ARTIGO| Ayrton Baptista | LULA E DILMA SOBEM

Ayrton Baptista
           
            Esta semana em Brasília poderá transformar-se em histórica. Tantas outras já o foram. Através dos anos, desde a renuncia de Jânio Quadros, do afastamento de João Goulart, mais a expulsão de Fernando Collor, muitas semanas marcaram a política brasileira. De modo profundo, pois se Brasília é a sede, o restante do país vê a repercussão impactando cidades e Estados. Por outro lado, muitas ameaças de semana apavorantes foram cortadas a tempo e o país conseguiu ir em frente.
            Para esta e talvez até o final do mês dois fatos poderão determinar mudanças sensíveis no panorama brasileiro. De um lado, o estudo por parte da Mesa da Câmara Federal dos pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A pressão para que tome a iniciativa de recusar ou não os procedimentos nesse sentido bate constantemente às portas do gabinete do deputado Eduardo Cunha, que não fala, mas que deve estar rindo à toa. Tem a faca e o queijo na mão e com um gesto pode provocar um terremoto no plenário da Câmara e outros tantos na vida política do país. Parece já haver uma combinação entre Cunha e as oposições: ele rejeita os pedidos, inclusive o de maior embasamento, e os parlamentares recorrem para uma votação pelo plenário. Por isso é que se espera, caso o fato tenha encaminhamento, que juristas de renome façam seus estudos baseados na letra fria da constituição.
            Já não bastasse essa iniciativa e seus desdobramentos no que se refere a presidente Dilma Rousseff e paralelamente delegado da Política Federal insiste em que o ex-presidente Lula seja ouvido sobre o escândalo da Petrobrás, ainda que não tenha surgido até então indícios de uma participação estranha do ex-chefe da Nação. Ora, se perguntados, tanto Lula como Dilma dirão que a história de que ambos sabiam dos problemas ocorridos na Petrobras não passa de balela. Não passa de provocação política de quem não esperava a vitória de Dilma no segundo mandato.
            No meio disso tudo temos a engasgar todas as gargantas saudáveis o rebaixamento do país pela Standar & Poor’s. Ora, é até folclórico o ex-presidente Lula referir-se ao ato com menor importância, ao contrário do que festejou no acolhimento do Brasil na mesma empresa poucos anos atrás.
            Seja como for, ou há base objetiva para um impeachment e razões concretas para ouvir o ex-presidente Lula quanto a possível envolvimento ou conhecimento do que se passava na Petrobrás, ou todos os parlamentares e lideranças políticas deste país estarão é enchendo a bola de Dilma e de Lula.
            Ou quem trata desses assuntos estão baseados em fatos irrefutáveis, ou veremos logo logo o “ibope” tão baixo de Lula e de Dilma se transformarem em estopim para uma retomada positiva de política de cada um, ainda que ambos forçados a se aturarem, e conquistarem paulatinamente o crescimento político. Lula pode vir aí, todos sabemos. Basta que haja um cochilo político. Não se brinca com fogo.
Ayrton Baptista, jornalista.

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