Depois do Não: projeto transmídia discute o assédio contra mulheres jornalistas em Curitiba

Um produto realizado por estudantes de jornalismo da PUCPR tem como foco combater o assédio

Depois do não é assédio, é violência, não se cale! Para empoderar mulheres jornalistas, fortalecer a representatividade feminina na mídia e combater o assédio no mercado de trabalho, o projeto Depois do Não é uma Grande Reportagem Transmídia (GRT) que reúne relatos de mulheres jornalistas que sofreram assédio no exercício de sua profissão e superaram tal violência. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi produzido pelos estudantes de Jornalismo, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Erica Hong, Mateus Bossoni, Sarah Lima, Thais Camargo e Yasmin Soares, com orientação da professora Criselli Montipó

De acordo com dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010, as mulheres tendem a receber salários menores e a serem excluídas dos cargos de maior prestígio e remuneração. Na pesquisa Mulheres no Jornalismo Brasileiro, realizado pela Gênero e Número e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), dentre as entrevistadas, 65% declararam haver mais homens em cargos de poder. "Elas não tinham cargos importantes, faziam o cafézinho ou atendiam na recepção", relata uma das personagens da GRT.

De acordo com informações dos Relógios da Violência, do Instituto Maria da Penha, a cada um segundo uma mulher é assediada no Brasil. A pesquisa nacional do DataFolha Assédio sexual entre as mulheres, de 2017, aponta ainda que 42% das mulheres entrevistadas declararam já haverem sido vítimas de assédio sexual. Nas redações, a situação não é diferente, 73% das mulheres entrevistadas também pela pesquisa Mulheres no Jornalismo Brasileiro afirmaram já ter escutado comentários ou piadas de natureza sexual sobre uma mulher ou mulheres no seu ambiente de trabalho.

Campanhas como #JornalistasContraoAssédio e #DeixaElaTrabalhar trouxeram o tema do assédio à tona, inclusive o fato de que as mulheres jornalistas relatam sobre esses casos, mas não os que acontecem com as próprias profissionais. “É uma coisa horrível. Te envergonha e você não sabe do porquê acontece. Me questiono até hoje, poderia ter feito várias coisas, contado, denunciado, pedido ajuda, mas não consegui. Hoje peço para que todas denunciem, mas não sei se teria coragem. Na teoria é uma coisa, na prática, quando você passa por uma situação dessas, é outra totalmente diferente”, declara J. C., personagem do projeto.

Os dados apontam a urgência e a importância do tema. “É preciso combater o assédio contra as mulheres em todas as profissões. O Depois do Não busca apresentar o relato das vítimas como forma de manifesto e compartilhar histórias entre as profissionais para incentivar o empoderamento, além de influenciar para que outras jornalistas possam ser ouvidas e denunciem seus casos", afirma Sarah Lima, uma das estudantes que integra a equipe do TCC.

Serviço:
Site: www.depoisdonao.com.br
Instagram: www.instagram.com/depoisdonao/
Facebook: www.facebook.com/depoisdonao/
Youtube: www.youtube.com/channel/UCI85Y0p1ci1Uq1aSwmEr0Dg  

Evento: Roda de Conversa: “O seu não: assédio contra mulheres jornalistas no mercado de trabalho”
Data: 20 de novembro de 2018
Horário: 9h às 11h
Local: PUCR-PR, Auditório Newton Stadler (Bloco 5 - Vermelho)
Endereço: Rua Imaculada Conceição, 1155, Prado Velho, Curitiba - PR
Entrada: Franca

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