ARTIGO / Retroceder, para corrigir / Por João Carlos da Costa*

Retrospectivas são sempre necessárias para que a gente possa rever as coisas boas e as coisas ruins que aconteceram e também para analisar o que deu certo e o que deu errado, para que não se repitam os mesmos erros e para buscar soluções para o que não deu. O ano passou rápido demais. Isso é o que mais se ouviu nas conversas  quando as festas de fim de ano se aproximavam. Para tentar entender, às vezes é preciso retroceder ao passado. Foram tantas coisas que desviaram a atenção das pessoas, que sequer  perceberam o tempo passar.  De fato, houve acontecimentos de grande e grave repercussão, como as crises moral e ética pelas quais passa o País e envolvem  em atos de alto nível de corrupção  pessoas dos diversos escalões de governos e da sociedade  civil. Esse fato, por si só, trouxe   no seu bojo a crise política e econômica e que absorveu boa parte da atenção da população brasileira, pois seus efeitos refletem na vida de cada habitante, além da malversação dos recursos e do dinheiro público, cobradas abertamente,  que há muito vêm prejudicando setores básicos, como saúde, educação, segurança, bem-estar social, entre outros. O lado bom de tudo isso é que os cidadãos brasileiros, através de manifestações em praças e ruas, com caras pintadas e trajes nas cores predominantes verde e amarelo,   parecem estar  se conscientizando que existem poucas referências de comportamento ético e idolatram pessoas como o juiz Sérgio Moro que em gestos de coragem promoveu a prisão de ilustres personagens da Operação Lava-jato, que jamais imaginaram que  seriam presos, porque se achavam  acima da lei. Mas, infelizmente, a corrupção existe em quase todos os lugares do mundo, inclusive na FIFA,  uma entidade de cunho internacional, que  tem entre seus principais mandatários um brasileiro, infelizmente e que  está preso.

A crise gerada pela falta de água provocou o esvaziamento das represas da Região Sudeste e deixou Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais em situação bastante crítica, devido à falta de chuva,  considerada normal nos Estados do Nordeste do País, que cada vez mais faz retirantes que fogem da seca e da fome. Se, por um lado a escassez de água potável  tem provocado o incentivo à reeducação quanto ao desperdício, por outro, foi uma boa desculpa para o governo federal aumentar as tarifas de água e luz de maneira tão ávida, que interferiu diretamente nos índices inflacionários.

A tragédia de Mariana, com o rompimento das barragens de resíduos pertencentes à Mineradora Samarco, cuja lama causou mortes e destruiu próximo de 128 residências e se estendeu pelo Rio Doce e atingiu quase  10 mil km  quadrados do litoral capixaba.

No âmbito internacional, a violência do Estado Islâmico e  do grupo terrorista  Boko Haram, que estão cometendo atrocidades e atentados  mundo afora. Incluem nas suas ações a conquista de cidades e  patrimônios históricos relacionados ao islamismo e, pela ânsia de poder, cometem  as  piores barbáries, causado milhares de vítimas fatais, com assassinatos à sangue-frio, filmados em vídeos e  mostrados pela televisão, como forma de intimidação àqueles que são contra as suas pretensões. Suas atrocidades, corroboradas pelas guerras civis na Síria e em outros países da África e do Oriente Médio, principalmente,  tem provocado a evasão da população, que se arriscam em travessias marítimas perigosas para buscar auxílio na Europa e outros continentes. Em diversos casos têm sido recebidos com hostilidade injustificada.

Muitos outros assuntos fervilharam as mentes das pessoas. Relevantes, mas nem tanto abrangentes e de certa forma considerados normais, como o desaparecimento de pessoas famosas da televisão e da sociedade, a violência exacerbada que toma conta dos noticiários  diários, a inflação que aumentou e o PIB que baixou a um nível irrecuperável em curto prazo e com expectativas não tão animadoras para 2016 e um índice de desemprego, que aos poucos assume lugar de destaque entre as principais preocupações da população brasileira. Coisas boas também aconteceram como a  descoberta de água em Marte, da vacina contra dengue, por exemplo….

Enfim, coisas boas e ruins povoaram a cabeça das pessoas e não foi possível ficar contando as horas e minutos, muitos deles mal aproveitados. Tudo o que ocorreu é normal e peculiar a cada ano e os fatos acontecem na nossa frente sem que percebamos, por estar envolvidos com os nossos problemas particulares e pelos afazeres do dia a dia. Durante o passar do ano, todo mundo teve dificuldades, alguns  mais, outros menos, às vezes com soluções que ocorreram nem sempre benéfica quanto se esperava. A certeza é que tudo sempre tem uma  e na maioria das vezes a resolução depende apenas  das nossas atitudes.

A cada final de ano as pessoas têm por hábito avaliar o que obtiveram de êxito e ao mesmo tempo renovar os pedidos e planos para o próximo. Contam mais com a sorte, com as superstições e amuletos do que com a própria vontade, do trabalho e da coragem para mudar as próprias atitudes para melhor, em todos os sentidos. Qualquer desejo torna-se irrelevante se não houver bom-senso e coerência. É como pedir pelo fim da violência, querer a paz a qualquer custo, o amor, sucesso, mas não assumir o protagonismo das próprias ações e também esquecer que muitos dos desejos são vias de mãos duplas. Acima de tudo, é preciso saber que Deus é  quem está no comando das nossas vidas e, por mais que possamos renegar, é Ele quem sabe do nosso destino, por mais que planejemos. Todos querem a felicidade.  E o que Ele ensina sobre a verdadeira felicidade é que, para alcança-la, não existe outro caminho a não ser expressando amor ao próximo, de modo incondicional e  as demais coisas serão acrescentadas. E, se depender Dele, muito mais coisas boas virão. E assim, as próximas retrospectivas serão mais agradáveis. Então, vamos buscá-lo! Não custa nada tentar!

Feliz e abençoado ano novo a todos!

 João Carlos da Costa –   Bel. em Direito (aprovado na OAB), Bel. Químico, Professor e Escrivão de Polícia. F. 9967-3295 e-mail: [email protected]

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