ARTIGO / Professor: o profissional que forma os profissionais / João Carlos da Costa

Professor:
o profissional que forma os profissionais
João
Carlos da Costa
Se perguntarmos
qual a profissão mais importante para alguns adultos, as respostas recairão
geralmente nas que exercem no momento ou gostariam de exercer algum dia e,
principalmente, a que dá maior lucro financeiro e “status”, preferencialmente
nesta ordem. Nem todos se lembrarão do professor, porque esta profissão já não
se encaixa nesse critério de avaliação, pois na atual conjuntura do sistema
educacional brasileiro, não tem o reconhecimento merecido, condições de
trabalho entre outras necessidades e com isso não há o que falar em “status” ou
salários dignos. O que torna o exercício da função um ato de heroísmo.
 Houve um tempo em que o Professor era
valorizado. Há muitos anos esta foi uma das profissões mais respeitadas e
cobiçadas. Todo mundo queria ser professor não só pela nobreza do cargo, que na
sociedade extemporânea eram reconhecidos como autoridade. Nas escolas, tinham
autonomia sobre a educação comportamental dos alunos, pois quando alguém
desobedecia às suas ordens, podiam 
aplicar os modelos disciplinares rígidos, com o intuito de ensinar e
preservar o respeito com o próximo e evitar qualquer tipo de agressão. Embora
as “rusgas” fossem quase que inevitáveis e o acerto ficava sempre marcado para
fora dos portões. Os castigos físicos mais comuns para quem infringia os
regulamentos era ficar ajoelhado em cima de grão de milho, num canto, olhando
para a parede. Tinha também a palmatória, um instrumento muito utilizado para bater
nas mãos dos alunos e também os puxões de orelha. Tudo isso com a anuência dos
pais, pela  necessidade de reforçar o que
aprendiam em casa sobre comportamentos morais, éticos e disciplinares, numa
forma redobrada de ensinamento.
Era possível
separar os professores ruins dos bons, não pela qualidade de ensinamento, mas
pelas suas exigências nas tarefas ou pela sisudez, que muitas vezes impunha
respeito só pela maneira de olhar e agir em sala de aula. Havia obrigação de
decorar a tabuada, conjugações verbais, história, geografia e a matemática que
sempre foi um “bicho-papão” de muita gente, assim como química e física, que
envolviam fórmulas de quebrar a cabeça. Havia muita exigência e rigidez, sim,
mas uma coisa é certa: quem aprendeu naquelas épocas, de fato aprendeu e, com
certeza, não esqueceu. Hoje o ensino está modernizado,  mais focado e objetivo, porém é lamentável
ver pessoas, até mesmo com nível de ensino superior pegar uma calculadora para
saber que valor deve ser devolvido para descontar R$ 0,30 (trinta centavos) de
uma nota de cinco reais ou fazer um desconto em percentagem. Fatos estes que
ocorrem diariamente em lojas e mercados. E de quem é a culpa? Certamente não é
de professores que se submetem ao que lhes é imposto através de um sistema educacional
falido, que além de não valorizar os profissionais da educação, não permite que
alunos do ensino fundamental reprovem, para não causar transtornos
emocionais.  Pode ser  por causa do incentivo ao uso de equipamentos
eletrônicos, que agilizam por um lado, mas por outro torna o cérebro preguiçoso
e estanca a capacidade de raciocínio, porém isso não justifica a situação atual
do ensino, principalmente o público, pois mesmo sendo um dos setores mais
básicos para o desenvolvimento de uma nação a educação só é considerada
prioridade nos pronunciamentos políticos, nos projetos que muitas vezes são
encaminhados, mas nem sempre exequíveis porque raras são as exceções quando os
recursos solicitados são liberados e um plano é concluído sem que seja a
proposta original alterada. Além disso, o sistema é injusto com aluns e
com  professores. Diariamente são
noticiados casos de crianças que percorrem distâncias a pé ou em transportes em
condições precárias, para frequentar escolas em locais longínquos. E  muitas dessas escolas possuem professores
voluntários que prestam serviço de alfabetização e ensino, sem as estruturas
necessárias para um bom aprendizado e quando possuem é com o apoio da
população, que muitas vezes faz mutirão para não prejudicar crianças em idade
escolar.  Somam-se a isso, problemas de
relacionamento enfrentado por diversos professores que não conseguem se impor
na sala de aula sob o risco de serem ameaçados de agressão e morte por alunos
ou pais de alunos descontentes com notas negativas ou por não aceitar qualquer
tipo de repreensão. Quase nada se tem feito em relação a essas situações.
Parece não haver interesse em melhorar a educação. E dá a impressão que muitos
políticos não fazem questão, pois quanto mais ignorante um povo, mais fácil de
ser manipulado.
Por esses e
outros motivos, ser professor nos dias de hoje equivale a ser um super-herói,
sujeito aos baixos salários, humilhações e desinteresse daqueles que deveriam
prezar o lado humano e a dedicação dessas pessoas que  fazem o que podem e como podem, na maioria
das vezes com  sacrifício para
mostrar  o melhor caminho para  a construção de uma sociedade mais justa,
democrática, cidadã, digna e igualitária, fundada nos  valores éticos e morais. Esquecem alguns,,
que são os professores que formam os profissionais!. Aos mestres, com
carinho!!!

João Carlos da Costa é Bel. em
Direito (aprovado na OAB), Bel. Químico, Professor, Jornalista e Escrivão de
Polícia, e-mail: joao_22@terra.com.br

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