ARTIGO | Cuidem bem do seu coração

Cuide bem do seu coração
Dr. José Rocha Faria Neto,
Professor Titular da PUCPR e presidente do Departamento de
Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia
Nutricionista Christine Vitola
Nutricionista Funcional – Curitiba PR
Atualmente, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil e no mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 17 milhões de pessoas morrem todos os anos em consequência de problemas no coração – número equivalente a cerca de 30% do total de óbitos a cada ano. ¹ No Brasil, isto representa 340 mil mortes cardiovasculares por ano, sendo mais de 200 mil só por infarto e derrame.
Diante de um cenário tão alarmante, sem dúvida alguma, quando se trata de doenças cardiovasculares, prevenir é sempre a melhor opção. Com esse foco, é preciso conscientizar a população mundial sobre os riscos dessas doenças e reforçar a importância dos cuidados que devem ser adotados, em todas as fases da vida, para prevenir o aparecimento de doenças do coração.
Hábitos alimentares desequilibrados, falta de atividade física, excesso de peso e o uso de cigarros são alguns dos fatores que podem contribuir com o aparecimento da doença aterosclerótica, que se caracteriza pelo acúmulo de gorduras nas paredes internas dos vasos sanguíneos – fator que impede a correta irrigação do sangue para o coração, cérebro e demais tecidos do corpo. Os vasos mais afetados são os do coração, podendo levar ao infarto, do cérebro, podendo causar derrames e também das artérias, que irrigam as pernas, o que pode levar a dor ao caminhar e até mesmo necrose das extremidades².
É importante lembrar que, muitas vezes, os sinais das doenças cardiovasculares passam despercebidos ou simplesmente não aparecem, até que a doença já esteja instalada. Entre os principais sintomas, estão a “dor no peito” e outros sinais que devem ganhar atenção, se persistentes, como: dores nos ombros, braços e pescoço, falta de ar, inchaço nos tornozelos, pés, pernas e barriga, tontura, dores de cabeça, cansaço frequente, suores frios e náuseas³.
A prevenção é fundamental e, portanto, a Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda um acompanhamento rigoroso dos fatores de riscos cardiovascular, principalmente para adultos acima dos 50 anos. O controle da pressão arterial, assim como a redução do LDL (conhecido como o colesterol “ruim”) diminui efetivamente a probabilidade de desenvolver a doença. Embora sem o mesmo grau de evidência, a redução dos níveis de triglicérides e a elevação do “bom” colesterol (HDL) também são consideradas medidas potencialmente benéficas para reduzir a possibilidade do aparecimento da doença4.
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¹ World Health Organization – Noncommunicable Diseases (NCD) Country Profiles, 2014.
²World Health Organization  (WHO) Fact Sheet on Cardiovascular Disease (http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs317/en/)
A alimentação, fator de risco modificável (ou seja, que está sob o controle do indivíduo), está intimamente relacionada aos níveis de colesterol. O grande consumo de gordura saturada, presente em alimentos de origem animal, como carne vermelha, leite e lácteos integrais, está associado ao aumento dos níveis do colesterol “ruim” (LDL) no sangue. Portanto, a substituição deste tipo de gordura pelas mono e poli-insaturadas é uma estratégia para manter os níveis adequados do colesterol.Ainda, os fitoesteróis, componentes vegetais com estrutura semelhante ao colesterol animal, também podem ser aliados na redução do LDL, pois eles ajudam no bloqueio parcial da absorção de colesterol no intestino, auxiliando assim na diminuição do colesterol sanguíneo5.
Uma dieta saudável e equilibrada é importante e pode reduzir o colesterol em até 5%6. Para isso, consuma regularmente frutas e legumes, grãos integrais, óleos vegetais fontes de gorduras mono e poli-insaturadas e derivados (como os cremes vegetais com fitoesteróis), carnes magras, aves e peixes oleosos, como salmão, sardinha e atum.
Os fitoesteróis são valiosos aliados na redução do colesterol: o consumo diário de 2 a 3 g deste componente pode levar a uma redução de até 15% dos níveis de colesterol sanguíneo, quando associado a uma dieta equilibrada e a hábitos de vida saudáveis7.Existem diversos alimentos que contém fitoesteróis, dentre eles alguns vegetais como frutas, vegetais, castanhas e sementes, contudo, as quantidades deste componente nestes alimentos não são suficientes para a obtenção dos benefícios metabólicos. Existem, contudo, alternativas como os cremes vegetais com fitoesteróis, e neste caso, duas colheres de sopa (20g) contém a quantidade sugerida para o benefício da redução do colesterol. Isso sempre aliado a uma alimentação balanceada e a hábitos saudáveis8.
Além da alimentação, a OMS também recomenda os seguintes cuidados para prevenir os males causados pelas doenças cardiovasculares9:(1) pratique atividades físicas regularmente, pelo menos 30 minutos ao dia. Isto ajuda a manter o condicionamento físico e cardiovascular. (2) Não fume. O cigarro (charutos, cachimbos ou tabaco mastigável) é extremamente nocivo para a saúde e aumenta o risco de ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais. (3) Consulte profissionais de saúde, faça exames regulares e verifique sempre sua pressão arterial e o índice de colesterol. O seu coração agradece!
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5I Diretriz sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular e Guia para a Redução do Colesterol
6 Chen et al, Lipids 2009; Cleghorn et al, EJCN 2003, Jones et al, AJCN 1999; Katan et al, Mayo Clin Proc 2003; Edwards & Moore, BMC Family Practice 2003
7Demonty I, ras RT et al. Continuous dose-response relantionship of the LDL-cholesterol lowering effect of phytoesterol intake. J. Nutr 2009; 139:271-84 – AbuMweis SS, Barake R. Jones, PJH. Plant sterols/stanols as cholesterol-lowering agents: A meta-analysis of randomized controled trials. Food & Nutrition Research 2008; DOI: 10.3402/fnr.v52i0.1811 – Hendriks HF, Weststrate JA, van Vliet T, Meijer GW. Spreads enriched with three different levels of vegetable oil sterols and the degree of cholesterol lowering on normocholesterolaemic and mildly hypercholesterolaemic subjects, Eur J ClinNutr 1999; 53 (4):319-327
8De Jong A, Plat J, et. al. Effects of a long term plant sterol or stanol ester consumption on lipid and lipoprotein metabolism in subjects on statin treatment. Br J Nutr 2008; 100:937-41 Rozner S, Garti N. The activity and absorption relationship of cholesterol and phytosterols. Colloids Surf A; PhysicochemEng Aspects 2006;282e283: 435e56
9 World Health Organization (OMS) on How to to avoid a heart attack or a stroke (http://www.who.int/features/qa/27/en/)
<Fernanda.Ramos@s2publicom.com.br>

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