O vestibular da UFPR: uma notícia arrasadora

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*Daniel Medeiros

 

Desde o dia 17 de março mantemos nossos alunos e alunas com aulas, revisões, aprofundamento, simulados, tudo online, renovando diariamente a necessidade deles manterem o foco nos objetivos traçados, baseando nosso horizonte de ação na posição tomada pelo reitor de que o vestibular ocorreria nos dias 10 e 11 de janeiro. Já tínhamos previsto tudo, sabendo que para um jovem de 16, 17 anos, essa espera esticada não é nada fácil. Hoje, tudo mudou e teremos de fazer o muito difícil: dizer a eles que a primeira fase vai se estender por mais 50 dias da data inicial e depois ainda mais 60 dias para a segunda fase.

 

Imagino a reação dessa notícia nos milhares de jovens e suas famílias que têm empreendido todos os esforços e sacrifícios para manter o ânimo, o ritmo, o equilíbrio para continuar a estudar, toda manhã, todos os dias. É o sonho de entrar na grande Universidade Federal do Paraná que está passando, freguesia. Não estava sendo fácil.

Professores como eu, desdobramo-nos em docentes, conselheiros, apoiadores, ouvintes, amigos, na luta para que para além dos infortúnios da pandemia, do isolamento, da crise que afetou tão duramente tantas famílias, o projeto, o sonho tinha uma data limite: 10 de janeiro. E agora, mais uma vez, não será. Espero que o reitor, que é meu amigo e por quem nutro grande admiração, venha o mais rápido possível esclarecer essa decisão e exponha os motivos que fundamentaram essa mudança de datas que implica mais um sacrifício em meio aos sacrifícios que esses jovens já vêm enfrentando. Espero sinceramente porque sei que o reitor é uma pessoa sensível, muito humana. E o que afeta a todos nós, nesse momento em que acompanhamos esses jovens já superando tanta coisa, é vê-los perder as esperanças. E isso não pode acontecer. Isso, a depender de nós, de mim, não vai acontecer.

Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica e professor no Curso Positivo.   

danielmedeiros.articulista@gmail.com