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Crise de abstinência aumenta a dificuldade em parar de fumar

Sociedade Paranaense de Cardiologia promove, em 31 de maio (Dia Sem Tabaco), ação para conscientizar a população sobre os riscos do cigarro

Valdirene Souza e Luan Romero são colegas de trabalho. Além de compartilhar o ambiente profissional, são companheiros nas escapadas para fumar. Ela fuma há mais de 25 anos; ele começou há três. Ambos querem parar, mas, sabem do desafio. “Fico ansioso só de pensar a respeito”, diz Romero. Valdirene, que já conseguiu parar uma vez, sabe que largar o cigarro não é nada fácil. “Além de mim, quem está ao meu redor também sofrerá caso eu resolva deixar de fumar”, alega com conhecimento de causa.

E não é para menos. Ao abandonar o vício, o primeiro desafio é a síndrome da abstinência, que pode incomodar quem esta por perto, pois causa, entre outros sintomas, da irritação e do nervosismo, como explica o cardiologista Gerson Luiz Bredt Junior, presidente da Sociedade Paranaense de Cardiologia (SPC). “A síndrome de abstinência pode durar até 30 dias, e muitas vezes, o paciente precisa de apoio farmacológico para passar esse período. Ele pode vivenciar alto grau de ansiedade, fome, alteração na concentração, depressão e angústia”, enumera.

Apesar dessa fase difícil, o cardiologista ressalta que vale a pena tentar, pois, “continuar fumando potencializa radicalmente as chances de o indivíduo desenvolver doenças cardiovasculares, sofrer infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC), câncer, bronquite, ou seja, compromete seriamente a saúde da pessoa”. “A dificuldade em largar o vício só não supera os malefícios que o fumo traz – a curto, médio e longo prazo – à vida do fumante”, enfatiza.
Os males vêm das substâncias contidas no cigarro. Embora seja uma droga legalizada, a nicotina provoca dependência química maior que substâncias ilícitas, como cocaína e heroína. “Existem dezenas de substâncias nocivas no tabaco, mas a nicotina é a responsável pela dependência química e psicológica”, ressalta.

Dia sem tabaco
Para conscientizar sobre os riscos do vício do cigarro, a Sociedade Paranaense de Cardiologia (SPC) promove no Dia Mundial sem Tabaco, lembrado no dia 31 de maio, ação de conscientização sobre os malefícios do tabagismo. Neste ano, a campanha será realizada na Praça Santos Andrade, em Curitiba, das 9h às 16h, e contará com aferição de pressão arterial. O objetivo é demonstrar que o vício faz mal para a saúde física, mental e até econômica do fumante. “O tabagismo é uma doença crônica, mas, felizmente, ela possui tratamento. E também vale lembrar que abandonar o cigarro pode resultar uma vida melhor ao longo de décadas”, afirma o médico.

Informações sobre o tabagismo
– O tabagismo é considerado a principal causa de morte evitável em todo o mundo.
– A pessoa que fuma fica dependente da nicotina, considerada uma droga poderosa que atua no sistema nervoso central.
– O estresse é a principal armadilha para o problema com do tabagismo, ele acaba funcionando como uma válvula de escape para situações de grande estresse e ansiedade.
– Quase 6 milhões de pessoas morrem, todos os anos, em decorrência do tabaco.
– As perspectivas são de que esse número possa chegar a 8 milhões até 2030.
– Pelo menos 600 mil são fumantes passivos, ou seja, convivem com fumantes e acabam inalando a fumaça do cigarro e com elas todas as substâncias venenosas.

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