Em 17 de novembro, Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) aponta motivos para os homens não realizarem o rastreamento da doença, feito por meio da dosagem do PSA (antígeno prostático específico) e exame de toque retal. “A campanha Novembro Azul, iniciativa de entidades médicas e filantrópicas, tem recebido apoio de empresas, organizações não-governamentais e secretarias de saúde que talvez não conheçam os problemas que envolvem o rastreamento do câncer de próstata”, explica Antônio Augusto Dall’Agnol Modesto, médico de família e comunidade e membro da SBMFC e um dos autores da nota oficial da entidade que pode ser acessada pelo link: http://www.sbmfc.org.br/media/Novembro%20Azul.pdf

Conheça cinco motivos para não realizar o rastreamento de câncer de próstata, segundo a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC):

 

1) A campanha afirma que “a única forma de garantir a cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce” e recomenda que todos os homens com mais de 50 anos – ou 45, no caso de negros e parentes de primeiro grau de indivíduos que tiveram a doença – procurem anualmente um urologista para fazer o exame de toque retal e a dosagem de PSA (antígeno prostático específico) no sangue. Essa, entretanto, não é a recomendação de respeitadas instituições nacionais e estrangeiras como o INCA, Ministério da Saúde, United States Preventive Services Task Force, entre outras, que indicam o não rastreamento.

 

2) Em 2012, o United States Preventive Services Task Force (USPSTF) passou a contraindicar o rastreamento baseado em PSA para homens estadunidenses de qualquer idade. Em 2013, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) passou a recomendar que não se organizassem programas de rastreamento para o câncer da próstata e que homens que demandassem espontaneamente a realização de exames de rastreamento fossem informados por seus médicos sobre os riscos e benefícios associados a esta prática, por existirem evidências científicas de boa qualidade de que o rastreamento do câncer de próstata produz mais dano do que benefício como o abalo emocional pela espera de um exame e os desconfortos causados pela biópsia, que pode causar sangramento por dias.

 

3) Desde 2010, o Ministério da Saúde já duvidava da indicação desses exames, por não haver evidências científicas suficientes para justificá-lo. Outras entidades reconhecidas internacionalmente, como o Canadian Task Force on Preventive Health Care, o American Academy of Family Physicians e o United Kingdom National Screening Comittee fazem recomendações semelhantes.

 

4) Os estudos que levaram a essas recomendações acompanharam milhares de homens por mais de dez anos e mostraram que fazer PSA com ou sem toque retal não diminui a mortalidade geral dos homens e muda muito pouco a mortalidade específica por câncer de próstata. Em outras palavras, homens que fazem o exame não morrem mais velhos, e morrem muito pouco menos de câncer de próstata. Esse pequeno benefício não compensa os potenciais malefícios, quase sempre relacionados à realização desnecessária de biópsia prostática (um procedimento que pode provocar sangramentos, febre, infecção prostática e retenção urinária), o impacto psicológico causado por um resultado falso-positivo, e as sequelas do tratamento – é muito comum que os homens tenham incontinência urinária ou impotência sexual após a retirada da próstata. O exame não consegue diferenciar cânceres graves e mortais de cânceres que cresceriam lentamente e não viriam a matar o homem – ou seja, muitos acabam tendo os malefícios desnecessariamente.

 

5) Os homens devem ser vistos de forma integral, e a eles devem ser dirigidos cuidados preventivos adequados, de forma regular. A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, por exemplo, publicou uma nota técnica sobre o assunto, ratificando a posição das entidades mencionadas anteriormente e sugerindo outras intervenções úteis para promover a saúde da população masculina, como o rastreamento da hipertensão, do uso abusivo de substâncias psicoativas, de doenças sexualmente transmissíveis, entre outras.

 

Quem é o médico de família e comunidade (MFC)?

A medicina de família e comunidade é uma especialidade médica, assim como a cardiologia, neurologia e ginecologia. O MFC é o especialista em cuidar das pessoas, da família e da comunidade no contexto da atenção primária à saúde. Ele acompanha as pessoas ao longo da vida, independentemente do gênero, idade ou possível doença, integrando ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde. Esse profissional atua próximo aos pacientes antes mesmo do surgimento de uma doença, realizando diagnósticos precoces e os poupando de intervenções excessivas ou desnecessárias.

É um clínico e comunicador habilidoso, pois utiliza abordagem centrada na pessoa e é capaz de resolver pelo menos 90% dos problemas de saúde, manejar sintomas inespecíficos e realizar ações preventivas. É um coordenador do cuidado, trabalha em equipe e em rede, advoga em prol da saúde dos seus pacientes e da comunidade. Atualmente há no Brasil mais de 3.200 médicos com título de especialista em medicina de família e comunidade.

anadangelis@rspress.com.br

Este post tem um comentário

  1. Só o fato da OMS, do Ministério da Saúde e do INCA não recomendarem o rastreamento e o rastreamento continuar sendo recomendado sem informações dessa natureza aos homens, principalmente em empresas públicas, já denota que alguma coisa está errada…

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