Spinraza (nusinersena), primeiro tratamento para atrofia muscular espinhal (AME), aprovado no Brasil

A Biogen Brasil anunciou hoje que a Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aprovou o registro do medicamento SPINRAZA™ (nusinersena) para o tratamento da atrofia muscular espinhal (AME) 5q, a forma mais comum da doença que representa aproximadamente 95% de todos os casos de AME1. O SPINRAZA™ é a primeira terapia aprovada no Brasil para AME, principal causa genética de morte de bebês e crianças. A doença é caracterizada por fraqueza muscular debilitante e progressiva. O dossiê de registro foi analisado com prioridade pela Anvisa, dada a inexistência de terapia disponível para a doença.

“Hoje nos juntamos aos pacientes afetados pela AME e seus familiares em todo o Brasil para comemorar a aprovação do SPINRAZA™. Com base nos resultados demonstrados nos estudos clínicos, estamos certos que SPINRAZA terá um impacto significativo nos pacientes que vivem com esta doença devastadora”, disse Sameer Savkur, diretor geral da Biogen Brasil. “Como parte de nossa missão de melhorar a vida dos pacientes afetados pela AME, permanecemos firmes em nosso compromisso de trabalhar com as agências governamentais, profissionais de saúde e associações de pacientes para garantir que os pacientes afetados pela doença possam se beneficiar dessa terapia e tenham acesso ao tratamento o mais rápido possível.”

A aprovação do medicamento SPINRAZA™ baseia-se principalmente em resultados de dois estudos pivotais, multicêntricos, controlados: ENDEAR (AME tipo 1) e CHERISH (AME tipo 2 e 3), que demonstraram resultados positivos para o tratamento da doença.

A análise conclusiva do estudo ENDEAR mostrou que o grupo que recebeu o tratamento ativo nos estudos atingiu resultado estatisticamente significante (51%), no quesito desenvolvimento motor, em comparação ao grupo controle que não teve acesso à terapia durante o estudo (0%), (p < 0,0001). Algumas crianças do grupo tratado com SPINRAZA™ alcançaram outros marcos motores, incluindo controle total da cabeça, capacidade de rolar, sentar e ficar de pé. Além disso, os lactentes tratados com SPINRAZA™ demonstraram uma redução estatisticamente significativa (47%) no risco de morte ou ventilação permanente (p = 0,0046).

O estudo CHERISH, indicou uma melhora estatisticamente relevante e clinicamente significativa na função motora em crianças com AME de início tardio (tipo 2 ou 3) tratadas com SPINRAZA em comparação às crianças não tratadas. Os resultados foram mensurados pela Escala Motora Funcional Expandida de Hammersmith (HFMSE) e demonstraram uma evolução de 5,9 pontos na alteração média desde o período basal até o mês 15 na pontuação HFMSE (p = 0,0000002). A HFMSE é uma ferramenta confiável e validada, especificamente projetada para avaliar a função motora em crianças com AME. Os dados conclusivos do estudo de Fase 3 foram apresentados no encontro anual da Academia Americana de Neurologia em Boston, Massachusetts, em abril de 2017 e são consistentes com a análise interina.

“Os resultados clínicos gerais corroboram a eficácia e a segurança do medicamento nos diversos tipos da doença, incluindo melhoras significativas no desenvolvimento motor e na redução no risco de morte em lactentes”, declarou Elaine Rahal, diretora médica da Biogen para a América Latina. “Esse padrão de resposta sem precedentes traz esperança aos pacientes que antes não tinham tratamentos disponíveis para evitar a perda de função motora ao longo do tempo. Estamos observando um padrão de desenvolvimento motor com o SPINRAZA™ que nunca foi visto no curso natural da doença.”

O SPINRAZA™ deve ser administrado via injeção intratecal, por punção lombar, que leva o medicamento diretamente ao líquido cefalorraquidiano ao redor da medula espinhal2, onde ocorre a degeneração dos neurônios motores3. O SPINRAZA™ demonstrou um perfil de segurança favorável. Após a administração de nusinersena e de outros oligonucleótideos antisense, administrados por via subcutânea ou intravenosa, foram observados trombocitopenia, toxicidade renal e anormalidades de coagulação, incluindo trombocitopenia grave aguda. Existe um risco de ocorrência de reações adversas como parte do procedimento de punção lombar (por exemplo, cefaléia, dor nas costas, vômito e infecções do sistema nervoso central etc.).

