O papel dos líderes durante e depois da pandemia do novo coronavírus

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Por Rogério Dias, Chief of Staff da Qintess

            Ninguém está preparado para gerenciar uma pandemia de proporções globais sozinho. Mas isso não significa que podemos viver sem liderança. De todas as mudanças que vivemos recentemente, com o avanço do novo coronavírus, a principal lição que podemos tirar até aqui parece ser justamente essa: cada um de nós tem seu papel, mas é fundamental que tenhamos lideranças capazes de ajudar a organizar as decisões e prover um ambiente mais coeso e sustentável para as pessoas. No segmento de TI, essa liderança torna-se ainda mais necessária em virtude do dinamismo com q ue surgem novas tecnologias.

            Não há como dizer que esse é um instante simples. O surto de COVID-19 é uma questão de saúde pública, com impactos emocionais e financeiros sem precedentes – certamente maior do que tudo que já passamos no século XXI. Por isso, além de uma crise, a pandemia também marcará uma verdadeira quebra de paradigmas, com a alteração de muitos dos modelos de trabalho que conhecíamos até pouco tempo.

            Por exemplo: estamos vivendo uma época em que a empatia e as parcerias passaram a ter uma importância muito maior na vida das pessoas. Mais do que capacidade de predizer cenários, portanto, as lideranças precisam oferecer uma visão humana, necessária para apoiar e tranquilizar cada um dos colaboradores de suas equipes.

            Penso que temos de oferecer alternativas para o mundo que virá. Afinal de contas, a única certeza é que, mais cedo ou mais tarde, venceremos o vírus e teremos de reerguer a sociedade como um todo. Uma estratégia que já vínhamos aplicando em nossas empresas e que certamente contribuirá com a reconstrução é incentivar ideias e pensamentos diferentes, com pontos de vista diversos.

            De modo geral, acredito que estávamos tão acostumados com nossa rotina e com o excesso de opções que, agora, diante da paralisação causada pelo coronavírus a nível mundial, acabamos nos colocando em estado de choque. Sair da inércia com certeza exigirá de todos ainda mais foco e energia – algo essencial para os líderes dos novos tempos. Exigirá, também, um pensamento mais inclusivo, como o que temos incentivado em nosso grupo, a partir de uma proposta mais coletiva e aberta à empatia e à valorização das pessoas.

            O líder deve, a meu ver, direcionar as ações, estimular as atitudes de suporte às pessoas e oferecer, por meio de inteligência emocional e de um comportamento sóbrio, os melhores caminhos para que as equipes – e, consequentemente, as organizações – retomem suas jornadas de evolução e melhoria contínua.

            Vale dizer, contudo, que essa necessidade de valorizar as pessoas não surgiu com a pandemia. O vírus apenas acentuou uma demanda que já rondava a estrutura das lideranças nas empresas. Muito antes do avanço da COVID-19, por exemplo, pesquisas já indicavam que a maioria das organizações precisava rever seus conceitos de liderança, colaboração e participação. Para quem vive o dia a dia das empresas e a rotina das equipes, no entanto, esse sentimento já estava certamente presente.

As questões envolvendo o coronavírus apenas trouxeram à tona uma necessidade que era negligenciada por muitas companhias. Como resultado, agora parece inadiável que as lideranças trabalhem a empatia, a inteligência emocional, a resiliência e a colaboração como estruturas vitais de suas estruturas. Essas soft skills permitirão aos gestores entender os desafios das pessoas, buscar novas perspectivas para suas equipes e transformar o rumo dos negócios na operação como um todo.

            Realmente acredito que o líder moderno deve enxergar as oportunidades para construir parcerias, olhar para o público com afinco e estabelecer um grau máximo de colaboração entre todos os que estão engajados nesse mesmo objetivo. Talvez, nesse sentido, a maior mudança entre o chefe do passado e o líder do futuro seja perceber que, além de confiança, é preciso também distribuir esperança.

            Agora, o momento é de inspirar as equipes, cuidar das pessoas e mostrar como a organizações podem ajudar o mundo. Depois, é equilibrar as forças e engajar os times a proporem juntos a reconstrução. Nada disso será possível sem líderes que realmente tenham consciência de que o maior valor de uma organização está, sem dúvida, nas pessoas. Os profissionais que sairão fortalecidos dessa crise serão os que conseguirem mais rapidamente responder às mudanças do mercado e orientar o rumo de seus times e suas empresas para uma nova fase de crescimento. Os desafios são grandes, mas a boa notícia é que a tecnologia se anteci pou a este cenário inimagináv el e, ma is humanizada, já está disponível para acelerar esse processo de transformação.