15.º Prêmio Paranaense de Excelência Gráfica mostra caminho para setor espantar a crise

O  15.º Prêmio Paranaense de Excelência Gráfica Oscar Schrappe Sobrinho, entregue no último dia 23, no Santa Mônica Clube de Campo, em Colombo, região de Curitiba, deixou muito claro os caminhos para se sobressair nestes tempos de crise econômica. As três principais vencedoras – Corgraf (12 troféus), Malires (10) e Midiograf (9) têm em comum a busca por diferenciação no mercado, e,  com isso, sinalizam crescimento que pode chegar a 20% em 2017, enquanto que a expectativa geral no setor, segundo a Abigraf Nacional (Associação Brasileira da Indústria Gráfica) é de haver decréscimo de 0,5% na produção.

O Prêmio é realizado pelo Sigep/Abigraf-PR (Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado do Paraná e Associação Brasileira da Indústria Gráfica – Abigraf Regional Paraná), com a coordenação e auditoria da ABTG (Associação Brasileira da Indústria Gráfica). Concorreram 36 empresas, que inscreveram 431 produtos em 52 categorias, que vão de cartão de visitas a embalagens.

Maior ganhadora na história do Prêmio, totalizando 134 troféus nesses 15 anos, a Corgraf, de Colombo-PR, sempre utilizou a premiação como um balizador do seu trabalho.  “Não criamos produtos para ganhar prêmio, mas o fato de sempre sermos vitoriosos aponta que o que fazemos tem qualidade e, portanto, estamos no caminho certo”, diz o diretor da empresa, André Linhares.

A qualidade, segundo ele, é um processo buscado todos os dias, em todos os departamentos da empresa. Para isso, investimento em equipamentos, em modernização da gestão e no aprimoramento técnico e pessoal dos colaboradores sempre estão nas estratégias. “Este ano, por exemplo, acabamos de investir em uma nova impressora digital com qualidade de offset para fazemos alguns tipos de produtos com baixa tiragem para os quais não tínhamos muito foco”.

Para Linhares, a Corgraf também aproveita o próprio Prêmio para mapear oportunidades de melhoria em seus processos. “Ganhamos troféus em várias categorias, porque queremos atender bem o cliente em vários tipos de produtos. Mas sempre avaliamos as categorias em que não somos premiados para vermos em que podemos melhorar”.

Com esta visão, Linhares aponta que a Corgraf deverá ter crescimento este ano. “Não quero precisar quanto, mas pelo primeiro semestre já dá para adiantar que vamos fechar o ano com crescimento real. E isso sem demissões e ainda contratando novos funcionários”.

Mudança de patamar

Em 2014, o diretor da Gráfica Malires, de Curitiba, Wagner Linhares, decidiu iniciar um processo de mudança para colocar a empresa em outro patamar. O pilar principal era melhorar a imagem no mercado. Uma das ações foi justamente participar ativamente do Prêmio de Excelência Gráfica. Naquele ano, inscreveu algumas peças, mas não obteve resultado. Em 2015 ganhou dois troféus e no passado outros três, além de um prêmio internacional. Na última sexta-feira levou 10 troféus para casa. “Os troféus sinalizam que o projeto iniciado há três anos está no caminho certo. Hoje a empresa é vista no mercado como produtora de soluções com ótima qualidade e, aos poucos, estamos avançando para o objetivo de ser, em alguns anos, a melhor gráfica de Curitiba, e depois do Paraná, em qualidade”.

O projeto de mudança de patamar foi baseado na estruturação de um departamento de marketing, mudança na mentalidade dos colaboradores quanto à necessidade de solucionar os problemas dos clientes, capacitação técnica e aquisição de novos equipamentos. “O resultado é que conquistamos cada vez mais clientes e, com isso, desde 2014 não sabemos o que é crise. Temos crescido 10% a 15% ao ano e em 2017 deveremos fechar com 20% de crescimento na produção, além de aumento de 10% no número de colaboradores, totalizando 75”.

Realidade aumentada

Para as gráficas vencedoras, o pilar para o sucesso é não dar chance para a crise. É essa a mentalidade que o diretor da Midiograf, de Londrina, Edson Benvenho, incute em cada um dos seus colaboradores. Aliado a esta postura mental, Benvenho aposta em um “jeito novo de se trabalhar com gráfica”. “Acredito que o futuro da gráfica está em construir um futuro diferente, que consiste em explorar todas as potencialidades do negócio e não o cliente”.

Benvenho explica que a crise tirou a Midiograf da zona de conforto e a levou a buscar a diferenciação. Uma das ações foi ingressar no mercado de realidade aumentada (técnica que explora a inserção de objetos virtuais no ambiente físico, mostrada ao usuário em tempo real com o apoio de algum dispositivo tecnológico, como smartphone). “Por meio de parceiros, criamos nosso próprio aplicativo de realidade aumentada. É um novo negócio, explorando o fato de todo mundo hoje ter smartphone, que ajuda a trazer trabalho de impressão para a gráfica”.

Além disso, a Midiograf reforçou sua equipe comercial com cinco novas contratações para as áreas editorial, promocional, impressão digital e embalagem e passou a abrir novas regiões no Paraná que ainda não atendia, ao mesmo tempo em que melhorou o atendimento a clientes atuais. “O resultado é que vemos a crise,  mas ela não nos assusta. Vamos fechar o ano com crescimento de 15% em relação ao ano passado e aumentando de 173 para 194 o número de funcionários”.

Mudança no mercado

O presidente do Sigep, Abilio Santana, disse que a 15º edição do Prêmio mostrou realmente uma mudança no mercado. “As gráficas precisam acordar para o fato de que o mercado mudou e que os clientes cada vez mais percebem quem está antenado com estas mudanças. Ficar reclamando de tudo e não se modernizar é o caminho para o fracasso”.

O esmero na qualidade mostrado pelas empresas no Prêmio é enaltecido pelo presidente da Abigraf-PR, Jair Leite. “As empresas que se destacam no Prêmio também se destacam no mercado porque estão atrás de diferenciações. Isso explica porque crescem apesar de toda a crise econômica e política pelo qual passa o Brasil”.

15 anos do Prêmio

O Prêmio Paranaense de Excelência Gráfica Oscar Schrappe Sobrinho foi criado em 2002 pelo Sigep/Abigraf-PR para estimular a qualidade e incentivar a criatividade e as inovações tecnológicas das gráficas do Paraná. Desde então, 71 gráficas já foram premiadas, recebendo 625 troféus com cerca de 4.500 produtos inscritos. É hoje a principal premiação regional do Brasil. Todos os anos, as gráficas vencedoras na etapa estadual se destacam também na premiação nacional, que é o Prêmio Brasileiro de Excelência Gráfica Fernando Pini, realizado em São Paulo. O Paraná acaba ficando quase todos os anos em segundo lugar, perdendo apenas para São Paulo.

 

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