Doenças colestáticas ganham primeiro protocolo de tratamento no Brasil

O Brasil passa a contar agora com um protocolo inédito para o tratamento de doenças colestáticas – enfermidades raras do fígado. As diretrizes para o diagnóstico e tratamento destas patologias foram elaboradas pela Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), com o apoio de 30 médicos especializados, de diversos estados do país. O documento oficial levou oito meses para ser escrito. Com o novo protocolo, os pacientes podem ter acesso a um tratamento mais efetivo e unificado independente do local em que receberão atendimento.

Segundo o Dr. Eduardo Luiz Rachid Cançado, Professor Associado do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP e um dos responsáveis pelo documento, as diretrizes são um avanço importante, já que “nem o Ministério da Saúde e nem os convênios de saúde têm protocolos que recomendem a condução de um tratamento mais adequado”. Um exemplo são as orientações para administração do ácido ursodesoxicólico. Esse princípio ativo é um ácido biliar presente naturalmente na bile humana, mas que pode ser aplicado via medicamentos, trazendo grandes benefícios aos pacientes. “Agora, os pacientes que têm essas doenças têm mais um amparo para reivindicar a sua distribuição pelos órgãos públicos, ou exigirem dos convênios médicos auxílios para adquirirem tal medicação”.

Quais são essas doenças?

As doenças colestáticas atingem as vias biliares, que são responsáveis por levar a bile produzida no fígado até o intestino. São mais diagnosticadas quando há alguma obstrução neste caminho, seja por cálculos, tumores, verminoses, saculações congênitas, entre outros. “Elas causam uma inibição ou obstrução do fluxo biliar, o que pode levar à cirrose hepática e causar a morte do paciente, especialmente em casos mais graves e dos que não conseguem se submeter ao transplante hepático”.

Abaixo, seguem duas delas, com suas definições e recomendações para tratamento, segundo as diretrizes da SBH:

1. Colestase induzida por Colangite Esclerosante Primária

O que é? Uma doença que leva à obstrução do fluxo da bile e sinais de colestase, por conta de inflamações e fibroses na árvore biliar intra e extra-hepática. Acomete os homens com mais frequência (2:1)

Recomendações: O ácido ursodesoxicólico deve ser administrado nos pacientes com essa doença, após explicações das limitações do tratamento. A dosagem diária deve ser verificada individualmente, mas tem limite de até 23 mg/kg/dia. Se uma resposta bioquímica com normalização ou redução significativa do nível da fosfatase alcalina for verificada para valores menores do que 1,5 vezes o valor superior da normalidade, a manutenção da medicação é justificável.

Observações: Estão contraindicadas doses superiores em razão dos efeitos adversos observados.

2. Cirrose Biliar Primária

O que é? Uma patologia de progressão lenta que gera colestase, icterícia intensa e morte por insuficiência hepática. Acomete os ductos biliares interlobulares. Afeta principalmente mulheres de meia idade (9:1)

Recomendações: O ácido ursodesoxicólico deve ser administrado em todos os pacientes com a doença, após alterações estruturais serem observadas ao exame histológico hepático. O ácido ursodesoxicólico deve ser usado na dose diária máxima de até 15 mg/kg/dia e tem o objetivo de reduzir os níveis de fosfatase alcalina – ao menos duas vezes o valor superior da normalidade – e os níveis de bilirrubinas a menos de 1 mg%. A avaliação deve ser realizada ao final do primeiro ano de tratamento.

Observações: Os melhores resultados são obtidos nos pacientes em estádios menos avançados (I e II). Há ainda a perspectiva de uso de outros medicamentos associados com o ácido ursodesoxicólico, como a budesonida e os fibratos. Contudo, o nível de evidência para esses medicamentos ainda não permite elencá-los como opção terapêutica.

Há ainda outras doenças em que o ácido ursodesoxícolico foi recomendado. Alguns quadros da hepatite autoimune (HAI), que atinge diretamente os hepatócitos, também tiveram benefícios verificados com a administração desse princípio ativo. “A ideia, nestes casos, é alcançar a remissão bioquímica. Os pacientes que têm essa enfermidade  e permanecem com alterações de aminotransferases com aumento de enzimas canaliculares, como a gamaglutamil transpeptidase e a fosfatase alcalina – podem se beneficiar com o ácido ursodesoxícolico”.

As duas partes da diretriz (links 1 e 2) estão disponíveis no site da SBH.

Fontes disponíveis para entrevista:

  • Dr. Raymundo Paraná, em Salvador (BA) – Coordenador do Hepatologia do Milênio emédico hepatologista e Professor da Universidade Federal da Bahia (UFB);
  • Dr. Eduardo Luiz Rachid Cançado, em São Paulo (SP) – um dos responsáveis pelas diretrizes e Professor Associado do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP.


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Com mais de 200 colaboradores, a unidade brasileira do Zambon, localizada em São Paulo, é a quarta maior do grupo e referência para as demais subsidiárias. As três principais áreas de atuação do laboratório são: saúde feminina, respiratória, dor e inflamação. Em seu portfólio, o Zambon do Brasil possui uma linha de produtos com mais de 30 apresentações, entre eles medicamentos como Fluimucil® (acetilcisteína), Monuril® (fosfomicina trometamol) e Spidufen® (ibuprofeno arginina).

pedro@lch7.com.br

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