Surda Unilateral recebe implante e volta a ouvir em Londrina

A Clinica Orley Ferraz com o apoio do Hospital Evangélico realizou no final do mês de abril, quatro cirurgias para colocada do implante de condução óssea chamado Bonebridge, da marca austríaca MED-EL.

As cirurgias foram as primeiras realizadas na região para disseminar a nova tecnologia aos médicos otorrinos e fonoaudiólogos. O implante de condução óssea é composto por uma parte interna que faz a vibração óssea e a parte externa composta por dois microfones.
A parte interna é implantada por meio de uma cirurgia e logo depois de alguns dias é colocada a parte externa por atração magnética e feita a ativação.
Manoela Munhoz foi uma das pacientes implantadas, com diagnostico de perda condutiva profunda no ouvido esquerdo por otite média crônica. Por conta do tipo de perda auditiva, ela não pode se beneficiar de aparelhos auditivos convencionais (AASI).
“Estamos a quase um mês da ativação e minha vida mudou muito. Só tenho a agradecer aos médicos, fonoaudiólogos e a todos os envolvidos para que hoje eu pudesse desfrutar do mundo dos sons em sua totalidade. Chega de ouvir em mono, agora quero ouvir só em stereo!”, concluiu a paciente.
A londrinense também é criadora da página Deficiência Auditiva Unilateral que tem como objetivo ajudar surdos com o mesmo diagnostico.
SURDEZ UNILATERAL
A deficiência auditiva é classificada como a perda parcial ou total da audição. No entanto a partir de 2004, o decreto nº 3.298/99 sofreu uma alteração com aprovação do decreto nº 5.296/2004. E o deficiente auditivo passa a ser apenas as pessoas que sofrem com a perda de audição bilateral (nos dois ouvidos).

Surdos Unilaterais – SU (de um ouvido) sofrem com diversas consequências da doença, como não conseguir localizar o som, incompreensão da fala em ambientes com ruídos, dificuldade para conversar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo e ignorância das pessoas. Esses são grandes empecilhos na hora de um surdo unilateral estudar e buscar um emprego.

Na escola ou na faculdade, os surdos unilaterais devem buscar sentar a frente, para compreender com clareza a fala dos professores e quando devem sentar em círculos, eles conseguem compreender apenas a fala dos que estão ao seu lado. A distância e o ruído dentro de sala de aula impedem o surdo unilateral de ter 100% de aproveitamento na escola.

No trabalho, os surdos unilaterais encontram uma barreira muito grande antes mesmo de serem contratados, o exame médico.  Quando um SU compete a uma vaga de trabalho, geralmente , quando passa por teste médico é desclassificado, porque não ele é considerado apto para o cargo. Principalmente quando os cargos requeridos são em ambientes ruidosos ou quando é necessário o uso do telefone. Em contrapartida, quando esse mesmo surdo compete a uma vaga para Pessoas Com Deficiência (PCD) também é desclassificado, porque ele não é considerado um deficiente.

Surdos Unilaterais do Brasil têm se unido em grupos como o caso da comunidade e da página Deficiência Auditiva Unilateral no Facebook, para lutar a favor da mudança no decreto 5.296/2004. Eles querem ser inseridos como Deficientes Auditivos e terem o mesmo direito que surdos bilaterais.

<manoelacalisto@gmail.com>

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.