Entidades discutem uso de energia solar fotovoltaica como fonte de apoio ao desenvolvimento do oeste do PR

Tema foi destaque na pauta da primeira reunião de 2016 da Câmara Técnica de Energias Renováveis do Programa Oeste em Desenvolvimento que, agora, passa a se chamar Câmara Técnica de Energias

Mais de 40 pessoas participaram da primeira reunião do ano da Câmara Técnica (CT) de Energias Renováveis do Programa Oeste em Desenvolvimento, que aconteceu na última quinta-feira, dia 3, na sede da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (AMOP), em Cascavel. O grupo, formado por representantes de instituições de apoio ao desenvolvimento da região, empresários e técnicos do setor de energias renováveis, além de universidades, teve como pauta a nova atuação ou abrangência quanto aos trabalhos da CT dentro do Oeste em Desenvolvimento e a troca de conhecimento sobre a energia solar fotovoltaica.

A convite do Sebrae/PR – uma das entidades apoiadoras do Programa Oeste em Desenvolvimento e integrante da Câmara Técnica, Rodrigo Lopes Sauaia, que é presidente-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), falou sobre a situação atual, as oportunidades e os desafios da energia solar fotovoltaica no Brasil. Fonte que, segundo ele, ainda tem muito a ser explorada por conta tanto de fatores ambientais e sustentáveis, quanto econômicos.

“No que depender do sol, não ficamos sem energia nos próximos quatro bilhões de anos e, hoje, não existem barreiras técnicas para que a energia solar fotovoltaica seja mais utilizada. Entretanto, a participação dessa fonte de energia no sistema elétrico brasileiro ainda é muito pequena, sendo só 0,02% do total, perde até para a nuclear, que é 70 vezes maior. Precisamos nos aprofundar no tema e disseminar os benefícios e possibilidades que a geração de energia solar fotovoltaica traz para todos”, enfatizou.

Sauaia explicou que a geração de energia solar fotovoltaica tem legislação recente e, por conta disso, ainda tem um percentual muito abaixo de outras fontes geradoras. “Em meados de 2012, quando se começou a explorá-la como fonte energética, eram apenas três sistemas de micro e minigeração de energia solar fotovoltaica no Brasil. No ano seguinte, aumentou para 75. O maior salto se deu de 2014 para 2015, na qual esse tipo de produção cresceu 308%. Neste ano, de acordo com a previsão da Aneel, o crescimento será ainda maior, na casa dos 800%”, detalhou.

Região

Do total de 1.675 sistemas desse porte no país, o Paraná tem 142. Somente uma empresa de Cascavel já foi responsável pela instalação de 32 plantas fotovoltaicas na região Oeste. “O potencial realmente é muito grande aqui, tanto na área urbana quanto na área rural e, de fato, já começa a ser visível. Os próprios empreendedores do segmento reportam que a região é uma das que mais instalou sistemas de energia solar fotovoltaica nos últimos anos e o potencial é muito grande”, apontou Sauaia.

Empresário do segmento desde 2012, Rafael Cândido da Silva foi um dos visionários do setor em Cascavel que, somente em 2015, instalou 30 sistemas de geração de energia solar fotovoltaica, a grande maioria no oeste do Paraná. “Meu sócio trouxe a ideia da Espanha e, na época, o grau de risco do investimento era muito grande, pois a legislação para o uso dessa fonte energética tinha acabado de entrar em vigor. Mas, mesmo assim, acreditamos no negócio e o mercado tem respondido de forma bastante positiva”, comentou.

Economia

Além do fator ambiental e da sustentabilidade, o fator econômico pode ser um dos principais responsáveis pelo aumento crescente da utilização da fonte solar fotovoltaica. “Essa é uma tecnologia que tem se tornado mais competitiva. Nos últimos 10 anos ela se tornou 70 a 80% mais barata. Atualmente, já é mais barato, em muitas regiões do Brasil, instalar o seu sistema de energia solar fotovoltaica no telhado da sua casa, por exemplo, e gerar essa sua energia por conta própria do que comprá-la da distribuidora”, garantiu o especialista.

