FICBIC traz quatro clássicos do cinema francês na mostra Circuitos

O Circuito Cinema Francês traz para esta edição do Festival de Cinema da Bienal Internacional de Curitiba (FICBIC 2016) quatro clássicos, todos exibidos em película 35mm. São dois filmes de Robert Bresson e dois outros de Jean Renoir e Agnès Varda, grandes nomes da cinematografia francesa. A mini-mostra tem curadoria de Aristeu Araújo.

É fácil afirmar que entre as obras apresentadas, O batedor de carteiras mostra-se como o filme mais importante da seleção. É uma das mais emblemáticas obras do cineasta Robert Bresson, que também tem na mostra As damas do Bosque de Boulogne. Será uma oportunidade única para o público, que terá acesso a filmes fundamentais e em formato original. Os outros dois longas são French Cancan, de Jean Renoir, e Jacquot de Nantes, de Agnès Varda.

Robert Bresson é um dos maiores nomes do cinema mundial.  São dele O processo de Joana d’Arc (1962), O dinheiro (1983) e Diário de um pároco de aldeia (1951). Ao longo da carreira, Bresson angariou dezenas de prêmios, incluindo honrarias nos festivais de Cannes e Berlim, dois dos mais prestigiados no mundo.

Bresson iniciou sua carreira com um curta-metragem de comédia, algo absolutamente incomum em sua filmografia. Com a Segunda Guerra Mundial foi detido na Alemanha, onde ficou como prisioneiro por um ano. Em 1943, realizou seu primeiro longa-metragem, O anjo do pecado. Logo em seguida, no ano de 1945, lança As damas do Bosque de Boulogne, que viria a ser seu último filme com atores profissionais. Essa escolha deu-se porque Bresson passou a trabalhar de forma minimalista, preocupando-se, sobretudo, em não trazer para o cinema o que ele chamava de teatro filmado. O cineasta acreditava que atores profissionais trariam vícios de interpretação que distanciariam os personagens de uma maior veracidade. Por ter sido seguidor do jansenismo – uma corrente religiosa que prega uma rígida disciplina para se alcançar a iluminação –, Bresson também passou a transportar aspectos de seu moralismo para a tela, buscando também no cinema o rigor que impunha para sua vida.

O batedor de carteiras foi livremente inspirado no romance Crime e castigo, do russo Fiódor Dostoiévski. Preocupado em alcançar o extremo naturalismo, Bresson chegou a contratar um ladrão para dar assessoria, não deixando transparecer qualquer tipo de falsidade nas cenas de roubo. O resultado foi tão impressionante que a polícia francesa proibiu o filme por dois anos, com medo de que ladrões de verdade pudessem aprender novas técnicas.

Jean Renoir realizou cerca de quarenta filmes ao longo de 46 anos de carreira, de 1924 a 1970, alcançando uma impressionante média de quase um filme por ano. Mas é em 1937 que surge sua obra-prima, o filme pelo qual é imediatamente lembrado, A grande ilusão. O longa-metragem trata da Primeira Guerra Mundial, conflito no qual o próprio cineasta participou como piloto. Ele emigrou para os Estados Unidos, em 1941, após a França ser invadida pelas tropas nazistas.

French Cancan, o filme que será exibido na mostra, data de 1954 e funciona como uma grande reverência ao seu pai, o impressionista Auguste Renoir. Por isso, a fotografia é o que há de mais impressionante na obra, já que o cineasta procurou se aproximar da pintura, realizando um filme pictoricamente irretratável. O longa concentra-se no período de criação do Moulin Rouge, a célebre casa noturna parisiense, que abrigou a boemia artística a partir do ano de 1889.

Agnès Varda, nascida em 1928, é diretora de aproximadamente cinquenta filmes e continua produzindo. O seu último longa, Visages, visages, está previsto para ser finalizado em 2017. Varda é conhecida por obras como Cléo das 5 às 7 (1962), Os catadores e eu (2000) e As praias de Agnès (2008). Jacquot de Nantes, de 1991, é sua obra em homenagem a Jacques Demy, cineasta com quem foi casada por trinta anos, morto em 1990. O filme é uma das mais impressionantes declarações de amor do cinema e está dentro de um certo processo de rememoração que Varda busca em sua obra. O longa funciona como um docudrama, misturando imagens ficcionais com documentais.

O Festival de Cinema da Bienal Internacional de Curitiba 2016 é apresentado pela Petrobras, organizado pela Bienal de Curitiba com apoio da Unespar-FAP, FCC e Prefeitura de Curitiba e realizado pelo Ministério da Cultura Secretaria de Estado da Cultura/Governo do Paraná. Conta com patrocínio do BNDES e Itaipu Binacional por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Co-patrocínio da Fecomércio PR, SESC Paraná.

Este ano, a mostra Circuitos ainda traz mini-mostras da cinematografia japonesa, paraguaia e alemã.

 

PROGRAMAÇÃO CIRCUITOS – CINEMA FRANCÊS – CINE GUARANI

 

24 de Outubro

17h30 – Jacques de Nates

20 horas – As Damas do Bosque Boulogne

 

26 de Outubro

18 horas – O Batedor de Carteiras

20 horas – French Cancan

 

27 de Outubro

18 horas – As Damas do Bosque Boulogne

20 horas –  O Batedor de Carteiras

 

28 de Outubro

17 horas – French Cancan

19h30 – Jacques de Nates

 

INGRESSOS GRATUITOS

 

Serviço

Festival de Cinema da Bienal Internacional de Curitiba 2016

Data: 20 a 28 de outubro

Locais: Espaço Itaú de Cinema (Shopping Crystal), Cinemateca de Curitiba, Sesc Paço da Liberdade e Cine Guarani(Portão Cultural)

Ingressos: R$ 4,  R$ 2 (meia) e gratuito

Patrocínio: Petrobras, BNDS e Itaipu Binacional

Co-patrocínio: Fecomércio-PR, Sesc, Master Brasil e M2 Sys

Realização: Ministério da Cultura e Secretaria de Estado do Paraná/Governo do Paraná

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danibrito@danibrito.com.br

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