Gestão familiar: nós prezamos por ela

*Por Victor Simas, presidente da Confenar, Confederação Nacional das Revendas Ambev e das Empresas de Logística da Distribuição

Fundar uma empresa, vê-la crescer, superar crises e completar décadas de existência é uma conquista que poucos empresários atingem. Exige muita dedicação, planejamento e conhecimento de mercado. E acredito que, assim como eu, aqueles que alcançam a longevidade almejam que o negócio permaneça na família. Que os filhos, netos, bisnetos, geração após geração, sejam capazes de tocar o barco, de prosperar ainda mais.

Sei que não é tarefa fácil. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cada 100 empresas familiares ativas, 30 chegam à segunda geração e somente 15 alcançam a terceira. Os fatores para o fracasso são diversos, tais como desavenças entre os líderes, dificuldades com questões emocionais, interesses pessoais e por aí vai – aspectos esses que não nos cabe discutir agora.

Quero falar sobre a família. Sobre a possibilidade de inserir os jovens no negócio e a importância de se ter um plano de carreira familiar. Quem tem uma empresa e herdeiros precisa, desde o princípio, pensar nessa transição. Percebo que a maioria das 110 revendas associadas à Confenar – Confederação Nacional das Revendas Ambev e das Empresas de Logística da Distribuição, a maior rede de distribuição de bebidas do Brasil, tem essa preocupação. Processos de sucessão planejados com antecedência têm mais chances de ser bem-sucedidos e seguros para os negócios.

Claro que, antes de qualquer coisa, é fundamental saber se existe o interesse do herdeiro em assumir a Revenda. Caso contrário, não há sentido algum em toda a preparação. Se interessado, o jovem deve se capacitar, fazendo uma boa faculdade e cursos. Precisa, ainda, participar ativamente do dia a dia do negócio, passando por todas as áreas e assim entendendo como as engrenagens rodam por ali. Acredito que seja importante também experimentar outros ares, uma pós-graduação em um país diferente, por exemplo. Ou um estágio em uma empresa onde o sobrenome não tenha peso, para vivenciar a competição do mercado corporativo. É essencial sair, explorar e voltar com disposição e orgulho por tudo o que foi construído pelas gerações anteriores.

Dentro da Confederação, criamos o Núcleo Jovem, formado por filhos e netos dos revendedores que futuramente vão assumir as revendas. Nesse projeto, eles participam ativamente dos encontros de planejamento e desenvolvimento das ações da entidade. Têm a oportunidade de contribuir com ideias, sugestões e entenderem como são tomadas as decisões.
Mas o Núcleo vai bem além. É um encontro de gerações, uma troca de experiências que só agrega conhecimento para o ambiente de trabalho, com a precisão dos executivos que estão há mais tempo no negócio e com a ousadia e novas ideias dos mais jovens. O que vejo com frequência nesse projeto é a forma diferente que os iniciantes têm de abordar questões antigas e a experiência dos veteranos em proteger os negócios de uma maneira responsável.

“Troca” sempre será a palavra-chave para o crescimento. O conhecimento de gerações diferentes supera os obstáculos. E eu acredito fortemente na importância da gestão familiar. Sem dúvidas, me sinto confiante de saber que, no futuro, teremos gestores ainda melhores e mais capacitados que irão assumir os negócios e que ele estará em boas mãos.

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