100% de aproveitamento: Itaipu aproveita cheia localizada para gerar com capacidade máxima

A Itaipu Binacional está aproveitando a situação hidrológica excepcional dos últimos dias para atender aos sistemas elétricos brasileiro e paraguaio com carga máxima. Com o reservatório cheio, a hidrelétrica vem batendo recordes horários históricos e armazenando água para produção futura. Nos últimos 12 dias, 85% de toda a quantidade de água que chegou à usina foi usada para a produção e armazenamento. Apenas 15% foi despejada pelo vertedouro.

O volume de água armazenado e o incremento de geração equivalem a 850 mil megawatts-hora de energia agregada, volume suficiente para atender às necessidades de consumo de eletricidade de uma cidade do porte de Curitiba, por uma semana.

“A água adicional que recebemos ocorreu por causa do efeito El Niño”, explica o superintendente de Operação da Itaipu, Celso Torino. “Do total adicional de água recebida, uma parte é utilizada para a produção de energia, sempre limitada ao consumo dos países. A segunda parte é utilizada para o estoque do reservatório, a caixa d’água da usina, para produzir daqui para frente; e a terceira, que tentamos evitar ao máximo, é o excedente. No caso, é o que não pode ser economizado e precisa ser vertido.”

Questionado sobre uma pergunta muita comum hoje em dia, por que essa água não pode ser desviada para São Paulo, o superintendente explica. “Embora não seja possível em forma de água, é possível em forma de energia. Em forma de água, não, porque ela naturalmente corre para o mar, no ponto mais baixo. Não é possível fazer o sentido contrário. Mas a maior parte de energia gerada na Itaipu vai principalmente para a região Sudeste. Isso porque o sistema elétrico brasileiro é interligado.” E finaliza: “Essa energia pode, inclusive, ser utilizada para melhorar as condições de água estocada em São Paulo”.

Só a produção diária da Itaipu nessa terça-feira (20) foi responsável por 17% de todo o abastecimento de energia do Brasil. Com o fim da cheia dos 12 dias, a usina continua com o reservatório no máximo e capacidade de produção total para os próximos dias. “Essa é a importância de se ter reservatórios, porque você consegue adequar o seu processo de produção ao consumo das pessoas. Nem sempre a cheia vem no momento em que as pessoas querem consumir. Um exemplo é quando ela ocorre no domingo e o consumo geralmente é pequeno”, diz o superintendente.

Torino conclui: “O reservatório faz um sincronismo entre o momento em que a natureza diz que vai ter água e o momento em que as pessoas dizem que querem consumir energia”.

Crédito da foto anexada: Caio Coronel/Itaipu Binacional.

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