Lives, exposições virtuais e NFTs: Como 2021 mudou o consumo de arte

A arte não parou em 2021 – o ano contou com eventos online, inovações em programação e presença marcante em redes sociais. Com restrições a eventos presenciais durante a maior parte do ano, muitos artistas, coletivos e grandes eventos rapidamente se adaptaram ao formato digital, mantendo a divulgação e compartilhamento de arte e cultura à toda. A criatividade típica do ramo da arte se fez presente também nos bastidores, inovando formas de consumir e compartilhar trabalhos artísticos.

 

Um dos maiores eventos nacionais do setor, a Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba preparou uma extensão de sua 14ª edição, a Bienal On-Line. De março a dezembro, utilizou as redes sociais (como o Instagram @bienaldecuritiba e o Facebook facebook.com/bienaldecuritiba) para divulgar artistas e promover discussões. “A democratização do acesso à cultura é um dos pilares da Bienal de Curitiba, e pudemos trabalhar isso de novas formas durante a pandemia”, explica a coordenadora institucional do evento, Carolina Loch.

 

Uma das ações que mais movimentou 2020 e continuou como tendência neste ano foram as lives das redes sociais. Eventos ao vivo que poderiam ser acompanhados pelo público de qualquer local foram usados tanto por artistas independentes quanto por grandes nomes da música. Na arte contemporânea, não seria diferente. A própria Bienal celebrou bate-papos no Instagram com destaques da sua programação, como Flávio Carvalho. Um dos pontos altos foi a visita virtual ao ateliê da artista argentina Inés Raiteri. Algo impensado de ser feito presencialmente acabou sendo apreciado por um público de dezenas de pessoas ao vivo, de diversos países, com a artista explicando sobre seu espaço, seus processos criativos e revelando detalhes da produção.

 

A presença digital fortalecida nesse período permitiu à Bienal atingir um público ainda maior, realizando o ideal de democratização do acesso com resultados melhores. Se, em 2019, o público do evento estava mais concentrado nas regiões Sul e Sudeste do país, os eventos digitais da Bienal On-line registraram um crescimento intenso de público no Norte e Nordeste, com destaque para acessos vindos do Maranhão, Pará e Amazonas.

A compra de obras de arte também teve uma queda considerável, devido a recessão econômica globalizada. O relatório Art Market Report, da feira internacional Art Basel (uma das maiores no mundo), registrou em 2020 os piores números desde 2009 em vendas. O impacto causou renovações na forma de se comercializar arte. Estúdios e galerias focaram em atender clientes antigos e fiéis e maior foco nas compras on-line. Um dos destaques de 2021 foi o NFT (token não-fungível): comercialização de arte digital na qual é gerado um código garantindo autenticidade de uma obra com certificado de propriedade para o comprador.

 

Tendências

 

A exaustão com as lives e a retomada de eventos presenciais prepara o cenário artístico para um novo panorama em 2022. A pandemia, que se esperava ser tema de obras, deu espaço a discussões mais intensas de representatividade – com uma intensa presença indígena nos museus e eventos, por exemplo – e da poesia concreta borrando as barreiras entre diferentes mídias. “A arte digital continua em expansão, os NFTs e a forte presença digital mostram isso”, Carolina exemplifica, demonstrando que a pandemia acelerou um processo de digitalização da arte contemporânea que se manterá em alta.

 

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