 30g. Sua principal função é a produção de uma secreção rica em substâncias que irão nutrir os espermatozóides e permitir a sobrevivência destes no caminho até o útero feminino quando da fecundação. Além disso, a próstata está próxima à bexiga do homem e é atravessada pela primeira porção da uretra masculina. Portanto pode-se dizer que este órgão tem íntima relação com o trato genital e com o trato urinário do homem.

IOP – O câncer de próstata acomete mais em qual faixa etária?
Dr. Ronald Kool – A incidência do câncer de próstata aumenta com a idade em especial a partir dos 50 anos, porém o pico de incidência é por volta dos 65 anos. Dados sugerem que a idade seja o principal fator de risco, sendo que aproximadamente 75% dos tumores de próstata são detectados em pacientes com 65 anos ou mais. Por este motivo podemos considerar esta uma doença típica da terceira idade.

IOP – A hereditariedade é um fator de risco? Há outros?
Dr. Ronald Kool – Sim, a hereditariedade tem grande influência no risco de desenvolvimento deste tipo de câncer. Sabemos que homens com história familiar de câncer de próstata (principalmente pais e/ou irmãos) tem 2x mais chances de serem acometidos pela doença que a população sem este fator de risco. Alguns estudos mostram que quanto maior for o número de familiares acometidos, maior também é o risco.

Sem dúvida há muitos outros fatores de risco conhecidos. A incidência é afetada pela raça do paciente uma vez que homens negros têm mais câncer de próstata que os asiáticos ou brancos. Hábitos saudáveis de vida como atividade física, alimentação balanceada parecem atuar como fatores protetores, enquanto que o sedentarismo e a obesidade bem como dietas ricas em gordura atuam como fatores de maior risco.

IOP – Quais são os principais sintomas do câncer de próstata?
Dr. Ronald Kool – Tumores mais agressivos e que se desenvolvem localmente podem invadir tecidos e órgãos próximos, causando então alguns sintomas, por exemplo: tumores que invadem a bexiga ou mesmo a uretra podem causar sangramento; a invasão da musculatura ao redor da próstata pode causar dor pélvica; o crescimento acentuado da próstata pode causar sintomas urinários como retenções e até mesmo insuficiência renal quando não tratados. Doenças muito avançadas podem se espalhar à distância acometendo por vezes os ossos. Esse acometimento ósseo pode ser acompanhado de fraturas e dores intensas, muitas vezes de difícil tratamento. Apesar de tudo isso, a mensagem que deve permanecer é a de que o câncer de próstata é considerado uma doença silenciosa pois, nas suas fases iniciais, momento ideal para o diagnóstico, não causa nenhum sintoma específico. Vale a pena frisar que, ao contrário do que muitos pensam, os sintomas urinários são muito mais comuns nas doenças benignas da próstata.

IOP – Quando se deve começar a avaliação para a detecção do câncer de próstata?
Dr. Ronald Kool – O rastreamento do câncer de próstata deve ser iniciado para todos os homens a partir dos 40 anos de idade, sobretudo aqueles pacientes já citados como de maior risco (negros, paciente com histórico familiar).

IOP – Quais os principais exames?
Dr. Ronald Kool – Os dois grandes pilares do rastreamento do câncer de próstata são o toque retal e o exame de sangue chamado PSA.

O toque retal faz parte do exame físico na avaliação dos homens no que diz respeito ao rastreamento. Pela posição anatômica da próstata é possível palpar através do toque a porção periférica da próstata, local mais comum de aparecimento de nódulos e tumores. O PSA, por sua vez é uma substância detectada no sangue e produzida pela próstata. O valor do exame varia porém quando maior ou igual a 4 sugere a necessidade de investigação. Várias outras doenças da próstata, inclusive uma infecção urinária podem alterar os exames de PSA. Por este motivo é de suma importância que a população masculina acima de 40 anos faça exames e acompanhamento regular com um médico especialista.

Vale lembrar que uma parcela dos tumores de próstata não expressam valores aumentados de PSA, o que ressalta ainda mais a importância de associar o toque retal e o PSA no arsenal do rastreamento da doença.

Diante da alteração do toque, de valores aumentados do PSA ou de ambos, parte-se então para a discussão da indicação de uma biópsia da próstata para confirmar o diagnóstico.

IOP – A tecnologia influencia para o rastreamento do câncer de próstata?
Dr. Ronald Kool – Sem dúvida a tecnologia hoje auxilia médicos e pacientes principalmente no momento da tomada de decisão. Posso citar como exemplo os testes genéticos. Estes são utilizados por vezes em pacientes com PSA alterado mas ainda com biópsias negativas para definir um plano de acompanhamento. Muitas vezes associamos hoje também exames de imagem mais apurados como a Ressonância Magnética, considerada hoje a melhor avaliação com imagem para a próstata, identificando nódulos suspeitos e que merecem investigação mas que por vezes não palpáveis no toque retal ou não foram contemplados na biópsia.

IOP – Quais são os tipos de câncer de próstata? Como são classificados?
Dr. Ronald Kool – Costumamos dividir o câncer de próstata em três grupos: Baixo Risco, Risco Intermediário e Alto Risco. Em linhas gerais, os tumores de baixo risco muitas vezes não trazem grande preocupação para o paciente e são considerados indolentes. Alguns desses tumores podem inclusive ser acompanhados pelo médico sem a necessidade imediata de tratamento mais radical. Já os tumores de risco intermediário e alto são muitas vezes tratados através de Cirurgia ou mesmo Radioterapia.

Fases muito avançadas da doença são caracterizadas pela presença de metástases (as mais comuns, como já dissemos são as metástases para os ossos). Nestes casos o tratamento com Cirurgia ou Radioterapia muitas vezes é substituído por medicamentos que suprimem a testosterona do sangue do homem (conhecido como tratamento hormonal) ou mesmo com quimioterapia.

IOP – Há novidades no tratamento do câncer de próstata?
Dr. Ronald Kool – Os estudos sobre o câncer de próstata encontram-se em plena ebulição e temos novidades a todo momento. Nos últimos anos tivemos o desenvolvimento de novas drogas e tratamentos hormonais (exemplo: Abiraterona, Enzalutamida e os novos antiandrogênicos) em especial para pacientes no cenário de doenças de mais alto risco e para aqueles pacientes com tumores mais avançados e metastáticos. Drogas mais modernas permitem melhora aceitação do tratamento, menos efeitos colaterais e melhores resultados, ou seja, os pacientes com câncer de próstata hoje vivem mais. Outra novidade

IOP – Como é feita a cirurgia robótica?
Dr. Ronald Kool – A cirurgia robótica permite ao cirurgião realizar procedimentos com maior destreza e maior detalhe através de pinças acopladas aos braços de um robô. O robô é completamente controlado pelo médico cirurgião sentado em um console. Esta tecnologia tem a capacidade de fornecer visão privilegiada, posição e ergonomia, movimentos precisos além de filtrar o tremor das mãos e permitir até cirurgias à distância, tudo em alta definição e visão das estruturas em três dimensões. A cirurgia robótica é uma modalidade do que chamamos de “cirurgia minimamente invasiva”, ou seja, com manipulação mais delicada e precisa, sem a necessidade de incisões grandes no abdome.