Fobia de dirigir afeta 8% da população mundial

Para especialista, aproximar-se do veículo é única maneira de superar o medo

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É estimado que a fobia de dirigir afete entre 7% e 8% da população mundial, de acordo com artigo publicada na revista Ciência Hoje. Observada principalmente em mulheres casadas, com nível superior, entre 21 a 45 anos, que exercem atividade remunerada e que, muitas vezes possuem veículo próprio ou um carro à disposição, esse problema pode tornar-se um fardo para pessoas que, só de pensar em assumir a direção, podem sentir tremedeira nas pernas, transpiração excessiva, taquicardia ou dificuldade para dormir.

Chamado de amaxofobia (medo mórbido de se encontrar ou viajar em qualquer veículo, ou até mesmo de dirigir), esse mal acomete até pessoas que já tiraram a CNH (Carteira Nacional de Habilitação), mas que, por algum motivo, não se sentem seguras ou confiantes o suficiente para tirar o carro da garagem. A Perkons ouviu especialistas sobre o assunto para esclarecer dúvidas sobre a diferença entre medo e fobia, como isso atinge aqueles que desejam dirigir e como superar o problema.

Segundo a psicóloga e autora do livro “Vença o medo de dirigir”, Neuza Corassa, o medo é uma emoção natural do ser humano. “É um aliado, nos protege e funciona como um sinalizador para preocupação com perigos reais. Já a fobia é uma espécie de medo acentuado que acontece na presença ou previsão de encontro com algum objeto ou situação que cause ansiedade em grau elevadíssimo”, explica. Nesse caso, a situação que causa ansiedade excessiva nas pessoas é o ato de dirigir.

Segundo Neuza, é possível traçar um perfil das pessoas que sofrem com esse problema. “São extremamente responsáveis, confiáveis, organizadas, detalhistas, sensíveis, inteligentes e preocupam-se com os outros, porém, não gostam de críticas e não admitem errar”. Os motivos também são os mais variados possíveis, desde o medo de atrapalhar outros motoristas e/ou pedestres ou sentir-se como intruso, até não ter domínio completo sobre o veículo. Porém, independente do motivo que fez com que a pessoa passasse a ter a fobia de dirigir, é possível superá-lo. “É um enfrentamento passo a passo, mas que, quando levado a sério, apresenta um resultado extremamente positivo”, diz Neuza.

 

Como superar o medo de dirigir

Para iniciar o processo de aproximação do veículo, a psicóloga Neuza sugere que sejam feitos alguns exercícios com antecedência a fim de relaxar e preparar os músculos para a direção. “Cerca de três semanas antes de começar a dirigir é recomendado que sejam feitas atividades físicas e relaxamentos musculares para que o corpo fique mais confortável e preparado para a condução”. Além disso, o ideal é que a pessoa coloque na agenda essa aproximação com o carro, como uma espécie de compromisso. “Pelo menos duas vezes por semana ela deve ‘vestir o carro’ e realizar trajetos cotidianos, como a ida até a escola dos filhos, ao mercado, shopping, parque etc.”. Os percursos não precisam ter longa duração, mas devem ser feitos com frequência, para que, com o tempo, a pessoa passe a sentir-se mais segura e à vontade. Neuza também comenta que esses exercícios podem ser feitos com a companhia de alguém. “Se o medo impede a pessoa de tomar a iniciativa sozinha, pedir ajuda é essencial. Pode ser um profissional, amigo ou familiar, o que realmente importa é que a pessoa seja calma e esteja disposta a ajudar”, conclui.

A social media, Mariana Macedo, é filha de uma vendedora de carros que amava dirigir, que já correu em pistas fora do país e que dirigia até caminhão. Ainda assim, diferente da mãe, ela já passou por apuros ao sentir um completo pânico na hora de dirigir.  “Eu fico com medo a ponto de tremer e não saber o que fazer. Por isso, nunca consegui aprender. Fico com sensação de insegurança, taquicardia, é como se eu estivesse em uma situação de perigo”, descreve.

Ela conta que só descobriu o medo de dirigir na autoescola, quando começou as aulas práticas. Além disso, considera que o instrutor não tinha paciência e a deixava desmotivada e com medo de ir às aulas. “Acabei desistindo por causa desse pânico e perdi o prazo de um ano para tirar a carteira. Pretendo fazer algum tratamento para superar o medo e, assim, conseguir tirar a carteira, porque hoje em dia é essencial saber dirigir em algumas situações”, completa.

A sócio proprietária da auto escola Netuno, Sandra Regina Falcão, comenta que colocar a pessoa em situação real ainda é uma prática necessária para que o medo da direção seja amenizado. “É só a prática que fará com que esse medo diminua”, explica ela, que ressalta que grande parte das reprovações no exame do Detran são causados pelo emocional. “Na maioria dos casos as pessoas já sabem dirigir quando chegam ao exame, afinal, elas fizeram pelo menos 25 aulas práticas” exalta. E para aqueles que reprovam, nem sempre a solução é fazer mais aulas, e sim tratar o emocional e aproximar-se do veículo. “Dirigir é um movimento mecânico e, depois de certo tempo de prática, torna-se automático. Porém, para se ter uma evolução completa, é preciso que a pessoa realmente queira dirigir e não faça isso apenas por obrigação”, conclui Sandra.

Foto: shutterstock.com

Legenda: Grande parte das reprovações no exame do Detran são causados por fator emocional

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