Implante coclear: esperança além do aparelho de audição

O implante coclear já é realidade para muitas pessoas que sofrem com surdez severa e profunda. Aliás, essas duas características são os principais critérios para definir a real necessidade do paciente em utilizar o dispositivo. Em geral, os potenciais pacientes para receberem um implante coclear são aqueles cujo aparelho de audição já não consegue mais suprir as necessidades.

Segundo o otorrinolaringologista do Hospital Otorrinos Curitiba Neilor Fanckin Bueno Mendes, além de restabelecer a audição em casos em que os aparelhos convencionais não são suficientes , “o implante coclear devolve ao paciente autoestima e qualidade de vida. Pacientes ouvem novamente, ou pela primeira vez, como nos casos das crianças pequenas”, ressalta o otorrino.Leia mais:

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Como funciona o implante coclear
Conhecido popularmente como “ouvido biônico”, o implante coclear é um dispositivo de tecnologia complexa que é colocado dentro da cóclea (órgão pequeno que temos dentro do ouvido e uma das principais responsáveis pela audição) e transmite a informação para o nervo que levará até o cérebro.

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O implante coclear é conhecido como “ouvido biônico”.

A maioria das causas de surdez são passíveis de utilizarem o implante para sua correção, desde que se tenha uma cóclea desobstruída, um nervo para transmitir a informação e um cérebro capaz de reconhecer essa informação. Essas três situações são avaliadas minuciosamente por uma equipe multidisciplinar antes de se indicar o implante.

Perda auditiva
Na perda auditiva, as células da cóclea (responsáveis por transformar o estímulo sonoro em elétrico) vão perdendo gradativamente a sua função e o paciente precisará ampliar o som através das próteses convencionais (os tradicionais aparelhos auditivos). No entanto, a partir de um certo momento, as células de dentro da cóclea não funcionarão mais nem com a amplificação sonora, pois já estarão lesionadas. Nesse caso, a indicação é o tratamento com implante coclear.

Causas da perda auditiva
As principais causas da perda auditiva nos mais jovens se diferenciam um pouco das nos adultos. Segundo Mendes, “quando falamos em adolescentes com problemas de audição, pensamos em doenças autoimunes, infecções virais que possam acometer o nervo da audição, até mesmo doenças genéticas que se manifestem na fase da adolescência, perfurações e retrações na membrana timpânica.”

Outro problema é o acúmulo da cera de ouvido, que é a causa de perda de audição mais comum que nós temos”, exemplifica o especialista. Nos mais velhos, a perda auditiva pode estar relacionada ao uso de medicamentos tóxicos para o ouvido, que incluem desde analgésicos, anti-inflamatórios e até remédios para o câncer, além de infecções, doenças crônicas, traumas ou exposições a ruídos.

Diferença entre aparelho auditivo e implante coclear
De acordo com Neilor, os mecanismos pelos quais os implantes cocleares melhoram a audição são completamente diferentes.

“Enquanto o aparelho auditivo funciona como um amplificador do som para ser recebido pela cóclea e transmitido para o nervo, o implante pula esta parte e faz a transmissão do som diretamente para o nervo”, resume o otorrino.

Quem pode usar implante coclear?
Após a avaliação criteriosa da equipe multidisciplinar, se o paciente tiver a cóclea desobstruída, um nervo transmissor e um cérebro capaz de reconhecer e organizar as informações, adultos e idosos podem receber o implante, desde que tenham condições clínicas que não impeçam a cirurgia. “Em relação às crianças, esperamos que completem 2 anos para realização da cirurgia”, finaliza o otorrino.

Diretor Técnico: Dr. Ian Selonke – CRM-PR 19141 | Otorrinolaringologia

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