A batalha não é só minha, mas ainda estou na guerra

Por Wemerson Damasio*

Ano escolar vai e ano escolar vem. Nos últimos anos, a história é sempre a mesma. Escolas públicas, municipais e estaduais, sem professores e quando os têm, muitas vezes estão desanimados e cansados de serem apedrejados, ora pelo próprio governo que explora, ignora e os fazem de massa de manobra, ora pela própria comunidade que não compreende, ignora e os fazem de babás, não das crianças e adolescentes, mas de si própria que não sabe o que fazer com aqueles que estão aos seus cuidados.

Não bastasse o descaso do governo com a educação em 2017 (a exemplo das universidades estaduais), o ano de 2018 não iniciou diferente. Distribuição de aulas para os professores contratados, que tiveram seus salários rebaixados, uma verdadeira, pelo perdão da palavra, baderna (estive lá, sei do que estou falando), distribuidores mal preparados, mal organizados, mal educados (o que eu não compreendo, pois isso acontece há anos, e se tem problemas há anos o caso já deveria ter sido resolvido, afinal, o estado tem uma secretária da educação, que dizem as más línguas, ser professora. Eu discordo, uma vez que professores ensinam e educam, e se não é capaz de ensinar e educar seus poucos subordinados, quem dirá um Estado inteiro com salas de aula lotadas, portanto não é digna de tal título. E não me venha com a desculpa de que não se trata apenas dela, pois quando estou diante de uma sala de aula, se trata apenas de mim e minha postura para com as minhas alunas e os meus alunos. Pronto desabafei).

Voltando ao assunto... Então, uma humilhação a distribuição de aulas para os professores contratados, mas a história não acaba aí. O governo do estado (afim ao lema “educação é prioridade”) resolveu ser maior que o MEC (sim eu sei, coisa de “a bola é minha”) e não validar os cursos feitos pelos meus colegas de profissão (nesse momento nem vou cogitar a eficiência desses cursos, pois não é esse o mérito, mesmo por que o estado também não poderia, afinal os cursos pedagógicos anuais, oferecidos pela SEED duas vezes ao ano, não passam de uma enrolação e de um despreparamento descomunal). Se trata aqui de o estado achar que é superior a um ministério nacional e por conta do “a bola é minha” ter que refazer toda a distribuição de aulas. Resultado: encarar, mais uma vez, pessoas despreparadas, mal educadas, sol, chuva e a ansiedade por conseguir aulas ou não, ou seja, uma bagunça, digna de início de ano escolar dos últimos anos.

Mas, se você chegou até aqui e não é do núcleo professoral, dar-lhe-ei (mesóclise, amo, e sabe por quê? Porque aprendi na escola, em uma escola pública, a qual tenho muito orgulho, pois funcionava) um conselho: o que está havendo na educação do Paraná não diz respeito somente aos professores, mas sim, a todos os envolvidos, inclusive seu filho, sua sobrinha, seu neto, sua enteada... diz respeito a todos vocês que, costumeiramente, se unem ao governo, para nos humilhar, rebaixar e dizer que reclamamos de barriga cheia.

Cheio estou eu de tanto descaso e panos quentes com a educação daqueles que prometem ser o futuro do nosso país. Portanto, se você acredita que essas crianças e adolescentes podem mudar a nossa nação, não se reprima, revolte-se também. Você tem uma parcela importantíssima para o futuro do país. Afinal é essa criança, esse ou essa adolescente em sua casa que poderá tornar nosso país, quiçá o mundo, melhor. O meu salário? Isso é o de menos. Poucos, como eu, têm a opção de não trabalhar para o estado por não aceitar tais humilhações e não concordar com o que nos é imposto, mas isso não faz de mim alheio ao que está acontecendo. Não se permita a tal desleixo.

 *Wemerson Damasio, é professor, mestrando do Profletras-UEM, co-autor do livro infantojuvenil As Crônicas de Miramar: O Segredo do Camafeu de Prata e não, não é sindicalizado.

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