Processo de envelhecimento pode causar incontinência urinária em mulheres; saiba como tratar

Comum em mulheres na menopausa devido à queda dos hormônios e perda de colágeno, necessidade involuntária de urinar pode causar grande desconforto psicológico e emocional, levando até mesmo ao isolamento social.

Devido ao processo de envelhecimento, a produção de colágeno em mulheres diminui e há a queda de estrogênio, hormônio sexual feminino, o que leva a atrofia da região íntima feminina com consequente perda involuntária de urina. “Esse fenômeno recebe o nome de incontinência urinária, ou seja, a perda urinária sem desejo consciente da mulher, o que provoca grande desconforto físico, social e psicológico, principalmente pelo fato de ser uma situação imprevisível, podendo ocorrer a qualquer hora e em qualquer lugar”, explica a Dra. Ana Carolina Lúcio Pereira, ginecologista membro da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

Ocorrendo mais em mulheres, pelo fato de possuírem uma uretra, canal que leva a urina da bexiga ao meio externo, mais curta, necessitando de um coxim de sustentação que com o passar do tempo pode ser comprometido, a principal causa da incontinência urinária é o processo de envelhecimento, que leva à queda de hormônios e diminuição de colágeno com consequente perda de sustentação da região e aumento da flacidez da pele. Logo, o grupo mais acometido pela condição é justamente o das mulheres que estão na menopausa. “O que não quer dizer que mulheres mais jovens não possam sofrer com o problema. Nesses casos, ocorre por fatores como partos normais prévios, predisposição genética, excesso de esforço físico e perda da força da musculatura perineal (região entre a vagina e os glúteos)”, destaca a médica. “Além disso, condições pré-existentes também podem favorecer a perda involuntária de urina, como infecções urinárias, alterações neurológicas, diabetes e o uso de medicamentos que favoreçam a micção por pessoas que já não possuem boa continência urinária.”

A gravidade da condição varia. Enquanto em alguns casos a paciente não é capaz de segurar a urina apenas quando realiza esforço físico, ao espirrar ou praticar exercícios por exemplo, em outros a vontade extrema de urinar surge subitamente, não sendo possível chegar ao banheiro. Logo, se não tratada, a incontinência urinária pode gerar grande desconforto psicológico nas pacientes acometidas devido ao odor fétido da urina, levando à rejeição social e até mesmo ao isolamento, que é adotado por quem sofre do problema como forma de prevenir a situação. “Para evitar o constrangimento, é importante então prestar atenção a indícios de mau odor e não deixar de ir ao banheiro quando sentir necessidade de urinar”, recomenda a especialista.

Mas, segundo a ginecologista, existem uma série de opções terapêuticas eficazes para o problema, incluindo fortalecimento muscular através de fisioterapia pélvica, eletroestimulação, uso de hormônios tópicos vaginais, para permitir o remodelamento da região, turgência local, para ativar os mecanismos que conferem sustentação à uretra, realização de cirurgias de reposicionamento da uretra e colocação de pessários vaginais corretores para melhora temporária das queixas em casos de pacientes impossibilitadas de passarem por cirurgias. “O laser vaginal, muito divulgado para o tratamento da incontinência urinária, ainda não se mostrou superior aos outros tratamentos no que diz respeito à redução da perda involuntária de urina, sendo necessários mais estudos para realmente comprovar sua eficácia”, afirma. “Por fim, recomenda-se que, ao notar sintomas de incontinência urinária, você consulte um médico ginecologista, que poderá diagnosticar a condição corretamente e indicar tratamento individualizado para o seu caso, visto que esse pode variar de acordo com o fator causador do problema”, finaliza a Dra. Ana Carolina Lúcio Pereira.

FONTE: DRA. ANA CAROLINA LÚCIO PEREIRA: Ginecologista, membro da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), especialista em Ginecologia Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira e graduada em Medicina pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro em 2005. Especialista em Medicina do Tráfego pela Abramet, a médica realiza consultas ginecológicas, obstétricas e cirurgias, atuando na prevenção e tratamento de doenças gineco-obstétricas com foco em gestação de alto risco. maria.claudia@holdingcomunicacoes.com.br

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