ARTIGO| Ayrton Baptista |TEMER JOGANDO NAS ONZE

TEMER JOGANDO NAS ONZE
Ayrton Baptista
            Tivesse Michel Temer nascido em Minas Gerais lá pelas décadas de 40 a 60 do século passado possivelmente não estaria no PMDB. Até porque este partido talvez não existisse. Da forma como está jogando, seria colega de Tancredo Neves, José Maria Alckmin, Benedito Valadares, Gustavo Capanema no sempre lembrado PSD mineiro. Junto com Juscelino Kubitschek, é bom não esquecer. Aquela seção do então Partido Social Democrático “pintou e bordou” na política brasileira, com o devido respeito é claro. É verdade que a antiga UDN – União Democrática Nacional, contava com Milton Campos e Pedro Aleixo, dentro outros gênios da política, alguns fazendo tabelinha com Getúlio Vargas, tudo também no bom sentido.
            Temer passou o mês de agosto e ainda em setembro sendo a bola da vez. Se vai ou não terminar o mandato de Dilma Rousseff é outra questão. Enquanto o senador Renan Calheiros e o deputado Eduardo Cunha procuram um lugar ao sol, com a paciência que carrega, o vice-presidente Michel Temer não deixa as manchetes e toca o seu partido com tranquilidade. Isso tudo porque, conforme o jornalista Elio Gaspari, “Temer não dá boa noite sem pensar duas vezes”. Política é para profissionais. Temer, deputado ex-presidente da Câmara Federal por duas vezes, preenche os requisitos da política brasileira como ela é. Vice de Dilma, esta parece uma amadora diante de quem fez curso passando por média. Pode-se dizer que Temer está batendo o escanteio e correndo para cabecear.
            O que vai acontecer com os homens e mulheres do Governo, Temer e Dilma sobretudo, não se sabe, ainda. Sabe-se, entretanto, que o presidente do PMDB tem razão ao dizer que um governante não tem condições de agüentar-se no governo com uma média de sete por cento por três anos. Ora, nestes últimos 30 dias, com uma no “cravo, outra na ferradura”, Michel Temer brilhou porque também encontrou terreno fértil para si, podendo colocar cascas de banana tanto para Dilma como para diversas auxiliares da presidente.
            Independente do que venha a ocorrer, a torcida ainda é de todos nós para que o Brasil tenha um rumo, que se estabeleça um entendimento acima dos partidos e das questões menores. É evidente que os resultados das urnas devem ser respeitados. Mas isso não deve impulsionar a presidente Dilma Rousseff a falar bobagens, fugindo da verdade, isso ainda com nove meses de governo novo. Novo? Ouvindo Lula, Edinho, Cardozo, Mercadante e outros do mesmo tamanho, Dilma não sai desta. Falará, falará, mas nada dirá. Sua fala é uma repetição desde a pose número dois. Difícil para ela reconhecer os erros de seu governo. O caminho mais curto seria dizer claramente que tem ministros de mais e já defenestrar os que sobram, incorporando pastas e ministros e começando os entendimentos a partir de sua casa.
            Se Dilma ainda espera ser aplaudida, precisa dar uma ajuda. Ao contrário do que quer Lula, deve isto sim falar menos e trabalhar mais. E, sobremodo, escolher as boas amizades e os bons conselheiros. Nada que seja humilhante. Um pouco de modéstia farlhe-á bem.
            Ayrton Baptista, jornalista.
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