Com base em exemplos práticos já instalados, a Absolar observa que o retorno sobre o investimento na instalação do sistema de energia solar fotovoltaica, é de seis a doze anos. “Se o sistema fotovoltaico tem uma vida útil de 25 anos, significa que você paga a sua instalação e depois você vai ter energia praticamente de graça ao longo de 19 a 13 anos. É um negócio que vale a pena e que está ficando cada vez mais atrativo neste sentido”, argumentou o presidente-executivo da entidade.

Quem já tem provado do ‘gosto da economia’ na conta de energia elétrica é o jornalista e empresário Jairo Eduardo Fabricio Lemos, que aderiu a produção de energia solar fotovoltaica recentemente. “Devo levar de quatro a cinco anos para ter retorno do investimento, tendo em vista a economia de cerca de R$ 400 por mês na conta de energia elétrica. Agora, com o incentivo da nova legislação, ainda vou poder jogar o crédito (entre a energia que é gerada e a que utiliza na residência) para a minha empresa”, ilustrou.

Regulamentação

Por ser, de certa forma, uma nova fonte exploração comercial de energia renovável, a solar fotovoltaica ainda esbarra em alguns gargalos. Mas que, aos poucos, devem ser superados, conforme elucidou Sauaia, durante a reunião da Câmara Técnica. “Uma das principais barreiras é tributária e já conseguimos alguns incentivos, como a redução do PIS/COFINS sobre o mercado do segmento. No âmbito estadual, estamos lutando pela isenção do ICMS, que já foi aderido por 15 estados brasileiros”, indicou.

Outra grande novidade para o setor é a Resolução Normativa (REN) no 687 de 2015 que aprimorou a REN nº 482/2012. “Dentre as mudanças, está a ampliação da capacidade de produção pelas minigeradoras, da duração dos créditos, da eliminação do custo de aquisição de medidores e a desburocratização e redução do tempo de tramitação de um pedido ligação. Mas, talvez, as questões mais vitoriosas foram a possibilidade da geração distribuída em condomínios, ou autoconsumo remoto (você consumir a energia que gera num imóvel em outro de sua propriedade que não faça a geração) e a geração compartilhada, na qual uma única unidade geradora é propriedade de um grupo de consumidores”, apontou Sauaia.

Desenvolvimento

O encontro, que se estendeu das 14 às 17 horas, teve como foco principal mostrar a energia solar fotovoltaica como potencial fonte de apoio ao desenvolvimento da região. O que, para a consultora do Sebrae/PR, Danieli Doneda, foi um trabalho exitoso. “Já discutimos sobre o biogás como fonte apoio ao desenvolvimento no ano passado. Nesta primeira reunião de 2016, passamos a nos aprofundar nesta outra fonte de energia, que é a fotovoltaica. Experiências que enriquecem o grupo para que possamos alinhar e planejar ações para o desenvolvimento regional e potencializar a geração de energia como vetor de desenvolvimento econômico”, declarou a consultora.

Além das explanações em torno do tema fotovoltaico, argumentou o consultor do Sebrae/PR, Augusto César Stein, a primeira reunião do ano do grupo também marca a ampliação dos trabalhos da Câmara Técnica. “No andamento dos trabalhos percebemos duas novas demandas além da temática energia renovável, que foram a questão da eficiência energética e da infraestrutura energética. Desta maneira, a partir deste 2016, ampliamos a atuação de ‘Câmara Técnica de Energias Renováveis’ para ‘Câmara Técnica de Energias’, que deve agregar outras instituições e técnicos envolvidos nos novos subtemas”, esclareceu Stein.

Oeste em Desenvolvimento

A Câmara Técnica de Energias integra O Programa Oeste em Desenvolvimento. Uma iniciativa que une instituições como a Itaipu Binacional, o Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), o Sebrae/PR, o Sistema Cooperativo, a Caciopar, a Amop, a Emater e a Fiep. O programa tem como objetivo promover o desenvolvimento econômico do oeste do Paraná por meio de ações integradas e com foco nas potencialidades regionais.

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