25 de Maio – Dia Internacional da Tireoide

Campanha visa alertar a população sobre distúrbios tireoidianos

No dia 25 de maio comemora-se o Dia Internacional da Tireoide. A campanha mundial tem com o objetivo a conscientização da população sobre a importância da glândula tireoide e seus distúrbios.

A tireoide é uma glândula em forma de borboleta (com dois lobos), que fica localizada na parte anterior pescoço, logo abaixo da região conhecida como Pomo de Adão. Produz hormônios que auxiliam no funcionamento de vários órgãos. Atua, também, no crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes; na regulação dos ciclos menstruais; na fertilidade; no peso; na memória; na concentração; no humor; e no controle emocional. Seu perfeito estado de funcionamento é importante para garantir o equilíbrio e a harmonia do organismo.

Acompanhe a entrevista com a endocrinologista do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), Dra. Juliana Kaminski, e saiba sobre a importância desta glândula.

Instituto de Oncologia do Paraná – Qual a principal função da tireoide?
Juliana Kaminski –
A glândula tireoide produz dois hormônios: a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3). Esses hormônios atuam no metabolismo e no funcionamento de vários órgãos, como a pele, o coração, o intestino e o cérebro.

IOP – Quais os problemas mais comuns que envolvem a tireoide?
JK –
O problema mais comum que afeta a tireoide é o hipotireoidismo, que é a baixa produção dos seus hormônios. O contrário também pode acontecer, quando a glândula tireoide produz excesso de hormônios, o que se denomina hipertireoidismo. Outro problema bastante comum na tireoide é a presença de nódulos.

IOP – É diferente para homens e mulheres?
JK –
As doenças de tireoide acometem mais mulheres do que homens.

IOP – A incidência de tumores da tireoide vem aumentando?
JK –
A incidência atual do câncer de tireoide não ultrapassa a 24 casos por 100.000 habitantes, mas essa taxa vem aumentando nos últimos anos, já sendo a quarta neoplasia maligna mais frequente nas mulheres brasileiras. E esse incremento se deve principalmente ao aumento dos diagnósticos de pequenos tumores.

IOP – Em geral, os nódulos da tireoide são benignos ou malignos?
JK –
Estudos populacionais mostram que aproximadamente 4% a 7% das mulheres e 1% dos homens adultos apresentam nódulo tireoidiano palpável ao exame do pescoço. Entretanto, estudos com ultrassonografia revelam uma prevalência bem maior, chegando a 68%, sendo essas frequências mais elevadas geralmente observadas em mulheres idosas. Felizmente, a maioria dos nódulos tireoidianos é benigna, porém cerca de 10 a 15% podem ser tumores malignos.
Neste aspecto, devemos observar: dados da história e exame físico que sugerem maior risco de malignidade do nódulo tireoidiano: Sexo masculino; idade < 20 anos ou > 70 anos; história de exposição à radiação ionizante ou radioterapia cervical na infância ou adolescência; diagnóstico prévio de câncer de tireoide tratado com tireoidectomia parcial; história familiar (parente de primeiro grau) de câncer de tireoide; nódulo com rápido crescimento ou volumoso; aumento de linfonodos na região cervical e nódulo incidentalmente detectado no FDG-PET (como captação focal) em pacientes oncológicos.

IOP – Quais são os sintomas que podem indicar problemas na tireoide?
JK –
Sintomas de hipotireoidismo: sonolência, cansaço, falta de memória, queda de cabelos, unhas fracas, inchaço, intestino obstipado, alterações de peso e da pressão arterial e alterações no humor como depressão.
Sintomas de hipertireoidismo: insônia, agitação, ansiedade, palpitações ou aceleramento dos batimentos cardíacos, tremores nas mãos, sudorese, perda de pese e diarreia.
Nódulos: assintomático quando o diagnóstico é feito por exame de ultrassonografia. Quando o nódulo cresce, o paciente pode perceber aumento (caroço) na região anterior do pescoço, geralmente indolor.

IOP –De que forma é feito o diagnóstico e o tratamento em caso de malignidade?
JK –
A punção do nódulo de tireoide é o melhor método disponível para distinguir lesões benignas e malignas. Além disso, é um procedimento ambulatorial de baixo custo, e praticamente sem risco de complicações sérias. Mas a qualidade do exame depende da experiência de quem realiza esse procedimento e do citopatologista que analisa o material aspirado. Quando o laudo da punção indica malignidade, o tratamento é cirúrgico, através da remoção de toda a glândula. Após a cirurgia, o paciente é encaminhado para a complementação do tratamento com iodo radioativo em serviço de Medicina Nuclear. O tratamento cirúrgico e a terapia com iodo radioativo costumam ser muito eficazes para eliminar o câncer de tireoide. A reposição do hormônio da tireoide é realizada através de medicação de uso contínuo, e a sua dose deve ser ajustada adequadamente pelo médico endocrinologista, pois esse cuidado evita a recidiva da doença.

IOP – Existe uma faixa etária mais suscetível ao câncer de tireoide?
JK –
O câncer de tireoide é três vezes mais frequente em mulheres, mas a doença afeta também homens. A faixa etária de mais risco é entre 25 e 65 anos.

IOP – Como devo fazer o autoexame? Palpação na região do pescoço?
JK –
O autoexame do pescoço pode ser feito pela palpação de um “caroço” ou nódulo, ou pela sensação de aumento da região anterior do pescoço. Porém, muitas vezes é o médico que detecta o nódulo durante o exame físico do paciente. O exame de ultrassonografia é solicitado para avaliação do tamanho e das características do nódulo.

IOP – Quem tem hipotireoidismo ou hipertireoidismo tem probabilidade de desenvolver câncer?
JK –
Nem o hipotireoidismo nem o hipertireoidismo estão relacionados com o câncer de tireoide.

Mais informações em www.iop.com.br

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.