Futuro sustentável para as cidades abre o segundo dia de palestras na Smart City Expo 2018

Referência no país quando o assunto é sustentabilidade, o jornalista André Trigueiro, especialista em gestão ambiental, fez a palestra de abertura do segundo dia da Smart City Expo 2018, na manhã desta quinta (1°). Apresentador e editor-chefe desde 2006 do programa “Cidades e Soluções”, da GloboNews, Trigueiro abordou a questão do futuro sustentável para as nossas cidades, sem o qual – segundo enfatizou – as soluções inteligentes e tecnológicas se tornam infrutíferas.

“A realidade municipal pelo Brasil está distante do conceito de smart city. Nossas cidades são pobres e inadimplentes, com prefeitos muitas vezes analfabetos funcionais sem equipes capacitadas a redigir os projetos para solicitar os fundos existentes em Brasília. Nesse contexto, o planejamento inicial para estes municípios requer um diagnóstico de problemas, a reunião de pessoas capacitadas e a busca de recursos materiais e humanos”, analisa.

Impostos inteligentes

O jornalista enumerou iniciativas de estímulo às práticas sustentáveis que estão produzindo efeito pelo país, como impostos inteligentes (ICMS Ecológico e IPTU Verde, por exemplo) que oferecem recursos extras aos municípios que preservarem seus mananciais e áreas verdes, além de reduzir seus espaços de lixo a céu aberto.

“No caso do IPTU Verde, que já é realidade em capitais como Curitiba, Salvador, Goiânia, Cuiabá e Porto Alegre, cidadãos que possuírem em suas casas coletor solar, iluminação e ventilação natural, captação de água da chuva ou telhados verdes, por exemplo, podem ter alíquota reduzida ou até mesmo isenção de IPTU, afinal estão ajudando o município a ser mais sustentável”, explicou Trigueiro.

Logística reversa do lixo

Na sequência, foi abordada a questão da logística reversa do lixo reciclável, sobre produtos cujo prazo de obsolescência precisa ser urgentemente melhorado pelos grandes fabricantes. “É inadmissível que smartphones se tornem lixo eletrônico com apenas três ou quatro anos de uso. Isso vale para vários tipos de produtos, e não estamos falando apenas de plástico: a nova onda do isopor, que é mais barato, acaba gerando um resíduo que não se torna vantajoso economicamente de ser reciclado”, pontuou o especialista.

Por outro lado, a recente mudança global na política chinesa – que deixou de importar plástico de outros países – está forçando países como EUA e Japão a buscarem soluções para seus resíduos secos. “Entre as opções municipais para a boa destinação dos resíduos estão os consórcios intermunicipais, a coleta seletiva e a educação ambiental”.

Especialistas mundiais debatem iniciativas

Após a palestra de André Trigueiro, as plenárias foram ocupadas por paineis com especialistas mundiais como a colombiana Monica Villegas, a paraguaia Natalia Alejandra Ramirez e o argentino Juan Pablo Bosco, debatendo iniciativas como a tecnologia cívica e inclusão social, a modernização de serviços públicos, a promoção dos ecossistemas de startups e os desenvolvimentos urbanos sustentáveis.

Um dos destaques da tarde será a empresária e consultora britânica Tia Kansara, no painel sobre “Blockchain X Cidades Inteligentes”. O encerramento das palestras ficará por conta de Edgar Eduardo Moura, da Costa Rica, e Maria Paz Uribe, da Colômbia, debatendo as formas de se situar os cidadãos no centro das políticas e serviços urbanos.

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