Você pensa em estudar na Alemanha? Confira as diferenças com o sistema de educação brasileiro

Goethe-Institut Curitiba explica os aspectos mais distintos da educação alemã, que segue caminhos diferentes para cada um após os 11 anos de idade

Da educação infantil à graduação, passando pelo ensino fundamental, médio e vestibular, todos os estudantes brasileiros percorrem um mesmo caminho durante a sua vida escolar. Outros sistemas de ensino mais conhecidos por aqui, como o norte-americano, embora tenham alguns outros aspectos, seguem um princípio parecido.

Mas, em outros países, a educação pode ser bem diferente e parece até meio complicada para quem não é do país. É o caso da Alemanha. “O ponto mais distinto do sistema de educação alemão comparado ao brasileiro é distribuição dos alunos para escolas com exigências e focos diferentes, dependendo das notas e do desempenho escolar, quando eles têm entre 10 e 11 anos”, explica Katharina Bleher, mestranda binacional pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pela Universidade de Leipzig, da Alemanha e parceira do Goethe-Institut Curitiba no projeto de “Minicursos” em 2021.

Até essa idade, todos os alemães frequentam o mesmo tipo de ensino, com quatro anos de duração. Depois, existem três tipos de escolas: a Hauptschule, a Realschule e o Gymnasium, cada uma com um tipo de proposta mais específica, sempre pensando já na vida profissional. Se aqui, no Brasil, muitos criticam que a decisão por uma profissão acontece muito cedo, por lá essa decisão é mais cedo ainda, nos primeiros anos escolares. “Isso é criticado por muitos alemães que dizem que o desempenho escolar nos primeiros quatro anos de escola decidirá sobre a sua carreira profissional como um todo”, revela Katharina Bleher, que ressalta que não há diferenças significativas entre as escolas alemãs particulares e públicas.

Carreira técnica ou universidade?

Na Alemanha, não existe vestibular. O acesso à universidade é feito com base na nota do diploma Abitur. Contudo, esse diploma só é oferecido por dois tipos dessas escolas. A Hauptschule vai do 5º ao 9º ano e tem foco no preparo prático da vida profissional, mas o diploma não dá acesso à universidade, somente a alguns cursos profissionalizantes, porém nem todos. “Por isso, depois da Hauptschule, muitos alunos vão para uma escola profissional secundária para obter o diploma da Realschule, que já dá acesso a mais cursos profissionalizantes”, explica Katharina.

Já a Realschule, que também começa no 5º e vai até o 10º, é focada em cursos profissionalizantes. Se o aluno também quiser fazer faculdade, ele precisa ir para um outro tipo de escola profissional secundária para conseguir o Abitur. Já quem cursa o Gymnasium, que vai do 5º ao 12º ou 13º ano, tem uma educação geral mais aprofundada e ganha o diploma Abitur.

Contudo, a Hauptschule é um tipo de escola que está, aos poucos, desaparecendo, por não fornecer nem uma educação técnica e nem o diploma necessário para tentar vaga em universidade. “Realmente é difícil sair da Hauptschule para conseguir o diploma da Realschule ou o Abitur. Estudos ainda mostram que filhos de imigrantes têm muitas desvantagens nesse sistema e acabam sendo indicados para Hauptschule com mais probabilidade do que alunos com pais alemães. Por isso, em muitos estados da Alemanha, esse tipo de escola não existe mais, apenas a Realschule ou o Gymnasium”, explica Katharina Bleher.

Do Brasil para a Alemanha

Com tantas diferenças, é possível começar a escola no Brasil e terminar na Alemanha? Sim, mas vai depender de cada caso, segundo a Katharina. Em geral, é preciso ter um nível bem avançado de alemão, como o Goethe-Zertifikat C2 ou Diploma TestDaF, dois exames de alemão que o Goethe-Institut oferece. Alunos brasileiros da rede particular que fizeram o International Baccalaureate (IB) e tem o nível de alemão suficiente, geralmente podem ingressar diretamente igual os alunos alemães. “Os que não tem esse diploma do International Baccalaureate, muitas vezes precisam fazer um ano de ensino médio na Alemanha em um chamado Studienkolleg. Mas isso dependerá de cada caso, é bem individual e nem sempre tão fácil”, diz.

Anteriormente, para se candidatar e fazer a prova de admissão ao Studienkolleg, o processo era feito inteiramente na Alemanha. Desde 2020, o Goethe-Institut fez uma parceria inédita com algumas universidades para que a prova de admissão pudesse ser feita aqui no Brasil e ainda oferecer um curso preparatório para ela a partir de junho. Mais informações sobre o projeto estão disponíveis no link: https://www.goethe.de/ins/br/pt/spr/pqe/ost.html.

Para quem está se mudando para a Alemanha e precisa saber como fazer a migração da escola de seus filhos, é necessário procurar as autoridades do município onde irá morar, que explicarão todo o processo. Já aqueles que desejam fazer universidade na Alemanha, é necessário buscar orientações com o DAAD Brasil, serviço alemão de intercâmbio acadêmico.

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