Programa Agentes Locais de Inovação conclui ciclo 2014/2016 no oeste do PR

Nesta edição, Sebrae/PR estimulou cultura de inovação em 500 empresas da região; encerramento foi marcado pela apresentação de casos de sucesso do ALI

O sonho de Clari Chmiel sempre foi abrir um café, na cidade de Quedas do Iguaçu, município a pouco mais de 100 km de Cascavel, no oeste do Paraná. Entretanto, o negócio da família é no ramo de postos de combustível. Assim, Clari realizava um pouco do gosto pelo segmento da alimentação nas lojas de conveniência. Mas foi a partir de uma visita de um agente local de inovação que a empreendedora viu que era possível agregar a ideia aos negócios da família, inovando em atendimento e prestação de serviços e, ao mesmo tempo, satisfazendo a vontade que tinha de empreender em outro setor.

“O sonho eu já tinha, mas foi só com a ajuda de um direcionamento que pude transformá-lo em realidade. Em 2015, reformamos toda a loja de conveniência para que eu pudesse implantar um café. Um tempo depois, a pedido dos próprios clientes, abrimos o leque de produtos com uma minipanificadora. Assim, eles iam fazer um lanche depois do expediente e já levavam o pão quentinho pra casa, sem precisar se deslocar para outro estabelecimento. Logo mais, também agregamos o serviço de choperia ao local”, detalha a empresária de Quedas do Iguaçu.

Clari é apenas um dos exemplos de empresas de micro e pequeno porte do oeste do Paraná que investiram em inovação a partir da participação no Programa Agentes Locais de Inovação (ALI). O projeto é uma iniciativa do Sebrae/PR junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e tem como objetivo disseminar a cultura de inovação aos empresários. Os empresários são acompanhados por dois anos, gratuitamente, e estimulados a entender que inovar não é sinônimo de grande dispêndio financeiro ou alta tecnologia, e, sim, de criatividade e planejamento.

A consultora do Sebrae/PR, Nara Reinheimer Pick, destaca que foram atendidas 500 micro e pequenas empresas da região no ciclo 2014/2016 do ALI. “Atendemos cerca de 50 pequenos negócios em cada um dos dez setores: agroindústrias e restaurantes, automecânicas, construção civil, logística e transportes, metalmecânico e implementos agrícolas, moveleiro, panificadoras e pequenos mercados, software, turismo e vestuário. Agora, ao final do ciclo, percebemos muitos resultados positivos de inovação e alguns, até, que superaram as próprias expectativas”, enfatiza.

Desses destaques, 68 empresas estiveram presentes no evento de encerramento do ciclo na sede do Sebrae/PR em Cascavel, no dia 19 de outubro, e receberam certificado de reconhecimento pela inovação promovida com o apoio do programa e, dentre eles, dez apresentaram seus casos de sucesso representando o setor em que atuam. “Criamos o ‘TOP 10 de inovação no oeste’ para que os empresários pudessem compartilhar as boas práticas com os demais participantes. Além disso, também foi um estímulo para que saíssem de suas zonas de conforto e praticassem inovação”, comenta Nara.

Sucesso

Além da Chmiel Conveniência, no segmento de alimentação, também fizeram parte do TOP 10 de inovação no oeste as empresas: Roda Vida, de Toledo, representando o segmento de automecânicas; Liderlog, de Cascavel, do setor de logística e transportes; Gessovel, empresa a construção civil de Cascavel; Magdecor, do segmento moveleiro de Cascavel; Cobrafer, empresa de Cascavel do setor metalmecânico e implementos agrícolas; o Bambu Hostel, de Foz do Iguaçu,  do setor de turismo; a Tecinco, de Cascavel, representou o segmento de software; também de Cascavel, a Panificadora Jardim Cristal, no segmento de panificadoras e pequenos mercados; e a indústria Bela Fase, de Terra Roxa, do setor de vestuário.

Durante o evento de encerramento, ainda foram homenageados os trabalhos de suporte à inovação os núcleos setoriais de transportadoras das associações comerciais e empresariais de Cascavel e Toledo, Acic e Acit, respectivamente, e o núcleo moveleiro da Acic.

Atender o mercado

No decorrer das visitas de acompanhamento dos agentes locais de inovação às empresas participantes do Programa ALI, os empresários relataram sobre mudança de perspectiva em relação à inovação. Para o diretor de produtos, Norldir Kunkel, a inovação está até onde não se imagina. “O programa nos ensinou a encontrar ideias inovadora onde não estamos acostumados a procurar. Com a ajuda do ALI, criamos um projeto chamado ‘Banco de Ideias’ dentro da empresa, no qual os funcionários podem ‘depositar’ suas ideias e projetos. Foi com base nesta ação que criamos um aplicativo para jogos de loterias norte-americanas. Lançamos há 30 dias e já está sendo utilizado em 16 estados”, conta.

Diogo Marcel, que há 12 anos mantém um hostel em Foz do Iguaçu, não criou um novo produto, mas, sim, agregou serviços à comodidade de seus hóspedes. “No ALI, aprendemos que inovação é mais do que tecnologia. É oferecer a experiência que o seu cliente quer e precisa. Em nosso hostel, que tem mochileiros estrangeiros como maior público, criamos um clube de benefícios, no qual eles obtém descontos e brindes com nossos parceiros e fornecedores por meio dão nosso meio de hospedagem. Houve casos que, com a economia, a estadia no hostel acabou saindo até ‘de graça’ para o viajante. Economia e comodidade para eles e fidelização para nós”, explana.

A consultora do Sebrae/PR explica que, quando o empresário amplia a visão que tem do conceito de inovação, começa a perceber que mudanças simples, que resolvem problemas do dia a dia dos negócios são, sim, inovadoras. “Consideramos inovação desde as atitudes mais simples que demandam mais em criatividade para resolver um gargalo do cotidiano, até as mais complexas, que exigem, também, mais tempo e investimento financeiro. Inovar é buscar novas maneiras de atender as demandas do mercado, seja em um novo processo ou novo produto”, contextualiza Nara.

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