Antes de estar disponível para comercialização no Brasil, SPINRAZA™ ainda precisa passar pelo processo de regulação de preço, conduzido pela Câmara Reguladora do Mercado de Medicamentos (CMED) da Anvisa. A decisão de disponibilização do medicamento no SUS cabe ao Ministério da Saúde, mediante solicitação da empresa após processo de registro do preço local. A Biogen disponibiliza um serviço de informações para pacientes e familiares que queiram buscar mais informações – 0800 724 00 55.

Sobre a AME 4-8

A Atrofia Muscular Espinhal (AME) é caracterizada pela perda de neurônios motores na medula espinhal e tronco cerebral inferior, resultando em atrofia muscular e fraqueza grave e progressiva. Indivíduos com AME tipo 1, a forma mais grave, podem perder funções motoras básicas e apresentam dificuldade para desempenhar funções básicas da vida, como respirar e engolir.

Em virtude da perda ou defeito no gene SMN1, as pessoas que vivem com AME não produzem quantidade suficiente de proteína de sobrevivência do neurônio motor (SMN). Tal proteína é essencial para a sobrevivência e manutenção dos neurônios motores. A gravidade da AME está correlacionada com a quantidade de proteína SMN. As pessoas com AME Tipo 1, a forma mais grave da doença e que exige cuidados mais intensivos, produzem pouca proteína SMN e não conseguem se sentar sem apoio ou viver além de dois anos de idade sem suporte respiratório. Pessoas com AME tipo 2 e 3 produzem maiores quantidades de proteína SMN e apresentam formas de AME menos graves, mas que ainda causam grandes impactos na qualidade de vida.

Sobre SPINRAZA™ (nusinersena)

O SPINRAZA™ é um oligonucleótido antisense – tecnologia antisense de propriedade da empresa Ionis Pharmaceuticals. Essa tecnologia foi desenvolvida para tratar a AME causada por mutações ou deleções no gene SMN1, localizado no cromossomo 5q, que leva à deficiência na produção de proteína SMN. O SPINRAZA™ altera a divisão do pré-mRNA de SMN2 para aumentar a produção de proteína SMN de comprimento completo. Os oligonucleótidos antisense são pequenas cadeias sintéticas de nucleotídeos projetadas para se ligar seletivamente ao RNA alvo e regular a expressão gênica. Através do uso desta tecnologia, o SPINRAZA™ tem o potencial de aumentar a quantidade de proteína SMN de comprimento completo em indivíduos com AME.

Sobre a Biogen

Por meio da ciência e medicina de ponta, a Biogen descobre, desenvolve e oferece terapias inovadoras em todo o mundo para pessoas que vivem com doenças neurológicas e neurodegenerativas graves. Fundada em 1978, a Biogen é pioneira em biotecnologia e possui o principal portfólio de medicamentos para tratar a esclerose múltipla, introduziu o primeiro e único tratamento aprovado para a atrofia muscular espinhal e está na vanguarda da pesquisa neurológica para distúrbios graves como doença de Alzheimer, doença de Parkinson e Esclerose Lateral Amiotrófica. A Biogen também fabrica e comercializa biossimilares de produtos biológicos avançados. Para mais informações, visite www.br.biogen.com.

Referências

1. Farrar MA, Kiernan MC. The Genetics of Spinal Muscular Atrophy: Progress and Challenges. Neurotherapeutics; 2015; 12:290–302.
2. Lunn MR, Wang CH. Spinal muscular atrophy. Lancet. 2008;371(9630):2120-2133.
3. Darras B, Markowitz J, Monani U, De Vivo D. Chapter 8 – Spinal Muscular Atrophies. In: Vivo BTD, ed. Neuromuscular Disorders of
Infancy, Childhood, and Adolescence (Second Edition). San Diego: Academic Press; 2015:117-145.
4. Lefebvre S, Burglen L, Reboullet S, et al. Identification and characterization of a spinal muscular atrophy-determining gene. Cell.1995;80(1):155-165.
5. Mailman MD, Heinz JW, Papp AC, et al. Molecular analysis of spinal muscular atrophy and modification of the phenotype by SMN2. Genet Med. 2002;4(1):20-26.
6. Monani UR, Lorson CL, Parsons DW, et al. A single nucleotide difference that alters splicing patterns distinguishes the SMA gene SMN1 from the copy gene SMN2. Hum Mol
Genet. 1999;8(7):1177-1183.
7. Peeters K, Chamova T, Jordanova A. Clinical and genetic diversity of SMN1-negative proximal spinal muscular atrophies. Brain.2014;137(Pt 11):2879-2896.
8. Hua Y, Sahashi K, Hung G, Rigo F, Passini MA, Bennett CF, Krainer AR. Antisense correction of SMN2 splicing in the CNS rescues necrosis in a type III SMA mouse model. Genes Dev. 2010 Aug 1; 24(15):16344-44.

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